<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585</id><updated>2011-12-31T09:34:19.173Z</updated><category term='televive'/><category term='eleições israelitas'/><category term='diário'/><category term='Fotografias'/><category term='cronica'/><category term='israel-eleições'/><category term='reportagem'/><category term='Diário Israel-Palestina 6'/><category term='gaza'/><category term='crónica'/><category term='análise'/><category term='Entrevista'/><category term='cisjordânia'/><title type='text'>Diário de Reportagem</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8272400935088198855</id><published>2009-02-20T12:28:00.001Z</published><updated>2009-02-20T12:30:19.221Z</updated><title type='text'>Menos que humano</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Crónica&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Viagens com bolso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sento-me na cinemateca de Jerusalém e um israelita na mesa à frente diz a um amigo, em inglês: “Em Israel, os palestinianos agora são vistos como menos que humanos.” &lt;br /&gt;A cinemateca é um bom sítio para trabalhar. Há “wireless” de graça, as mesas são confortáveis, as janelas dão para a Cidade Velha, fazem a melhor sopa de abóbora da cidade, e depois alguns filmes têm legendas em inglês (não tive tempo para essa parte).&lt;br /&gt;Suspeito que também seja um sítio onde não predominam os quatro tipos de direita que venceram as eleições israelitas – extrema-direita, direita religiosa, direita-direita e centro-direita. Não se vêem muitos russos daqueles que chegaram há uma dúzia de anos (mas acham que os palestinianos é que cá estão a mais). Não se vêem muitos religiosos (assim de repente, não me lembro sequer de ver “kipas”). Se calhar, há imensos partidários de Bibi e de Livni, mas pelas conversas não parecia. &lt;br /&gt;Na mesa à frente, a conversa era mais para onde emigrar. O homem que tinha dito que os palestinianos agora eram vistos como menos que humanos achava que o melhor país para emigrar era Itália, por causa do sentido de beleza (as mulheres, os homens, qualquer pracinha). &lt;br /&gt;Claro que se nos lembrarmos de Berlusconi – e da televisão italiana –, muitos discípulos de Nani Moretti podem estar agora na cinemateca de Roma a pensar para onde emigrar.&lt;br /&gt;Mas Moretti desesperaria mais em Israel.&lt;br /&gt;A dita esquerda israelita tem sido incapaz de dizer qualquer coisa de esquerda há tanto tempo que quem ainda vota nela já não se lembra do que é a esquerda. &lt;br /&gt;Depois há aqueles que se lembram do que é a esquerda, e portanto são considerados “a velha esquerda”, hoje consciências de um tempo sem consciência, que nunca falarão em emigrar porque sobreviveram ao Holocausto, fundaram Israel e ainda não desistiram do futuro.&lt;br /&gt;Alguns estão já próximos da dita esquerda radical, aquela que é contra o governo numa guerra. Em Israel, ser contra o governo numa guerra não é ser contra o governo, é ser contra Israel, e por isso é que esta esquerda é radical.&lt;br /&gt;Suspeito que o homem na mesa à minha frente fosse um destes radicais. A “velha esquerda” israelita tem idade para se lembrar do que quis dizer na História do século XX “undermenschen”. Foi nesta palavra – sub-humano, menos que humano – que começou o extermínio, antes das câmaras de gás. Porque o extermínio começa quando uma comunidade começa a ver outra comunidade como menos que humana. Foi o que aconteceu com milhões de europeus durante a II Guerra Mundial, e certamente a maior parte deles pensou ter motivos de força maior.&lt;br /&gt;Em Israel, país que há mais de 40 anos coloniza outro povo, quem é que consegue viver com a consciência de que a sua força aérea, metida em F16 de onde não se vêem caras nem corações, matou sistematicamente seres humanos desarmados? Ou se acredita que estavam todos armados ou não se pensa neles como seres humanos. E o resto são histórias da imprensa, apostada em denegrir Israel até com bombas de fósforo. &lt;br /&gt;Mas quando o israelita na cinemateca disse ao amigo que a imprensa não é o discurso oficial, e que na imprensa é onde os palestinianos ainda podem ser humanos, só não fui apertar-lhe a mão porque sou uma europeia constrangida por convenções. &lt;br /&gt;Menos que humano é o olhar do colonizador. Aquilo era um homem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viagenscombolso@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8272400935088198855?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8272400935088198855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8272400935088198855&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8272400935088198855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8272400935088198855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/menos-que-humano.html' title='Menos que humano'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5246823531281065020</id><published>2009-02-16T13:39:00.008Z</published><updated>2009-02-16T13:57:54.089Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>O quarto das filhas</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlvB3h7rxI/AAAAAAAAAEo/KRDAhidwbEE/s1600-h/donald.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303392114082295570" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlvB3h7rxI/AAAAAAAAAEo/KRDAhidwbEE/s400/donald.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Muitos israelitas só viram a dor em Gaza quando o médico Izzeldin Abuelaish telefonou para a televisão a pedir ajuda. Três filhas suas acabavam de ser mortas por um tanque israelita. A Pública foi ao quarto onde elas morreram e ao hospital de Telavive onde o pai trabalha.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Telavive&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexta-feira, 16 de Janeiro&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em Telavive, o jornalista Shlomi Eldar está sentado no estúdio do Canal 10 enquanto a &lt;em&gt;pivot&lt;/em&gt; apresenta as notícias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A guerra de Gaza dura há três semanas e os jornalistas estrangeiros estão impedidos de entrar. Eldar fala árabe, é o repórter que cobre "temas árabes" e tem entrevistado habitantes de Gaza ao telefone. Um dos interlocutores regulares é o médico palestiniano Izzeldin Abuelaish, que vive entre Gaza e Telavive, onde trabalha num hospital. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eldar conta entrevistá-lo justamente hoje, pelo que tem o telemóvel ligado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O que os espectadores israelitas vêem a seguir é uma rara sequência em televisão. A &lt;em&gt;pivot&lt;/em&gt;, perplexa, passa a palavra a Eldar. Ele agarra o telemóvel e põe-no em alta-voz. Ouve-se um homem desesperado, a chorar, a gritar. "Shlomi, eles mataram as minhas filhas!" Eldar vai explicando aos espectadores que aquele homem é um médico, que trabalha em Telavive há anos e tem oito filhos. Do outro lado, o homem grita, em agonia. "Shlomi! Ninguém consegue chegar até nós!" O jornalista pergunta onde fica a casa, que talvez possa ajudar, mandar uma ambulância. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Isto prolonga-se por quatro minutos, quatro longos minutos de televisão. Até que Eldar retira o auricular e sai do estúdio. Uma câmara segue-o, enquanto ele contacta o exército. E consegue que uma ambulância vá ter com Izzeldin Abuelaish. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Em alguns dos vídeos que se podem ver no YouTube, o médico palestiniano aparece a beijar a mão da sua filha Shada, deitada numa maca, ferida num olho e na mão. Vêm para o hospital Tel Hashomer, em Telavive, onde Abuelaish trabalha. Juntam-se médicos, repórteres, uma multidão que seguiu o drama em directo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora Shada já está na cama, Abuelaish faz-lhe festas, chora, pergunta: "Porquê? Porquê nós?" Médicos israelitas abraçam-no, choram com ele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E então uma mulher, mãe de um soldado, desata a gritar-lhe que o exército não se enganou, que ele deve ter armas em casa e por isso é um alvo, e grita, grita, enquanto a multidão à volta assiste em silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Talvez outros pais e mães israelitas tenham pensado ou querido pensar o mesmo, barricados em si próprios, incapazes de ver um pai do outro lado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas o primeiro momento em que muitos israelitas conseguiram ver a dor em Gaza foi este, a dor em directo de Izzeldin Abuelaish. Uma dor entre muitas outras, mas que furou o cerco e chegou à gente nos sofás, antes de jantar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Para Israel, a guerra do Líbano em 2006 foi um desaire, e a guerra de Gaza veio insuflar o orgulho nacional, a certeza de que o Estado judaico pode e deve defender-se das ameaças, que se concretizavam nos rockets do Hamas. Por isso, quando Israel começou a bombardear Gaza, só a esquerda radical - para os parâmetros israelitas - foi contra. E, durante semanas, a grande maioria da população continuou a apoiar o que os militares chamavam "operação".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O historiador israelita Tom Segev disse à Pública que o drama do médico que perdeu as três filhas foi o momento em que muita gente disse: "OK, talvez baste."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Segunda-feira, 26 de Janeiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em Jabaliya toda a gente sabe onde fica a casa do doutor Izzeldin Abuelaish. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jabaliya é o campo de refugiados em Gaza onde começou a Primeira Intifada. Ruelas tortas com buracos, má construção e carros velhos, uma vida fervilhante nas ruas, quatro gerações de refugiados, desde 1948. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui nasceu e continua a viver Izzeldin Abuelaish. Há nove anos a família construiu uma casa nova com quatro pisos, um por cada irmão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A Pública não precisa de perguntar duas vezes onde é. O primeiro rapaz sabe, entra no carro e vai dando direcções.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A primeira coisa notável é que a casa está isolada, não tem outras à volta. Não é muito fácil alguém esconder-se ao lado ou atrás. É uma péssima casa para quem queira fazer a guerra, o que bate certo. Izzeldin Abuelaish tem sido um convicto partidário da paz. Sendo médico, trabalhando em Israel e falando hebraico, tornou-se numa imagem rara de Gaza para os israelitas - um rosto para a possibilidade de paz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A segunda coisa notável é que a casa tem buracos no segundo andar quase do tamanho de uma parede. Não são buracos de tiros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mohammed, 13 anos, um dos sobrinhos de Abuelaish, aparece a descer os degraus. O seu célebre tio não está, continua com a filha e a sobrinha feridas em Telavive. Mohammed leva os visitantes a um adulto, Saleh, 46 anos, primo de Izzeldin. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Eu não estava aqui quando a tragédia aconteceu", diz Saleh, subindo até ao segundo piso. Passando a porta, aparece um salão cuidadosamente pintado, com frescos e reboco, aberto para uma cozinha bem equipada. É visivelmente uma casa nova, em que tempo e dinheiro foram investidos. Mas, agora, os móveis estão partidos, há portas no chão, pilhas de entulho e buracos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quando Mohammed indica um quarto, a destruição torna-se avassaladora. Duas das paredes, a da esquerda e a da frente, são agora buracões. Por cada uma entrou um obus. As outras paredes e o tecto estão esburacadas e cheias de sangue. Há um autocolante com o nome Barbie numa delas, e depois a própria Barbie, de saia rodada. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Este era o quarto das filhas, está a ver?", pergunta Saleh. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vê-se que sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Porque há um beliche, agora coberto de destroços. E há uma chinela, um caderno de Economia Internacional, exercícios de inglês, vários CD, uma cruzeta, duas botas com fivelas, um cachecol, um álbum sobre a Turquia, um teclado de computador, um ténis-cor-de-rosa, uma malinha preta, um compasso, um Pato Donald a rir. E tudo está no chão, partido, coberto de cimento, sujo de sangue, com roupa enrodilhada em traves e metal. Cada coisa diz que isto é um quarto de raparigas, da mais nova, que ainda gostava da Barbie, à mais velha, que estudava Economia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estavam a aprender a viver sem mãe, morta com leucemia há cinco meses.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Quarta-feira, 4 de Fevereiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;As forças armadas israelitas divulgam os resultados do inquérito "respeitante ao incidente na residência do dr. Abuelaish". As conclusões são que "dois obuses foram disparados de um tanque, causando a morte das três filhas". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os soldados tinham ficado sob "fogo de atiradores e morteiros" na área de Sajaiya. Identificaram a fonte do fogo numa casa adjacente e dispararam. Depois "figuras suspeitas foram identificadas no último andar da casa do dr. Abuelaish e pensou-se que fossem colaboradores a dirigir o fogo do Hamas". Após "avaliar a situação no terreno enquanto estavam debaixo de fogo pesado, o comandante da força deu ordens para abrir fogo contra as figuras suspeitas". Foi "desse fogo que morreram as três filhas do dr. Abuelaish".&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Segunda-feira, 9 de Fevereiro&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É noite em Telavive. Izzeldine Abuelaish está sentado com amigos e a filha Shada num pequeno apartamento do hospital Tel Hashomer, onde há anos trabalha. Quando trouxe a filha e a sobrinha feridas de Gaza, este hospital, o maior de Israel, cedeu um espaço onde ficassem durante o tratamento.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Shada tem um olho tapado. Já foi operada duas vezes e espera-se que recupere a visão. Também perdeu dois dedos da mão direita. Está a fazer fisioterapia. É uma adolescente com covinhas, e sorri, a segurar a mão enfaixada, enquanto o pai lhe pergunta: "Então, qual é a capital de Portugal? Lish...?"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma amiga da família faz café. Shada vai dormir. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Depois do comunicado do exército, o dr. Abuelaish foi citado na imprensa israelita a dizer: "Todos cometemos erros, e não os repetimos." E em alguns títulos apareceu só: "Todos cometemos erros." Como se tudo estivesse esclarecido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas a frase, diz, foi truncada. "As pessoas dizem que se o exército matou numa situação destas foi sem intenção e que toda a gente comete erros. O que eu digo é que todos cometemos erros mas temos de aprender com eles, não os podemos repetir."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E quanto ao comunicado, os soldados falam de Sajaiya como se fosse a área da sua casa. "Não é, fica a quatro ou cinco quilómetros. Eles misturaram duas coisas. Não havia snipers nem fogo nenhum perto da nossa casa, não há casas adjacentes onde alguém se possa esconder."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E antes e depois do comunicado outras coisas foram mal ditas e misturadas, como a ideia de que Abuelaish vai pedir asilo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Nunca pedirei asilo a nenhum país do mundo. Sou palestiniano, até ao fim, a defender os nossos direitos. Também disseram que eu ia emigrar para o Canadá, quando apenas pensei ir dois ou três anos para o Canadá trabalhar."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De resto, o seu cartão de visita diz Jabaliya. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os pais eram da aldeia que hoje é o rancho de Ariel Sharon. Quando Israel foi criado, refugiaram-se em Gaza, onde há 53 anos Abuelaish nasceu. "Nasci, fui criado e vivo no campo de refugiados de Jabaliya. É o meu povo, as minhas filhas estudam lá, na escola da ONU."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trabalhar aqui, em Telavive, é algo que vem dos chamados "anos de Oslo", os mais tranquilos do conflito, entre a Primeira e Segunda Intifada. Em 1993, Abuelaish tornou-se "no primeiro médico de Gaza a trabalhar de forma permanente num hospital em Israel". &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já tinha filhos, e continuou a ter, oito ao todo. Organizou a sua semana assim: de domingo a quinta está em Telavive. Quinta à noite chega a Gaza. "Sexta-feira é para os meus filhos. Sábado, das 8h às 12h, ensino lá, na Escola Médica. E das 15h às 21h faço clínica de graça para os meus doentes de lá."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;De cada vez que entra e sai de Gaza tem de passar Erez, o mais inexpugnável dos checkpoints, e passa a pé como toda a gente. Tornou-se numa rotina. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao longo destes anos de vaivém, continuou a fazer especializações. Genética em Itália e Bélgica, saúde pública em Harvard. Concorreu às eleições palestinianas em 2006 como independente e hoje diz: "Felizmente não fui eleito." Em vez disso, foi um ano para o Afeganistão, como consultor do Ministério da Saúde. "Estava seis semanas em Cabul, duas em Gaza." Também foi consultor, em colaboração com a União Europeia, no Quénia e no Iémen.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A 25 de Dezembro de 2008, uma quinta-feira, deixou Telavive e foi para Gaza, como sempre. "Às onze da manhã de sábado começaram os bombardeamentos. Os vidros rebentaram logo. Na primeira semana, ainda saía para ir buscar comida, mas quando começou a invasão terrestre ficámos fechados, sem bens essenciais como electricidade, gás, água." Os geradores fazem barulho e podiam atrair a atenção."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vivemos na escuridão, dormimos em colchões na sala e na cozinha, e a minha filha Shada sentava-se à secretária com velas a estudar. Mas estávamos tão felizes de estarmos juntos." Contando as mulheres e filhos dos quatro irmãos no prédio, ao todo 27 pessoas. "E os meus amigos israelitas e os jornalistas telefonavam duas, três vezes por dia."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Até que a 14 de Janeiro um tanque se aproximou. "Foi chocante, como se eu visse a morte. Telefonei a Shlomi [Eldar, o jornalista do Canal 10], expliquei-lhe, ele comunicou com o exército, comecei a receber chamadas para saber onde ficava a casa. Um coronel Mahdi telefonou-me de Erez, pedi-lhe que retirasse o tanque e o tanque retirou! Fiquei tão contente. Isso significava que já conheciam a casa, que estávamos seguros. As crianças celebraram, estavam eufóricas!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na noite de quinta para sexta mal dormirarm, por causa dos bombardeamentos, mas o pior parecia ter passado."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;De manhã, acordei as crianças, para o pequeno-almoço. Falámos do que elas queriam estudar. Shada queria Engenharia Informática. Mayar, disse: 'Eu estudarei Medicina.' Aya queria Jornalismo. Nenhuma delas alguma vez teve menos de 97 por cento nos testes. E no mesmo dia, Mayar disse: 'Dá os parabéns a Aya.' Porquê? 'Ela teve o período.' Tinha-se tornado madura, aos 13 anos. Comecei a rir, falei com ela. São minhas amigas, as minhas filhas. Depois consegui falar ao telefone com a minha filha que estava com a tia. Perguntei-lhe: 'O que queres estudar, para onde queres ir? Tenho duas ofertas para trabalhar, em Toronto e em Haifa.' Ela disse: 'Quero voar.' Eu disse: 'OK, então podemos ir para o Canadá. Tudo está pronto na embaixada canadiana, mal haja cessar-fogo.' A minha sobrinha de 17 anos tinha vindo dois dias antes ter connosco, correndo o risco, com uma bandeira branca. Disse: 'Eu quero morrer aqui, não quero ficar em mais nenhum refúgio público no campo, é intimidante, é humilhante. Vocês estão no paraíso em comparação com a nossa vida lá, há dez dias que não tomo banho.' E ficou connosco, veio para o seu destino."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pelas quatro da tarde, Abuelaish tinha uma entrevista marcada com a televisão. Afastou-se dos filhos. Foi quando veio o primeiro obus pela janela do quarto das filhas."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cortou-lhes as cabeças. O que viu no tecto são partes do cérebro. Eu vi Shada com o olho a vir para fora, e os dedos, e quando entrei no quarto não consegui reconhecer as minhas filhas e a minha sobrinha, sem cabeças. A minha filha mais nova veio a gritar, e a minha sobrinha desceu com os irmãos dos outros andares. E então veio o segundo obus."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Morreram Bisan, 20 anos, Mayar, 15 anos, Aya, 14 anos (as filhas), e Nur, 17 anos (a sobrinha).&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Comecei a contactar com Shlomi. Pedi para as transferir para aqui, e conseguimos salvar os olhos da minha filha e a minha outra sobrinha, que estava ferida. É a luz que há nesta escuridão." A amiga da família que esteve a fazer café há-de dizer, quando ele não estiver a ouvir, que Abuelaish chorou, gritou, mas não perdeu o centro. Continua a ser pai de cinco crianças que não têm mãe. E brinca com Shada, recebe quem o visita, fala, continua a falar pela paz.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"O que fica disto é que o sangue das minhas filhas não foi desperdiçado, fez uma diferença. Para abrir, espero que de forma permanente, os olhos e mentes dos israelitas, para os fazer ver que há outro lado, uma nação palestiniana a viver ali. É isso que me deixa feliz, que os israelitas tenham começado a olhar, porque, se queremos julgar, temos de olhar para fora da nossa moldura. E que tenha sido também uma razão para este cessar-fogo, para salvar vidas."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Voltou a Gaza três vezes. Viu como a guerra "extremou o ódio, a animosidade" e fez tudo voltar para trás. "É doloroso, porque trabalhámos muito para ultrapassar a animosidade. E não há outra forma, temos de aprender a viver uns com os outros. Agora estamos mais longe, mas não há outra alternativa, se não dar a cada um os seus direitos, com justiça."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abuelaish tem uma ideia concreta e imediata. "Fortalecer a educação das raparigas de Gaza, para que participem nos processos de decisão." Pensou numa fundação, e está aberto a quem quiser ajudar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5246823531281065020?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5246823531281065020/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5246823531281065020&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5246823531281065020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5246823531281065020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-quarto-das-filhas.html' title='O quarto das filhas'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlvB3h7rxI/AAAAAAAAAEo/KRDAhidwbEE/s72-c/donald.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-3623767763120457836</id><published>2009-02-13T13:23:00.000Z</published><updated>2009-02-16T13:37:57.101Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Entrevista a Zeev Sternhell</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlr_mmZzCI/AAAAAAAAAEg/cyoL2l6SvaM/s1600-h/zeev.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303388776643021858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlr_mmZzCI/AAAAAAAAAEg/cyoL2l6SvaM/s400/zeev.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Zeev Sternhell - Lieberman é um fenómeno perigoso, não nos enganemos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não chama guerra ao que aconteceu em Gaza, porque é uma vergonha para a geração dele, que combateu exércitos. Acha que Lieberman pode ser um perigo real, mas não só ele, também os religiosos. Juntos numa crise podem mandar a democracia de férias. De resto, Israel não quer saber do que se passa em Gaza. Entrevista com um dos grandes intelectuais de Israel&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Em Setembro, a casa de Zeev Sternhell (n. 1935) foi atacada com uma bomba e ele ficou ligeiramente ferido. Um choque para gerações de leitores e discípulos deste historiador especialista em fascismo, um dos mais admirados intelectuais israelitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sternhell é um crítico empenhado do movimento dos colonatos e a polícia suspeita que o ataque tenha vindo da extremadireita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um sinal da "fragilidade da democracia" israelita, comentou Sternhell.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista na sua casa de Jerusalém, na tarde a seguir às eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ficou surpreendido com os resultados das eleições?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já eram conhecidos há semanas, nada é realmente surpreendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sabido que o Partido Trabalhista está em queda, é um processo com pelo menos 10 anos, senão 30. Nos últimos 10 anos, perdeu 60 ou 70 por cento do eleitorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desde o tempo em que era o partido de Ben Gurion, dos pais do Estado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É o partido que fundou o Estado, e não só, preparou-o para a independência pelo menos 30 anos antes. Portanto, isto é muito triste, mas não é uma surpresa. O mesmo para o pequeno partido Meretz [esquerda moderada], que perdeu a sua identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois de muitas experiências anteriores, comprovou-se que uma guerra é sempre favorável à direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se as pessoas querem um partido político muito forte, que use a força contra os árabes, ficam com o original, não levam a litografia. Porquê ficar com o Labour quando podem ficar com o Likud? Ou Lieberman? Ou um dos partidos religiosos de direita? Porquê votar por um partido cuja ideologia não é a confrontação mas cuja prática é? É melhor escolher alguém que sabe o que quer e cuja prática põe em acção uma ideologia de confrontação, em vez de escolher aqueles definidos há muitos anos como os que matam e choram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes escolher gente que mata e sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há também aquela frase que diz: "Mata tantos árabes quanto possível e fala tanto de paz quanto possível". Neste caso, trata-se de escolher quem mata muitos árabes e não fala muito de paz.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos três anos, tivemos muita conversa sobre paz mas nada fazendo para a alcançar, permitindo que os colonatos se desenvolvessem, como acontece há 30 anos. Desenvolver os colonatos é considerado OK pelos americanos, porque eles pediram para não criarmos novos colonatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, não faz mal se pegarmos num colonato e o expandirmos 30 ou 50 por cento em mais terra árabe terra árabe privada, e isto continua enquanto estamos aqui a falar, a expansão dos colonatos sob os auspícios do ministro da Defesa Ehud Barak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante estes três anos de conversa sobre a paz, fizemos duas guerras, se é que a operação de Gaza pode ser chamada guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a minha geração, é uma vergonha chamar-lhe uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lutámos contra os exércitos árabes, vimos os nossos aviões serem abatidos, os nossos tanques a explodir, enterrámos dezenas e dezenas de camaradas em guerras sucessivas. Agora esta coisa, um dos mais fortes exércitos do mundo a atacar uma Gaza desamparada, não é algo a que eu chame guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma operação punitiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a segunda guerra do Líbano é considerada um meio falhanço, se não um falhanço, porque tivemos demasiadas baixas, para impedir baixas em Gaza empregámos o tipo de força que se sabe. E para fazer isso não é preciso a esquerda, a direita chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portanto, muita conversa, duas guerras em que nada foi conseguido, três anos para nada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, não há hipótese para qualquer processo de paz, seja qual for o Governo formado daqui a dez dias ou três semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode ser chefiado por Tzipi Livni, por Bibi Netanyahu, o resultado será o mesmo. Talvez o tom seja um pouco diferente, mas mesmo Netanyahu falará com uma voz diferente se e quando for primeiroministro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, para o dito processo de paz, estas eleições significam nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dizemos aqui, temos visto muito processo mas não temos visto paz nenhuma. Se o processo não está morto está moribundo, a não ser que os americanos decidam que querem avançar. Sozinhos, Israel e a Autoridade Palestiniana são incapazes de alcançar resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum avanço poderá ser conseguido sem uma intervenção forte, brutal, da América. Da União Europeia também, mas a América é mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Obama é o homem para fazer isso?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É difícil dizer. Ele está envolvido em tantas dificuldades. Até agora, este conflito tem tido um lugar muito pequeno nas prioridades americanas. Os americanos não se importavam realmente que israelitas e palestinianos se matassem desde que isso não tivesse grande influência na região.&lt;br /&gt;Enquanto estiver confinado a Gaza e a Nablus, quem quer saber? Se tivesse influência real no Iraque, no Irão, seria diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama mexeu-se um pouco, pôs George Mitchell. Mas temos visto tantos enviados a ir e vir. Dennis Ross, com os seus olhos tristes, aterrou no aeroporto Ben Gurion várias vezes todos os anos. O que conseguiu? É preciso esperar semanas, senão meses, para ter uma ideia. Mas seja como for é melhor que Bush, porque Bush era menos que zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sua visão da guerra de Gaza não é a da maioria em Israel. Mesmo um partido de esquerda como o Meretz apoiou inicialmente a guerra. Não houve uma percepção do sofrimento em Gaza, até que as pessoas viram na televisão o médico que perdeu três filhas. Como é que alguém da sua geração, em termos morais, vê a reacção de Israel a esta guerra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade que a grande maioria dos israelitas simplesmente não queria ver o que acontecia em Gaza. Havia explicações muito boas, como responder à agressão do Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos tendência para nos vermos sempre como vítimas, e isto dura há dezenas de anos, provavelmente desde a II Guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até agora, que somos um poder militar, ainda nos vemos como David, e Golias está sempre em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a guerra, a televisão israelita não mostrou o que os espectadores na Europa viram.&lt;br /&gt;Temos a CNN e tudo isso, mas os canais israelitas não podiam mandar repórteres e não mostraram o que foi filmado por outros. Foi uma combinação conveniente para os israelitas. Sim, eles sabiam que provavelmente entre 350 e 400 crianças tinham sido mortas em Gaza, mas a responsabilidade era dos palestinianos, porque o Hamas se escondia na população o que não é falso, porque não há um exército do Hamas, estão aqui e ali, no cimo dos prédios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta manhã assinei uma carta dirigida ao ministro da Defesa a pedir uma investigação à morte das três filhas do médico de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O exército clama que um par de snipers ou gente a dirigir o fogo de Hamas foi identificada no topo do prédio. O médico diz que não há qualquer hipótese de haver gente do Hamas aí. O israelita típico prefere acreditar no porta-voz do exército. Eu não acredito no portavoz do exército desde os meus 20 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para muitos israelitas é bom, a sua consciência fica limpa. Abba Eban, um mitológico ministro dos Negócios Estrangeiro [de 1966 a 1974], dizia: "Se não usares a tua consciência, de facto ela fica limpa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma forma que as pessoas encontraram para viver, uma estratégia de sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;É um reflexo psicológico de autodefesa. Não ver o que acontece ao pé da nossa porta é um hábito pelo menos desde a Guerra dos Seis Dias. Não queremos realmente saber o que está a acontecer na Cisjordânia. Fica a alguns quilómetros de Jerusalém Oriental, e preferimos não ver e não saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se queremos viver uma vida normal, essa é a forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O líder da extrema-direita Avigdor Lieberman cresceu nestas eleições para os 15 deputados. O seu partido é agora o terceiro em Israel. É um fenómeno temporário, ou tem a ver com a evolução da sociedade israelita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lieberman é comparável a Le Pen, em França. É o mesmo tipo de psicologia. Em alguns aspectos é comparável a ditadores dos anos 70 e 80 na América do Sul, ditadores autoritários, com políticas económicas liberais, Pinochet, os generais argentinos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto de usar o termo fascismo porque tem um significado mais complicado para mim. Mas o fascismo não é a pior coisa no mundo. Os ditadores argentinos e Pinochet foram muito mais brutais, violentos, sangrentos que Mussolini.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso agora já não se faz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lieberman não está a pôr em causa a democracia, e Le Pen também não estava. Mas democracia não é apenas pôr um papel numa urna. É antes de mais direitos do homem, igualdade entre todos os cidadãos, e isso é algo que Lieberman não aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Direitos do homem é algo ridículo para ele e a gente dele. E árabes e judeus não têm os mesmos direitos para ele porque os árabes reconhecem o Estado de Israel mas não um Estado judaico, e isso é suficiente para fazer deles cidadãos de segunda ou terceira, e alguns deixarem de ser cidadãos. E a separação de poderes: Lieberman odeia o Supremo Tribunal, que, como não temos constituição, é o pilar da democracia israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, ele não reconhece realmente elementos básicos da democracia. E está a ficar mais forte de eleição em eleição. É um fenómeno perigoso, não nos enganemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não é o único perigo. O partido Shas [dos sefarditas ultraortodoxos] é fundamentalmente anti-democrático. São até antisionistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Porquê?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Porque para eles Israel não tem a mesma importância que para mim, não é um objectivo, não tem valor em si, é só um instrumento para tornar possível esperar pelo Messias, e o sionismo não era isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, se juntarmos Shas, Lieberman e os outros partidos religiosos, temos pelo menos um quarto dos membros do Knesset que não estão comprometidos com a democracia, e as estruturas democráticas de Israel. Numa situação de crise, pode ser perigoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que pode acontecer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como aconteceu na I Guerra, podem mandar a democracia de férias. Governar sem a supervisão do Supremo Tribunal, por maioria simples no Knesset, ou se necessário sem o Knesset. Mas não seria preciso, porque esses 25 por cento facilmente conseguiriam o apoio de 25 por cento do Likud, apesar do Likud ser um partido democrático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão de saber se a democracia é um valor em si ou é boa para tempos de luxo, é uma grande questão. Não era difícil conseguir uma maioria que a achasse a democracia boa mas não para todos, ou nem sempre. É preferível não pormos isso à prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como é para alguém da sua geração ver Israel a caminhar assim para a direita?&lt;/strong&gt;Não é exactamente aquilo que esperávamos e pelo qual lutámos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não imaginámos uma sociedade onde as desigualdades estivessem entre as maiores do mundo ocidental. As coisas podem mudar, mas a maior parte de nós não está contente. E não é uma coisa de geração, mas de visão do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Num inquérito nos liceus, Lieberman foi o líder mais popular. E as opiniões minoritárias pagam um preço alto a si, aconteceu-lhe recentemente ser agredido. Há algo doente na sociedade israelita?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Numa sociedade em permanente tensão e guerra, cujas gerações mais jovens estão habituadas ao domínio colonial sobre outro povo, a quem negam o direito a uma existência nacional, é normal que os jovens respondam a um apelo de um líder forte, de alguém que faz piadas sobre o Supremo Tribunal. É normal em sociedades desestabilizadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos numa situação comparável à Europa em vários momentos da História. Estamos quase sempre em guerra, e também temos de enfrentar o terrorismo, o Hamas é um movimento terrorista, recusa-se a aceitar a existência de Israel. Numa situação destas, os jovens tendem a ir para a extrema-direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mero facto de o sistema democrático não ter sido abanado até às fundações nos últimos 60 anos é um feito, mas um feito que tem de ser defendido sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda estamos numa situação em que não sofremos uma grande derrota. E enquanto não a sofrermos e a situação económica não for catastrófica, o sistema funciona. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-3623767763120457836?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/3623767763120457836/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=3623767763120457836&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3623767763120457836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3623767763120457836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/entrevista-zeev-sternhell.html' title='Entrevista a Zeev Sternhell'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZlr_mmZzCI/AAAAAAAAAEg/cyoL2l6SvaM/s72-c/zeev.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5636591042041641811</id><published>2009-02-13T05:43:00.002Z</published><updated>2009-02-14T00:42:30.177Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><title type='text'>Brunch de shabat</title><content type='html'>&lt;em&gt;Viagens com bolso&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Crónica&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado acordei em casa da Lisa. Ela vive em Abu Tor, um bairro de fronteira, com casas antigas, conventos e pinheiros. Na rua dela é Jerusalém Ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisa é uma judia de Nova Iorque, do género de ficar enrolada numa manta a rir da campanha israelita na televisão mas não mais do que cinco minutos. Dos religiosos no espaço sideral, do partido dos pensionistas e daquele momento em que aparece uma cabeleireira a dizer: “Eu quero um homem.” Quer dizer, um homem no governo. E o que Lisa então diz, com cinco segundos de exasperação e um sotaque da rua 4 com a Broadway após mais de 25 anos em Israel, é: “Este país é tão atrasado!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca a vi perder o sentido de humor, nem aquela espécie de distância em relação a tudo o que não é mesmo importante para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as coisas importantes está escrever e traduzir. O escritório dá para um jardinzinho nas traseiras e tem um tecto tão alto que se fez uma mezanine. Passei muitas noites nesta casa com um cheiro doce, de flores, e aquela mezanine é a minha cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então sábado Lisa ia a um “brunch” em casa de amigos e combinara levar-me. Era um bom passeio, saímos a pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas extraordinárias de Jerusalém é como se pode ir no meio da cidade e virando a esquina estar-se num vale dramático, com oliveiras, pinheiros e de repente um cânone de “muezzins” entre colinas, de minarete em minarete. E é “shabat”, os judeus religiosos empurram carrinhos de bebé, há anciãos de fato de treino com garrafas de água, e gente como nós, casaco à cintura porque está quente-quase-Verão, uma garrafa de vinho no bolso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abu Tor, Talpiyot, Arnona. Os amigos de Lisa moram numa casa de dois pisos com vista para o vale. Ela dá aulas numa escola de artes, ele é psicólogo. Têm três filhos, um deles soldado. Livros, peças antigas, algum “design”, tudo acolhedor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentámo-nos no terraço a beber “bloody marys”, e era a paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio o “brunch”, sopa de couve-flor, beringelas com pasta de sésamo, pão, queijo, vinho, e começou a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu julgo ter visto em Gaza uma tal escala de violência que, além de 1300 mortos, dezenas de milhares de pessoas estão de luto ou sem abrigo – e não vi nada, porque não estive lá mesmo durante os bombardeamentos, talvez os primeiros alguma vez feitos sobre uma população que não tinha para onde fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aterro em Israel para passar um civilizado “brunch” a ouvir como toda a população do sul do país está traumatizada com os “rockets” que mataram três civis. Como Israel está a ser agredido pelo Hamas, pelo Hezzbolah, pelo Irão, por todo o mundo muçulmano. Como a Europa está cega porque não vê o que vai sofrer com os muçulmanos. Como Israel está sozinho, ameaçado e ainda assim é paciente e humanista. E como são desprezíveis os israelitas que levam na cara e querem paz, e quando o país estava em guerra não apoiaram o seu governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, após uma meia hora de batalha, a confecção da beringela pareceu-me fascinante e também falámos de sopas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis senão quando Lisa resolveu contar que fora a uma grande manifestação contra a guerra em Telavive e uma miúda pró-guerra lhe tentara pregar uma rasteira. “Uma miúda! Eu podia ser mãe dela!”, dizia a minha amiga, com o seu sotaque da rua 4, perante o silêncio dos amigos.&lt;br /&gt;E voltámos as duas pelo mesmo passeio a falar da vida, mas já sem vinho. Um peso a menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;viagenscombolso@gmail.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5636591042041641811?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5636591042041641811/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5636591042041641811&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5636591042041641811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5636591042041641811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/viagens-com-bolso_13.html' title='Brunch de shabat'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-2834095520599619593</id><published>2009-02-12T11:06:00.004Z</published><updated>2009-02-12T13:10:50.167Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><title type='text'>Bibi Netanyahu lidera cenários pós-eleitorais para governar</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZQDpvSjZUI/AAAAAAAAAEQ/415oOFko1fc/s1600-h/israel.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301866676925719874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 262px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZQDpvSjZUI/AAAAAAAAAEQ/415oOFko1fc/s400/israel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Benjamin Netanyahu fala aos apoiantes após os resultados&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Yannis Behrakis/Reuters&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Como desatar o nó das eleições? Bibi com Livni, Bibi sem Livni são os cenários falados. Entre os palestinianos, nenhuma expectativa para a paz&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da caça ao voto, é a caça a Avigdor Lieberman. Nos sites israelitas, ontem as notícias avançavam por esta ordem: "Livni vai reunir-se com Lieberman", "Livni está reunida com Lieberman", "Bibi vai reunir-se com Lieberman", "Bibi está reunido com Lieberman".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confirmando a tendência dos últimos dias, em que a vantagem do Likud de Bibi Netanyahu foi diminuindo, o Kadima de Tzipi Livni ganhou por um deputado. Em 120, o Kadima teve 28 e o Likud 27, o que significa que nenhum tem maioria para formar governo, ambos precisam de vários outros partidos, e por isso negociar com Lieberman é uma prioridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 15 deputados [Yisrael Betenu], o líder da extrema-direita é agora a terceira maior força nacional, e ainda não disse se preferia Livni ou Bibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é consensual entre os analistas que Netanyahu parece ter mais apoios que Livni para uma coligação, porque o bloco de direita soma 65 deputados, e o bloco de esquerda apenas 55.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A direita subiu e a esquerda baixou, e se Livni conseguiu um bom resultado foi à custa dos que estão à sua esquerda. Terá beneficiado do voto útil de muita gente que principalmente não queria Netanyahu no governo, sobretudo eleitores trabalhistas e do Meretz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso ajuda explicar o desaire destes dois partidos. O Labour, o grande partido histórico de Israel, está reduzido a uns catastróficos 13 deputados. E o Meretz ficou com três, e em estado de choque - é possível que tenha perdido também para o Hadash, liderado pelo árabe Mohammed Barakeh em aliança com o comunista judeu Dov Hanin, agora com quatro deputados. A dita esquerda radical e os partidos árabes não desceram, pelo contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 99 por cento de resultados apurados, faltam os votos dos soldados e dos diplomatas. Serão conhecidos esta noite, e poderão significar um deputado. Como os soldados tendem a votar à direita, isso pode beneficiar ainda mais Bibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próximos dias serão de frenéticas negociação de bastidores. O Presidente Shimon Peres recebe os partidos para a semana. Cada partido recomenda um nome. Esse nome vai somando deputados consoante o peso de cada partido. Peres depois nomeia o líder que tiver mais apoios entre os deputados. Ontem um porta-voz presidencial disse que essa nomeação poderá acontecer por volta de dia 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como desatar o nó&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;"O resultado é um nó, era previsível", resume ao PÚBLICO Nahum Barnea, do jornal Yedioth Ahronoth. E este comentador político, talvez o mais famoso da imprensa israelita, vê duas formas de desatar o nó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A primeira é que haja uma divisão de poder entre Likud e Kadima, com a possibilidade de rotação de primeiro-ministro entre Livni e Bibi ou com igual número de ministros e um deles como primeiro-ministro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo após o anúncio das previsões, o Kadima pareceu inclinado para uma solução dessas. E ontem Livni voltou a propor um governo com o Likud chefiado por ela. Mas a ideia da rotação parece pouco popular. Do lado do Likud apareceu um deputado a dizer que a rotação é para quando há empates de 60-60 nos blocos. E, do lado do Kadima, apareceu um ministro a dizer que a rotação "é uma experiência" que "em geral não resulta".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tanto Livni como Bibi parecem muito empenhados em ser primeiros-ministros. Bibi nem esperou pela manhã seguinte para apelar a uma coligação chefiada por ele, e Livni ontem disse: "As pessoas escolheram-me. Sinto uma grande responsabilidade de traduzir o poder que me foi dado em acção."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Kadima é o partido fundado por Sharon na sequência da retirada de Gaza, que foi fracturante no Likud. Cresceu com gente do Likud, dos Trabalhistas, mas não tem raízes em Israel, e foi desgastado pela actuação do actual primeiro-ministro, Ehud Olmert, na guerra do Líbano e por escândalos de corrupção. Quando Bibi era dado como vencedor certo, há semanas, pensou-se que o Kadima pudesse implodir depois das eleições. Parte da vitória de Livni foi ter conseguido segurá-lo, e bater-se mesmo pelo primeiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é suficiente para um bloco de centro-esquerda, e o segundo cenário previsto por Nahum Barnea não inclui Livni. "Netanyahu pode liderar uma coligação de direita, porque tecnicamente está em melhor posição para formar governo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Lieberman será um kingmaker, aquele que decide. "Para formar governo não basta Lieberman, são precisos vários partidos", diz Barnea. "A diferença entre Lieberman e o [partido ultra-ortodoxo] Shas é que o Shas já disse que vai recomendar Bibi enquanto Lieberman não disse quem ia recomendar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É essa incógnita que dá poder negocial ao líder da extrema-direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Yossi Verter, comentador político do diário Ha'aretz, acha que Livni nem tem hipótese de ser primeiro-ministro. "Bibi será primeiro-ministro, num governo à direita ou num governo com o Kadima. Livni não tem suficientes deputados que a recomendem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece claro que não terá o apoio dos partidos árabes. Ontem o líder do Ta'al, Ahmad Tibi, disse que não vai recomendar Livni nem integrará uma coligação com ela, "tendo em conta comentários sobre os árabes feitos no passado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto a Lieberman, entre encontros com Livni e Bibi, vangloriou-se de ter "determinado a agenda destas eleições", declarou que queria um governo de direita e falou sobre o Hamas: "Não teremos negociações directas ou indirectas com eles nem um cessar-fogo. Não importa que tipo de governo será formado; se estivermos nele, a derrota do Hamas será o principal objectivo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pode tentar, Livni e Barak tentaram muito e falharam", ironiza Ali Jirbawi, analista palestiniano da Universidade de Birzeit. "Se Lieberman quer mesmo derrotar o Hamas, então deve haver um processo de paz a sério, não apenas conversa e conversa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do lado palestiniano, muita gente viu estas eleições em Israel como uma escolha entre a direita e a direita, e ninguém parece acreditar que faça muita diferença um governo liderado por Bibi ou por Livni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vai ser uma continuação do que aconteceu até agora", resume Jirbawi. "Negociámos com Livni e nada aconteceu. Não há quaisquer expectativas do lado palestiniano. Passámos mais de 15 anos a falar. Se eles agora têm alguma coisa para oferecer, digam. Se não, podem ir de guerra em guerra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 12 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-2834095520599619593?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/2834095520599619593/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=2834095520599619593&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2834095520599619593'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2834095520599619593'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/bibi-netanyahu-lidera-cenarios-pos.html' title='Bibi Netanyahu lidera cenários pós-eleitorais para governar'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZQDpvSjZUI/AAAAAAAAAEQ/415oOFko1fc/s72-c/israel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-3506304294853097097</id><published>2009-02-11T23:55:00.004Z</published><updated>2009-02-12T00:34:36.176Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><title type='text'>Votar à chuva e ao vento, dos árabes aos religio sos verdes</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZNoVQS7cQI/AAAAAAAAAEI/emfuly8Bidw/s1600-h/livni.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301695900706107650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZNoVQS7cQI/AAAAAAAAAEI/emfuly8Bidw/s400/livni.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tzipi Livni &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Uriel Sinai/AFP&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reem está a sair da secção de voto com uma trouxa nos braços. "Tem dois meses", diz, puxando um cobertor até aparecer uma minúscula cabeça cor-de-rosa. Apesar de chover e soprar vento forte em Jerusalém, este pai foi um dos que não deixaram de vir votar. Mais à frente, a mulher leva duas crianças e outras duas saltitam, com pequenas kipas na cabeça. Cinco filhos? "Não, nove. Os outros não vieram."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São religiosos, mas não ultra-ortodoxos. E, de acordo com a lei internacional, são também colonos. Porque esta secção de voto fica numa escola em Sheikh Jarrah, um dos principais bairros de Jerusalém Oriental. Do lado de fora do portão, param carrinhas cheias de crianças, meninas de saias até aos pés e meninos com kipa, e os pais vão desmontando carrinhos de bebé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois chega uma carrinha com autocolantes do partido A Casa Judia, religiosos de direita. Tem um sorridente homem ao volante, e no banco de trás uma jovem mãe de turbante, com o bebé metido na camisola. É comum: os partidos vão buscar pessoas a casa e levam-nas a votar. A seguir aparecem estudantes judeus da Universidade Hebraica, que não fica longe. Avi e Shiran, morenos e sorridentes, não têm um problema de indecisão, ao contrário de muitos israelitas. "Vou votar por Bibi, claro!", diz Avi. "Eu também, e ele vai ser o vencedor", diz Shiran.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três líderes que podem ganhar - Bibi Netanyahu (Likud), Tzipi Livni (Kadima) e Ehud Barak (Trabalhistas) - ele é o mais à direita, e Avni e Shiran querem votar à direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta parte da cidade há uma outra fatia de eleitores, os árabes israelitas. Os que não boicotam as eleições poderão dividir-se entre o partido árabe de Ahmad Tibi e um partido misto como o Hadash, que tem o judeu comunista Dov Hanin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é o que se verifica com os próximos eleitores. Primeiro, um casal, ela de lenço na cabeça, ele de fato. "Votámos por Ahmad Tibi", diz o marido, que tamém se chama Ahmad, tem 51 anos e trabalha em hotelaria. "É perigoso não votarmos. Se votarmos, talvez tenhamos 15 deputados no Parlamento que possam fazer alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eles a saír e quatro raparigas de cabelos ao vento a entrar, jeans e saltos. São... árabes? "Sim, claro", diz Rania, que tem 20 anos e vai votar Hadash, como todas elas. "Porque somos uma minoria e o nosso voto pode ter efeitos, para podermos ter os mesmos direitos que os judeus e estarmos representados no Parlamento. "Noutra parte da cidade, no bairro German Colony - burguesia cosmopolita e maioritariamente laica -, há todo o tipo de propaganda partidária à porta de uma escola onde se vota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostado à grade, com uma banca do partido e tudo, um rapaz distribui panfletos de Livni. Sentados num banco de jardim, dois rapazes distribuem panfletos de Netanyahu. E de pé, no passeio, um homem de grande cabeleira e barba grisalha distribui panfletos dos verdes religiosos. Chama-se Claude, veio do Uruguai, fala espanhol e português. "Espero que tenhamos pelo menos um deputado", diz. "Sou judeu crente, mas sou sensível à ecologia e à moderação com os palestinianos. O respeito do outro é a minha identidade, e tem que ser uma força para contrabalançar o fascismo do Lieberman."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, Yohai, que veio com a mulher e o bebé, vai votar Meretz. "É a única esquerda sionista", suspira. "A única esquerda." Também há o Hadash, de judeus e árabes. "Pois, ainda pensei no Hadash. Gosto muito de Dov Hanin, se tivesse que escolher um primeiro-ministro escolhia-o a ele. Mas no Hadash são mais árabes que judeus." Já Rava, 71 anos, caminha para votar ainda não completamente convicta. "Tinha que votar algo e não conseguia decidir, mas não podia deixar de vir." E então? "Vou votar pela direita, e por um partido pequeno." Isso é certo. "Provavelmente, A Casa Judia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não precisou que a trouxessem de carrinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-3506304294853097097?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/3506304294853097097/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=3506304294853097097&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3506304294853097097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3506304294853097097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/votar-chuva-e-ao-vento-dos-arabes-aos.html' title='Votar à chuva e ao vento, dos árabes aos religio sos verdes'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SZNoVQS7cQI/AAAAAAAAAEI/emfuly8Bidw/s72-c/livni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6349035462140670903</id><published>2009-02-11T23:46:00.003Z</published><updated>2009-02-11T23:55:35.085Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><title type='text'>Tzipi Livni ganha mas Bibi Netanyahu poderá ser o primeiro-ministro</title><content type='html'>&lt;em&gt;O bloco de direita bateu o bloco de esquerda. Kadima e Likud dizem que podem formar governo. Lieberman foi o terceiro e trabalhistas sofreram uma grande queda&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tzipi Livni fez o pleno. A líder do Kadima apareceu como vencedora das eleições israelitas em todas as projecções à boca das urnas. Mas como o bloco da direita terá conseguido mais votos, aumentando o número de deputados, Benjamin (Bibi) Netanyahu, o líder do Likud, poderá ter mais facilidade em formar uma coligação. Livni ganhou e Bibi perdeu, mas é possível que seja este último o primeiro-ministro.Para um Parlamento com 120 deputados, as projecções das televisões israelitas deram entre 29 e 30 lugares a Livni e entre 27 e 28 a Bibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avigdor Lieberman confirmou o Yisrael Beyteinu como a terceira força, com 14 a 15 deputados, embora não tenha subido tanto como as últimas sondagens previram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quarto lugar, confirmando uma clara decadência, os trabalhistas liderados por Ehud Barak apareciam com uns meros 13 deputados.Em quinto, os ultra-ortodoxos sefarditas do Shas (9 a 10 deputados). E os restantes lugares dividiam-se entre partidos pequenos como o Meretz (esquerda, também em baixa, 4 deputados), o Hadash (árabe-judeu, comunista, 4), o Ta'al (árabe, 3) e outros partidos judeus religiosos e árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto somado, nas contas do jornal Ha'aretz, o bloco da direita (Likud, Lieberman, Shas e outros religiosos) somava 63-64 lugares, enquanto o bloco da esquerda (Kadima, Trabalhistas, Meretz, Hadash, partidos árabes) ficaria pelos 56-57.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A decisão do Presidente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;No sistema israelita, cabe agora aos partidos recomendarem um nome ao Presidente, e Shimon Peres deverá convidar o líder que tiver mais condições para assegurar um governo estável. Netanyahu apressou-se a divulgar um comunicado em que apelava a "todos os partidos do campo nacional para se unirem sob um governo" liderado pelo Likud e anunciava que se virará para os partidos sionistas para formar "um governo de unidade nacional tão abrangente quanto possível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe de campanha de Livni disse que ela poderá formar um governo de unidade nacional, que incluísse o Likud e os trabalhistas, e um membro forte do partido, a presidente do Parlamento, Dalia Itzik, declarou que Livni "será a próxima primeira-ministra".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dado que todas as previsões a dão como vencedora, é de confiar que Livni seja a vencedora", disse ao PÚBLICO Itzhak Galnoor, politólogo e investigador no Instituto Van Leer. "Isso significa que ela conseguiu reter os deputados que o Kadima tinha e talvez ganhar um. E Bibi agora vai ter problemas no seu partido, porque se esperava que vencesse, e mesmo que seja ele a tentar formar a coligação, não vai aparecer nas negociações com tanta força como se tivesse sido o primeiro na votação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Este analista destaca "a grande queda dos trabalhistas, de toda a esquerda", que "perdeu votos para o Kadima". Livni terá ganho o primeiro lugar à custa não de votos do centro direita mas de votos da esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A surpresa árabe&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;E "outra surpresa" é o voto árabe. "Parece que os três partidos árabes juntos vão ter 10 deputados no Knesset [Parlamento], que é o que têm agora, quando toda a gente esperava que baixassem, por causa do boicote." A guerra de Gaza levou dois partidos árabes israelitas a apelarem ao boicote nas urnas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta participação será também uma resposta a Avigdor Lieberman, o líder da extrema-direita que construiu toda a sua campanha com o lema "Sem lealdade não há cidadania" - o que se traduz na proposta de que os árabes israelitas façam uma declaração de lealdade ao Estado ou percam direitos cívicos, como votar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas Lieberman conseguiu apenas 15 deputados", ressalva Galnoor. "É verdade que subiu, passou dos 11 deputados para 15, mas não duplicou nem teve os 20 lugares de que se falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Avi Bareli, professor de Ciência Política na Universidade Ben Gurion, também dava como muito provável que fosse Benjamin Netanyahu a formar governo. "O bloco da direita é claramente maior." E se Avigdor Lieberman resolver recomendar Tzipi Livni a Shimon Peres? Nesse caso, Livni passaria a ter mais 15 deputados no seu bloco. "Lieberman não vai fazer isso, seria suicídio", descarta este analista. Porque Liberman e trabalhistas teriam muitas dificuldades em trabalhar juntos, e os trabalhistas são um parceiro natural de Livni.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6349035462140670903?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6349035462140670903/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6349035462140670903&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6349035462140670903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6349035462140670903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/tzipi-livni-ganha-mas-bibi-netanyahu.html' title='Tzipi Livni ganha mas Bibi Netanyahu poderá ser o primeiro-ministro'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-7607740973663330989</id><published>2009-02-10T13:14:00.001Z</published><updated>2009-02-11T23:45:27.490Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='análise'/><title type='text'>A guerra e Ivan o Terrível</title><content type='html'>Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há umas semanas, quando Avigdor Lieberman se viu investigado por suborno, fraude e lavagem de dinheiro, explicou aos apoiantes que eram ataques de “rotina”, por ser visto como o “Ivan o Terrível do ‘establishment’ israelita”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em causa estão centenas de milhares de dólares transferidos para empresas em nome de Lieberman ou da sua filha Michal, quando ele era ministro. A polícia considerou as suspeitas “graves” e deteve colaboradores. Mas a investigação em curso não impediu que o ex-porteiro de bares vindo da Moldova há 30 anos se tornasse uma força eleitoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, contrariando a visão de Lieberman como um racista de extrema-direita, Hanoch Daum – religioso célebre por se assumir como homossexual e questionar a ortodoxia – perguntou na sua coluna do “Yedioth Aharonoth”: “Ele é assim tão mau?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta de Daum é que não, Lieberman não é assim tão mau – porque defende os colonatos em blocos e não espalhados pela Cisjordânia, admite devolver “alguns bairros de Jerusalém” aos palestinianos, tem ideias interessantes de transferência da população árabe e até propõe o casamento civil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Israel, quem não quer casamento religioso tem que casar fora. Só há casamentos religiosos, e politicamente isto não é um pormenor. Para os religiosos em geral é um pilar. E “para metade da população é importante”, diz ao PÚBLICO o cientista político Itzhak Galnoor, do Instituto Van Leer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casamento religioso e a comida “kosher” são uma força e uma fraqueza de Lieberman. Uma fraqueza, porque os ultra-ortodoxos sefarditas do partido Shas (em quinto lugar nas sondagens) servem-se disso para atacar Lieberman. Uma força, porque os votantes russófonos (mais de um milhão) são, em geral, pelo casamento civil e pelo porco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas com a guerra de Gaza, a primeira coisa na cabeça de quase todos os israelitas passou a ser a segurança, e essa é a força dominante na ascensão de Lieberman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os votos do medo&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Quando começou a campanha, achámos que as eleições iam ser sobre corrupção”, relembra Galnoor. “Depois, com a crise, achámos que iam ser sobre economia. E agora é a segurança. Lieberman é uma reacção ao medo. Cerca de 50 por cento dos que vão votar nele são imigrantes da ex-URSS, o que é compreensível, muitos são chauvinistas, têm medo dos árabes. Mas os outros 50 por cento procuram um líder forte por causa da guerra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De resto, Itzhak Galnoor destaca quatro características nas eleições de hoje. Primeira, indecisos: “Na última sondagem, 20 por cento não sabia o que votar, o que é novo, porque os israelitas têm opiniões fortes. Isto significa que ainda pode haver grandes mudanças.” Há 10 dias parecia claro que o Likud de Bibi Netanyahu ia ganhar. Entretanto o Kadima de Tzipi Livni reduziu a diferença nas sondagens. Lieberman foi buscar votos ao Likud, o que enfraqueceu Bibi e favoreceu Livni. Muitos votantes não-Kadima pensam votar Livni simplesmente para derrotar Bibi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo ponto, voto árabe. “As sondagens estão baseadas na ideia de que muitos árabes não querem participar. Mas se a participação for a média, 65 por cento, o bloco do Kadima para a esquerda será maior.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro: “Temos agora três líderes [Bibi, Livni, Barak] que podem aspirar a ser primeiro-ministro, e isso é novo. O primeiro-ministro pode não ser o mais votado mas o que consegue uma coligação mais forte.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E finalmente: “Todos os três líderes poderão ser parceiros de coligação. Pode mesmo haver uma rotação de primeiro-ministro. Entre 1984 e 1990 tivemos um governo de unidade, com Shimon Peres e Yitzhak Shamir.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto isto, Galnoor pensa que Netanyahu é “o mais provável vencedor”, e que Lieberman não deverá chegar a ministro, apesar de Bibi ter dito que lhe ofereceria um ministério. “Diz isso porque quer os votos de Lieberman, mas Bibi é muito sensível à relação com os EUA e eles não gostariam de ver Lieberman no governo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Explosão árabe&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;“Lieberman é o primeiro chefe de um forte partido fascista em Israel”, resume ao Público Yaron Ezrahi, especialista em Política e Democracia da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Fascista, com forte tónica no racismo e na apatia.” E “não é sério” tentar dizer que não é assim tão mau. “Basicamente, ele quer os árabes daqui para fora. O partido dele é alimentado pelo conflito entre judeus e árabes, e se for forte os confrontos de Acre podem espalhar-se.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A histórica Acre é hoje uma cidade com árabes e judeus, no Norte de Israel. Há meses, houve um tumulto com destruição de lojas, e o festival de teatro foi cancelado. Lieberman pode ser combustível para uma explosão árabe? “Absolutamente. Ele é uma continuação de Kahane [líder da direita terrorista inspiradora do assassinato de Yitzhak Rabin]. Mas aprendeu a usar cosmética para parecer aceitável.” É um perigo verdadeiro? “Sem dúvida. Não é coincidência que tenha crescido nas paixões do pós-guerra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é aqui que Lieberman se liga ao Hamas, diz este analista. “O Hamas mudou a equação ‘terra por paz’ para ‘terra por rockets’, e isso é um grande golpe para o movimento da paz. A evacuação de 8000 colonos em Gaza foi muito dolorosa, e a justificação era que contribuísse para a paz e o desenvolvimento de Gaza. Mas Gaza tornou-se uma base para o Irão lançar mísseis para Israel, e há o receio de que isto se estenda à Cisjordânia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Obama, a Europa e o Plano de Paz Saudita se juntarem, “podem mudar esta amosfera e Lieberman será diminuído”, crê Ezrahi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entretanto, nas eleições de hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem o trabalhista Barak excluiu uma coligação com Lieberman, e para Bibi e Livni o “russo” seria parceiro de peso. Nisso, Bibi está em vantagem, escreveu Yossi Verter no “Ha’aretz”, porque pode oferecer mais. Livni está disposta a dar a Lieberman casamento civil e mudanças no sistema eleitoral? Bibi também. Livni quer Lieberman na coligação? Então perde a esquerda que se recusa a trabalhar com ele, o Meretz e os árabes. Em suma, Bibi pode ter mais facilidade numa coligação estável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto aos trabalhistas? “Será difícil entrarem em coligação com Lieberman, porque há demasiados ministros que se revoltariam”, pensa Ezrahi. Como a actual responsável pela Educação, Yuli Tamir, que chama “imorais” às propostas de Lieberman para os árabes israelitas (“sem lealdade não há cidadania”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A diferença entre Bibi e Livni é que Livni precisará de Netanyahu para ter um governo estável mas terá que pagar um preço aos árabes moderados e aos Estados Unidos. E Bibi precisa de Livni para equilibrar o centro entre Lieberman e o Shas.” Se ganhar Bibi, “será um governo com a tónica nas ameaças de guerra”. Se ganhar Livni, “será um governo com a tónica nas oportunidades de paz”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é possível que Lieberman possa ser um aliado de Livni numa solução dois estados. “Ele só se quer ver livres dos árabes, e não se importa que haja dois estados”, resume Menahem Hofnung, outro politólogo da Universidade de Jerusalém. “Essa é uma grande diferença em relação à direita tradicional. Lieberman pode mesmo devolver territórios de 1948 por não querer os árabes neste país.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-7607740973663330989?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/7607740973663330989/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=7607740973663330989&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7607740973663330989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7607740973663330989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/guerra-e-ivan-o-terrivel.html' title='A guerra e Ivan o Terrível'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-7917836936566386771</id><published>2009-02-10T13:11:00.001Z</published><updated>2009-02-12T13:13:51.688Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>O "puzzle" da indecisão em Israel</title><content type='html'>&lt;em&gt;Os israelitas votam hoje. Bibi ou Livni? Uma coligação à direita, à esquerda ou de unidade? Lieberman, o fenómeno, pode decidir. Viagem por uma sociedade farta do conflito com os palestinianos, e que em relação a quase tudo o resto tem mil opiniões.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Knesset, o Parlamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a História tem 60 anos e está neste corredor.&lt;br /&gt;1949: Haim e Vera Weizmann, casal presidencial, a caminho da primeira sessão do parlamento. 1956: Ben Gurion no restaurante do edifício antigo, com os cabelos brancos sempre em pé. 1957: Ben Gurion levado de maca, depois de um doente mental ter atirado uma granada para o plenário. 1970: Golda Meir, a olhar da escuridão, temível, com um cigarro. 1977: Menahem Begin a sorrir depois de ter derrotado 30 anos de trabalhistas. 1978: Moshe Dayan, o mítico general da pala, conversa com Weizmann. 1980: militantes na bancada do público, com uma letra na t-shirt a formar o nome Paz Agora. 1980: Sadat a sussurrar ao ouvido de Begin, após o acordo israelo-egípcio.&lt;br /&gt;Foi a última paz.&lt;br /&gt;Depois, deputados e ministros sucederam-se neste corredor, a caminho do plenário, mas Israel nunca conseguiu sair da guerra.&lt;br /&gt;“Conhece as tapeçarias?”, pergunta Giora Pordes, um sósia de António Lobo Antunes que há muito é assessor de imprensa no Knesset e está a fazer uma visita guiada ao Público.&lt;br /&gt;Estuga o passo no chão de mármore que 50 mil pessoas por ano atravessam em visita, até ao átrio de Marc Chagall. Aí está o imenso tríptico de tapeçarias concebido como uma paisagem com múltiplas cenas bíblicas, gente, animais e plantas, um ano antes da guerra dos Seis Dias. No corredor das fotografias a preto-e-branco que contam a história, também lá está essa, Chagall com Golda Meir diante das tapeçarias em 1966, ele a rir, ela de mão na boca, do espanto.&lt;br /&gt;Continuando, chega-se ao edifício novo, onde agora funcionam as comissões e neste momento há dezenas de jovens agarrados a papéis, muitos deles religiosos, com “kipas”. “Estamos a treiná-los para a contagem dos votos dos diplomatas e dos soldados, que vai ser feita aqui”, explica Pordes.&lt;br /&gt;Mas o centro de tudo é o plenário, deserto há meses, a aguardar os novos habitantes. Inaugurado em 1967, continua a ser uma típica sala dos anos sessenta, em ocre e castanho, com uma parede em pedra esculpida, cadeiras de couro, mesas de linhas rectas.&lt;br /&gt;O semicírculo central, 24 cadeiras, é para o governo. “É maior do que o costume, por causa da coligação”, explica Pordes. Da eleição de hoje é muito provável que resulte um governo igualmente grande, por causa da coligação.&lt;br /&gt;Depois, de frente para a bancada de imprensa ficam os deputados do(s) partidos(s) do governo, e de costas, a oposição.&lt;br /&gt;Aqui fazem-se as leis de Israel, e é cada uma destas 120 cadeiras que hoje está a ser disputada por um país indeciso (entre 15 a 30 por cento) e farto do conflito com os palestinianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Kotel, o Templo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a História tem 3000 anos e está neste muro.&lt;br /&gt;Primeiro, Salomão construiu o Templo, que os babilónios destruíram. Depois Herodes construiu o Segundo Templo, que foi destruído pelos romanos. Resta um muro, dito das Lamentações, ou Ocidental. Os judeus chamam-lhe normalmente Kotel, ou seja, Templo. A qualquer hora aqui estão, virados para o muro, a rezar, inclinando o corpo para a frente repetidamente, os homens, à esquerda (a maior parte do muro), as mulheres, à direita.&lt;br /&gt;E a qualquer hora há soldados, porque todos os israelitas, com excepção de ultra-ortodoxos e árabes, são chamados para a tropa.&lt;br /&gt;Neste momento, fora das muralhas da Cidade Velha, centenas de jovens cadetes esperam, com as suas fardas da Marinha, enquanto cá dentro, diante do muro, centenas de jovens soldados rezam, de arma automática virada para a frente e apontada para o chão.&lt;br /&gt;Isto é Israel.&lt;br /&gt;Maor, 23 anos, já rezou e observa os soldados. Tem aquela kipa preta de veludo que é sinal dos sefarditas ultra-ortodoxos. E confirma-se: sempre votou Shas, o partido dos sefarditas ultra-ortodoxos, e vai votar Shas hoje. “Agora os governos apoiam menos os religiosos, querem dar o resto aos árabes e a gente que não merece viver neste país. É como o Obama, dizem que apoiam Israel, mas só querem que as pessoas votem neles.” Obama? “É um árabe, olhe para o nome dele. Não se pode confiar nos árabes. Só nos querem matar, e matar, e matar.”&lt;br /&gt;É por isso que Maor acredita na paz, mas não acredita na paz com os árabes. “Tem que se correr com eles.” Para onde? “Não interessa. O que foi feito em Gaza devia ser feito na Cisjordânia até não haver nem mais um árabe em Israel. Massacrá-los todos, como nos massacraram.” O Shas diz isso? “Não, o Shas não o diz. Mas é o que eu acho.”&lt;br /&gt;Já o rabino Yecheil Gvra, que vem de rezar, com as suas barbas brancas, podia sentar-se “com um sheikh a falar” e entendiam-se. “Não temos problemas, somos ambos religiosos. Nós crescemos com os árabes, e podemos viver com eles.” Mas só pode haver um país. “Porque duas pessoas não se sentam na mesma cadeira. Podemos viver com os árabes desde que lhes expliquemos que esta é a terra que deixámos há 2000 anos e nos está prometida. É muito simples, faça as contas. Quantos anos tem este muro? 3000 anos. E quantos anos tem o islão? 1400. Está a ver? Os muçulmanos podem ficar, mas aqui é o clube dos judeus.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Mount Scopus, a universidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui a história é o futuro.&lt;br /&gt;Michal já foi soldado, como os seus colegas. Agora, aos 27 anos, doutoranda de árabe clássico, está no meio de Jerusalém Oriental, mas num enclave judaico desde a guerra de 1948, a Universidade Hebraica, no Monte Scopus.&lt;br /&gt;E à entrada da Faculdade de Ciências Sociais olha para grande quadro com o resultado das eleições israelitas antecipadas entre os estudantes. Vencedor? A esquerda moderada do Meretz, com 27 lugares. Depois, Likud 18, Verdes 16, Trabalhistas 14, Kadima 12, Religiosos 10, Lieberman 9, religiosos de extrema-direita 8, comunistas do Hadash 6.&lt;br /&gt;“Que bom, a maior parte dos estudantes ainda sente uma responsabilidade humana por outras pessoas”, diz, a sorrir, melancólica. “Isto reflecte uma realidade alternativa na qual eu gostava de viver.” Vai votar Meretz, partido que apoiou a guerra, mas só de início.&lt;br /&gt;Os pais de Michal, em Beersheva, sul de Israel, estiveram ao alcance de “rockets” e ela inquietou-se. Não esteve contra a guerra no começo, mas depois sim.&lt;br /&gt;Nestas eleições dominadas pelo pós-guerra, com a direita de Bibi Netanyhau e o centro-direita de Tzipi Livni quase empatados, e a extrema-direita como fiel da balança, qual é a coisa mais importante em jogo para Michal? “A consciência da sociedade israelita, no sentido da paciência e da humanidade”, diz, depois de pensar. “Não acho que sejamos menos humanos que os outros, mas por estarmos nestas circunstâncias temos que nos examinar todos os dias.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-7917836936566386771?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/7917836936566386771/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=7917836936566386771&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7917836936566386771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7917836936566386771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-puzzle-da-indecisao-em-israel.html' title='O &quot;puzzle&quot; da indecisão em Israel'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6838674380787385841</id><published>2009-02-09T12:57:00.004Z</published><updated>2009-02-09T13:07:59.918Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><title type='text'>O "óptimo vizinho" perde em casa por não ser religioso</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Estamos numa guerra mundial entre Ocidente e islão e o casamento civil será o fim de Israel, ouve-se dizer entre os vizinhos de Lieberman&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Reportagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Nokdim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lieberman não está, e a sr.ª Lieberman também não. Junto ao portão, há uma guarita com um guarda e uma frondosa árvore. As janelas do primeiro andar estão abertas. Não é uma mansão e não é uma casinha. É uma ampla casa de dois pisos, toda em pedra, aquela pedra de Jerusalém, ocre, branca ou rosa consoante a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isto não é Jerusalém, é o deserto da Judeia, 15 quilómetros para sul. Colinas áridas até onde o olhar alcança, com um soberbo monte em forma de vulcão. Os palestinianos aqui à volta chamam-lhe Montanha do Paraíso. Mas para os colonos é Herodium, a fortaleza-palácio do Rei Herodes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E portanto, todos os dias Avigdor Lieberman - líder da extrema-direita, estrela das eleições, omnipresente nas campanhas de todos os partidos - sai de sua casa, passa o parque infantil, a amendoeira em flor, a velha caravana estacionada no passeio e as casas de três-quatro divisões dos vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chega à cancela de ferro com arame farpado que marca a entrada do colonato, o guarda armado há-de acenar-lhe como a todos os colonos, e então o carro pode acelerar na nova estrada que o Governo israelita construiu, ao longo desta cinematográfica paisagem, com colonatos à direita e à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;As crianças, todas as crianças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois, os minaretes palestinianos, as mulheres de lenço na berma, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;checkpoint&lt;/span&gt; onde os soldados acenam aos colonos, e em 15 minutos Lieberman chegou a Jerusalém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Orli e Joseph Boauniche lembram-se de quando ainda não havia a nova estrada, e as famílias de Nokdim - este pequeno colonato da Cisjordânia - viviam em pré-fabricados. São vizinhos de Liberman, três casas à frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ele chegou antes de nós, é quase um fundador, viveu cinco ou seis anos em caravanas", diz Orli, parisiense &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mignone&lt;/span&gt; e morena, 49 anos. O marido, Joseph, tem 43, e usa a cabeça rapada, com uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kipa&lt;/span&gt;. Ela é pintora autodidacta, ele é informático em Jerusalém. Têm cinco filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O normal aqui é "entre quatro e sete filhos", diz Orli. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;site&lt;/span&gt; de Nokdim abre com a paisagem de Herodium e depois o sal da vida comunitária, crianças, a rir, abraçadas, com pequenas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kipas&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;A palavra Cisjordânia nunca aparece no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;site&lt;/span&gt; - os colonos dizem "Judeia e Samaria". A palavra colonato também não - os colonos dizem &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yishuv&lt;/span&gt;, uma comunidade judia que se instala na terra de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta instalou-se em 1982, mas só 11 anos depois o Governo autorizou a construção permanente. Muitos colonatos começam "selvagens" e tornam-se "oficiais".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yishuv&lt;/span&gt; é um protocolo de vida", diz Joseph, que tem um discurso articulado de Churchill a Malraux. "As famílias correspondem a um perfil, querem ter filhos, viver em comunidade e participar no desenvolvimento da região."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, no desenvolvimento de Israel na região.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É como um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kibbutz&lt;/span&gt; ou um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;moshav&lt;/span&gt;, mas sem um fim agrícola ou industrial comum." Cada uma das 170 famílias tem o seu ganha-pão, em Telavive ou em Jerusalém - muitos informáticos, bancários, professores. E organizam-se em conjunto para educação, saúde, transportes. Em Nokdim há jardins infantis até aos cinco anos, dois médicos residentes e uma ambulância permanente. Nos colonatos da região, maiores, há clínicas, liceus e escolas primárias, e um autocarro que vai buscar as crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, a companhia nacional de autocarros, a Egged, tem uma linha directa oito vezes por dia de Jerusalém para Nokdim. Há cidades árabes israelitas 500 vezes maiores sem um só autocarro directo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A salvação de Israel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Entre a Cisjordânia e Jerusalém Leste, os colonos israelitas rondam meio milhão. Um terço serão ultra-ortodoxos, um terço religiosos, um terço laicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nokdim é metade religioso, metade laico. Tem uma boa percentagem de russófonos como Lieberman, e judeus vindos de "França, Espanha, Japão, Inglaterra, América, Argentina...", descrevem Orli e Joseph.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta deles não está trancada, os vizinhos ajudam-se e visitam-se, partilham &lt;span style="font-style: italic;"&gt;shabats&lt;/span&gt; e bar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mitzvahs&lt;/span&gt;, fazem excursões, programam concertos. E vivem numa espécie de constante afirmação política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se o ideal sionista existe, é num &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yishuv&lt;/span&gt;", resume Joseph. "A vontade de estar numa terra que nos pertence há milhares de anos. Há uma americanização, que faz com que o ideal sionista se perca. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yishuvismo&lt;/span&gt; é a resposta moderna ao sionismo antigo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais, esta gente vai ser a sobrevivência de Israel: "O mundo que nos rodeia é completamente muçulmano e a maioria vai para um islão radical. E cercado por este mundo Israel não pode funcionar num esquema laico pragmático. Não é como Portugal. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;yeshuv&lt;/span&gt; vem dizer que podemos ser democráticos sem sermos passivos, que podemos aspirar à paz sem complexos de nos prepararmos para a guerra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joseph acha, aliás, que já estamos na terceira guerra mundial, Ocidente-islão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O mundo olha para Jerusalém à espera do que vamos fazer", diz Orli. "Temos o objectivo supremo..." Joseph completa: "... da Humanidade! E não podemos fazer isso sem a religião, sem a Torah."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que Lieberman, um laico, não terá o voto deste casal. Vão votar num partido religioso sionista. Quase iam votar nele, aprovam as propostas de mão nos árabes, mais poder para a polícia, menos poder para o Supremo Tribunal, mas Lieberman quer introduzir o casamento civil em Israel e isso, não. Em Israel só existe casamento religioso, o que significa que um judeu necessariamente só casa com uma judia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O casamento civil é a assimilação", explica Orli. "E se começarmos assim vamos ser comidos pelos muçulmanos. Já não teríamos razão de ter um país, podíamos partir para a Austrália."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sai para mostrar Nokdim (não há um café, há baloiços e escorregas, a nova biblioteca está em construção). E a propósito de vizinhança, quanto a Lieberman, diz o que outros daqui confirmam: "É um óptimo vizinho, com grande sentido de comunidade. A mulher dele é tradicional, a filha é religiosa. São uma grande família, com uma bela educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 9 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6838674380787385841?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6838674380787385841/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6838674380787385841&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6838674380787385841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6838674380787385841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-optimo-vizinho-perde-em-casa-por-nao.html' title='O &quot;óptimo vizinho&quot; perde em casa por não ser religioso'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-3946626818247456833</id><published>2009-02-08T13:33:00.006Z</published><updated>2009-02-09T13:09:21.880Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições israelitas'/><title type='text'>O mundo "devia isolar um governo que incluísse Lieberman"</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SY7frRogJ8I/AAAAAAAAAEA/qXVu75jDzrE/s1600-h/tibi.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300419746022303682" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 220px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SY7frRogJ8I/AAAAAAAAAEA/qXVu75jDzrE/s400/tibi.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ahmad Tibi, o líder dos árabes israelitas, no Knesset&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Jim Hollander/Reuters)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Há um fascismo crescente em Israel", diz ao PÚBLICO Ahmad Tibi. Do lado árabe da campanha, ele afirma que só no voto há igualdade&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Reportagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Taybeh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas campanhas, no exército, na escola ou no almoço de shabat, toda a gente em Israel fala de Avigdor Lieberman, o "russo" (na verdade, moldavo) que trepou nas sondagens até ao terceiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de quem é que fala Lieberman?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste homem carregado em ombros num salão com centenas de apoiantes. Tem um cachecol palestiniano, chama-se Ahmad Tibi e lidera os árabes israelitas que votam nas eleições de dia 10. É sexta-feira à noite, e isto passa-se em Taybeh, uma cidadezinha árabe no centro do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo da campanha israelita não é de ajuntamentos. Grandes partidos como o Kadima só comunicam na véspera o que se vai passar, por "razões de segurança", e as acções podem ir de reuniões em hotéis a passeios de jovens. Não se avizinham grandes comícios, nem parece haver muita energia de campanha na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em torno de Lieberman há entusiasmo, e não é só a comunidade russófona (mais de um milhão), nem só desiludidos da direita tradicional, veteranos do exército ou colonos (como o próprio Lieberman, que vive num pequeno colonato na Cisjordânia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos liceus de Israel fez-se uma espécie de inquérito - sem valor de sondagem, como indicação - e Lieberman era o político mais popular. Quando andou em campanha pela Galileia - uma zona com várias povoações árabes - adolescentes gritavam: "Morte aos árabes!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto-chave de Lieberman é "Sem lealdade não há cidadania" - os árabes de Israel que se recusem assinar lealdade com o Estado perdem direitos, como o de votar. Quis impedir os partidos árabes de concorrerem às eleições, mas o Supremo Tribunal recusou. Aqueles que se manifestaram contra a guerra de Gaza foram acusados de traição. E Tibi é visto como um líder dos traidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então aqui está Ahmad Tibi, 50 anos, ginecologista de formação, deputado desde 1999 e vice-presidente do Knesset (parlamento).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua terra natal é esta cidadezinha, Taybeh, mais feia do que qualquer cidade dos territórios ocupados. Não é fácil chegar lá de transportes públicos. Como acontece com as povoações árabes israelitas em geral, não há transporte directo. Apanha-se um autocarro até à povoação judaica mais próxima, e aí há táxis colectivos onde viajam os árabes israelitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Árabes israelitas são os palestinianos que não deixaram ou não foram forçados a deixar as casas em 1948, quando Israel foi fundado. Hoje são mais de um milhão, 20 por cento da população.&lt;br /&gt;Além dos transportes, queixam-se de discriminação em geral, num país definido como Estado judaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Racismo é parte do sistema&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O salão de Taybeh está a encher. A grande maioria são homens. As mulheres estão juntas, com as crianças, à esquerda. Muitas têm a cabeça coberta. Taybeh é mais tradicional do que Jaffa ou outras cidades mistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a pouco Tibi vai entrar e ser levantado em ombros, mas por enquanto espera no andar de baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há um fascismo crescente em Israel", diz, quando o PÚBLICO lhe pergunta como vê Lieberman. "A guerra de Gaza foi usada para encorajar este ódio antiárabe. O racismo já era o mainstream, mas agora é parte do sistema político. Lieberman é o equivalente a [Joerg] Haider ou [Jean-Marie] Le Pen, com uma diferença: aqui um imigrante fascista dirige os seus ódios contra pessoas indígenas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tibi tem uma mensagem para fora: "A comunidade internacional, que isolou o Governo austríaco por causa de Haider, deveria isolar qualquer governo israelita que incluísse Lieberman." E os israelitas, diz, deviam olhar para dentro. "Nós não temos medo dele, desprezamo-lo. A maioria judia é que devia ter medo dele, pensar porque é que esta planta cresceu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a resposta de Tibi? "A situação estava madura na sociedade israelita, porque qualquer sentimento antiárabe é imediatamente explicado como autodefesa e não como racismo."&lt;br /&gt;Em Israel, diz, "houve discriminação dos árabes em cada governo", mas tem piorado. Exemplos? "As primeiras 20 povoações em Israel com mais desemprego são todas árabes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto, somado à guerra de Gaza, levou partidos árabes como o Balad, de Azmir Bishara - que está fora do país, acusado de espionagem durante a guerra do Líbano de 2006 -, a boicotar as eleições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Compreendo a frustração", diz Tibi. "Mas ficar em casa é um tiro na perna. É isso que Lieberman sonha, que os árabes não sejam parte do processo de decisão, ter o parlamento sem árabes como prefácio a ter o país sem árabes. Mandela e os negros na África do Sul lutaram, foram mortos e presos por pedirem o direito de votar. Porquê prescindirmos de um direito que já temos? Em Israel há discriminação nos fundos, na agricultura, na indústria, nas infra-estruturas, na terra, na absorção de académicos. Não há igualdade em campo nenhum a não ser esse: um homem, um voto. A liderança árabe no Knesset é a cobertura para proteger a minoria árabe. Em nenhum caso essa minoria deve ser deixada sem liderança política, parlamentar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Continuar em Israel&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Entre os árabes israelitas há quem defenda um só Estado, com judeus e árabes. Tibi defende dois Estados. "Lutamos para que a minoria árabe seja reconhecida, para acabar com o fosso entre judeus e árabes, com a ocupação nos territórios palestinianos, e para implementar a visão dos dois Estados baseada nas fronteiras de 1967."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Israel, há árabes que se definem simplesmente como árabes e outros como palestinianos.&lt;br /&gt;E Tibi? "Sou um árabe palestiniano de Israel. Na personalidade de cada árabe neste país há dois elementos. Um é nacional, somos palestinianos árabes. O outro é cívico, somos cidadãos israelitas. E queremos desenvolver ambos de forma paralela, não contraditória."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se houver um Estado palestiniano, onde ficaria Taybeh? "Somos cidadãos de Israel, continuaríamos a ser. Quando pedimos um Estado palestiniano independente, não é para sermos transferidos para lá, mas como autodeterminação do povo na Cisjordânia e em Gaza."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às oito da noite a sala está cheia. Tibi entra com bandeiras e ao som do hino que apela a levantar o kaffiyeh, o lenço palestiniano. Nos discursos, Lieberman é o nome mais citado. Quando chega a sua vez, Tibi diz: "Esta terra é a nossa terra, nascemos aqui e ficaremos aqui, quer vocês queiram, quer não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 8 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-3946626818247456833?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/3946626818247456833/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=3946626818247456833&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3946626818247456833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3946626818247456833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-mundo-devia-isolar-um-governo-que.html' title='O mundo &quot;devia isolar um governo que incluísse Lieberman&quot;'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SY7frRogJ8I/AAAAAAAAAEA/qXVu75jDzrE/s72-c/tibi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8580276267809742187</id><published>2009-02-07T22:09:00.001Z</published><updated>2009-02-09T13:07:15.942Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Sangue novo na queda trabalhista</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Israel precisa de pais e os trabalhistas são os avós. Estão em quarto nas sondagens. O senso comum andou para a direita e acha que a guerra foi pouco&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Reportagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Telavive&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erez Abu tem um nariz de borracha comprido e arrebitado. “É o nariz do Bibinóquio”, diz ele, em frente à sede de Bibi Netanyahu, em Telavive. A rua está cheia de bicicletas, gente a fazer “jogging” e às compras para o jantar de Shabat, porque é sexta-feira de manhã e faz um sol esplêndido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os camaradas de Erez vão dando cartões a quem passa. O cartão tem a cara de Netanyahu metida num Pinóquio do Walt Disney, e por baixo diz: “Bibinóquio bem amado, vem contar-nos histórias.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos camaradas faz de Bibinóquio, com máscara, megafone e uma etiqueta a dizer “Ricos” no peito, enquanto brada: “É preciso salvar os ricos!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, o quartel-general do Likud mantém-se impávido, sem sinais de vida.&lt;br /&gt;“Netanyahu é alguém em que não se pode confiar, e estamos aqui a contar todos os disparates que ele conta”, explica Erez, 26 anos, coordenador de campanha da Juventude Trabalhista e ex-conselheiro de Ehud Barak, líder do partido, actual ministro da Defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Partido Trabalhista é uma instituição centenária. Os seus líderes fundaram o Estado de Israel e durante 30 anos estiveram no poder. E a partir do momento em que a direita – o Likud de Menahem Begin – conquistou o poder em 1977, os trabalhistas entraram em queda, com altos e baixos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2005, quando Sharon saiu do Likud para formar o Kadima, uma parte dos trabalhistas, a começar por Shimon Peres, mudou-se para o novo partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estas eleições são um momento particularmente baixo para os trabalhistas. Na última sondagem antes das eleições publicada ontem pelo diário “Ha’aretz”, continuavam claramente em quarto lugar (Likud 27, Kadima 25, Yisrael Beytenu 18, Labour 14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como é que o partido dos pais fundadores chegou a uma decadência tal que está quatro lugares atrás da extrema-direita de Avigdor Lieberman?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As pessoas estão a punir-nos por durante muito tempo o partido não ter acreditado em si próprio e por se ter juntado a toda a gente em coligações”, diz Erez. “Mas espero que percebam que este partido é muito importante para a democracia. Se não for segundo ou terceiro, é um perigo, porque o Kadima e o Likud são quase o mesmo, e desaparece a alternativa.” Esta campanha, diz Erez, é uma nova tentativa dos trabalhistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas as tensões internas continuam. Barak disse que não excluía uma coligação com Lieberman. Vários membros do partido, como a ministra da Educação, Yuli Tamir, são contra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a juventude trabalhista está com eles. “As ideias de Lieberman são assustadoras. Vemo-lo como um fenómeno social perigoso, e temos que o parar. Dar legitimidade a um político destes será o caminho para ele ser o próximo primeiro-ministro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O recém-chegado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Apesar da queda, os trabalhistas ganharam há seis meses um reforço, Daniel Bensimon, nome conhecido da imprensa. “Eu era um jornalista frustrado”, diz. “Achava que tinha o poder de mudar a realidade e concluí que os jornalistas influenciam, mas o poder está nos políticos, por isso decidir dar o salto.” A pensar na liderança? “Seria presunçoso dizer isso. Sou o novo tipo na cidade, a tentar encontrar o seu lugar num partido muito complicado. Pergunte-me daqui a dois ou três anos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explica a decadência trabalhista? “Este partido existe há 100 anos, criou um país e está a ficar cansado. Há a ideia de que o país precisa de novos pais, e os trabalhistas são vistos como os avós.” E se se confirmar o quarto lugar? “Será sinal de que nada mudou. De que precisamos de uma nova agenda e de uma nova liderança.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que faria Bensimon quanto a uma coligação com Lieberman? “Sou contra.” Discorda, pois, de Barak. “Barak é Barak e Bensimon é Bensimon. Os trabalhistas nunca foram totalitários. Pode encontrar-se de tudo no partido.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse parece ser, justamente, um dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao protesto da juventude trabalhista, Erez avalia Bensimon: “Tem os traços de um líder, é muito carismático, as pessoas simplesmente se rendem ao seu charme. Mas precisa de muita experiência.” É o que outros votantes tradicionais também acham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Guerra pouco brutal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Barak é visto como um bom ministro da Defesa, e as pessoas querem que ele continue no posto, mas não que seja primeiro-ministro”, diz Uzi Benziman, colunista do “Ma’ariv”. “Talvez se lembrem de como ele foi incompetente como primeiro-ministro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma imagem de duro associada a Barak, e a sua actuação na Defesa, durante a guerra de Gaza, fortaleceu essa imagem. Mas ao mesmo tempo a guerra levou os israelitas para a direita. A sensação comum é que Israel está cercado: de um lado o Hamas em Gaza, por cima o Hezzbollah do Líbano, e acima de tudo isto o inimigo-mor, o Irão, apostado em destruir o Estado judaico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este clima é tão forte que não só a guerra de Gaza foi muito popular como, alerta Benziman, muita gente acha que podia ter sido mais dura. “Duas ou três semanas depois, as pessoas estão desapontadas por não se terem partido os ossos ao Hamas, por não se ter resolvido o problema. O senso comum é que devíamos ter sido mais brutais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso enfraquece toda a esquerda, incluindo os trabalhistas, e fortalece um fenómeno como Lieberman. “As pessoas estão fartas. A forma como vêem o conflito é assim: “Saímos de Gaza e do Líbano e o Hamas e o Hezzbolah continuam a ser uma ameaça, nós somos os bons tipos e olha a recompensa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este analista acha que Likud e Kadima terão só uns três ou quatro lugares de diferença. “Nenhum será suficientemente forte e terão que ficar dependentes dos outros.” Que outros? “Se Bibi ganhar, creio que se virará para Barak e talvez também para o Kadima.” Portanto, os trabalhistas poderão manter-se no governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Netanyahu disse que ofereceria um ministério “importante” a Lieberman. “É possível. Mas ninguém sabe se Lieberman se manterá na política depois das eleições. Está a ser investigado criminalmente.” E se acontecer que Lieberman seja preso por corrupção? “Aquele partido tem 18 lugares nas sondagens e ninguém sabe quem são os outros candidatos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 7 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8580276267809742187?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8580276267809742187/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8580276267809742187&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8580276267809742187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8580276267809742187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/sangue-novo-na-queda-trabalhista.html' title='Sangue novo na queda trabalhista'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-1985781677611804801</id><published>2009-02-06T22:41:00.007Z</published><updated>2009-02-08T06:46:56.326Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronica'/><title type='text'>As meninas</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYzASZEQDFI/AAAAAAAAAAk/1BnI8EG6R9U/s1600-h/IMG_7521[1]"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299822283707124818" style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYzASZEQDFI/AAAAAAAAAAk/1BnI8EG6R9U/s400/IMG_7521%5B1%5D" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:130%;" &gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold; COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;Crónica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve correio em Gaza. No dia a seguir a eu ter escrito que não havia, Ayman recebeu uma carta da Al Jazeera. Ficou a olhar para o envelope. No ano passado, Lulu tinha enviado um email à Al Jazeera Crianças, com a sua morada (Al Zahra City, prédio tal, 6º andar, Gaza) e lá do Qatar eles enviaram-lhe um postal de Ramadão a 3 de Agosto de 2008. É verdade que demorou seis meses, mas há 10 anos que Ayman não vê correio em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a idade de Lulu, a mais velha das meninas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei a matutar. As fronteiras de Gaza mantêm-se fechadas, e não circulam carteiros de emergência entre os destroços de 20 mil casas. Como terá chegado a carta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ayman recebeu-a do merceeiro ao lado da farmácia. Alguém a entregou, sabendo que a família do 6º andar lá passaria. Mas quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Al Jazeera tem os seus meios, diz Ayman, que acha que a carta veio por um dos túneis que ligam Gaza ao Egipto, onde os palestinianos rastejam centenas de metros para trazer tudo o que falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que muitas coisas não há meio de caberem nos túneis, como Ayman ir ver a tia a Beersheva, Heba ir ver a prima ao Canadá, ou parques como Lulu, Mimi e Nunu vêem na televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca ouvi as meninas a chorar e não as imagino a fazer uma birra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Agosto de 2005, quando os colonos saíram de Gaza, Lulu mostrou-me o seu primeiro caderno de inglês ao som daquele poc-poc-poc, que parece pipocas e são tiros. Em Junho de 2006, quando os F16 cortavam a barreira do som todas as noites, o que é como se a cabeça explodisse, e depois começaram a largar bombas, as meninas saltavam à corda na sala iluminada a gás. Em Junho de 2007, quando o Hamas tomou o poder após um combate com a Fatah que fez mais de 100 mortos, Lulu, Mimi e Nunu encavalitaram-se no sofá para mostrar as fotografias do casamento dos pais, e antes, e depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltámos às fotografias agora, e lá estava Ayman, bolseiro de Farmácia nas Filipinas, lá está Heba, de longos cabelos brilhantes, as meninas bebés, pestanudas, Lulu e Mimi cheias de caracóis, como o pai. E agora Nunu, a pequenina, já tem sete anos e menos dois dentes à frente. Como estão os teus túneis?, pergunta-lhe Ayman. E ela ri, e esconde-se no pescoço dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As meninas dormem em duas camas encostadas como se fosse uma grande. De manhã só se acham prontas depois dos caracóis estaram bem puxados para trás, e com uma fita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vêm ter com os pais, ficam com um braço à volta deles, ou meio sentadas no colo. Numa das noites em que não havia luz, estavam a brincar no patamar do vizinho que tem gerador. Em Al Zahra City, quem tem água oferece água, quem tem gerador oferece luz. Havia dezenas de meninos. Nunu, com os seus olhos de chinesa a rir, tomava conta de um ainda com fraldas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andam as três ansiosas por um irmãozinho. Os pais estão a tentar. Até tentaram na guerra. Uma das coisas que Ayman descobriu na guerra é que Heba não tem medo de morrer. Os tanques a dispararem e ela a estender roupa. Toda a gente colada ao chão e ela a arrumar a casa. Chegou o dia de tentar e qual guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando lá estive, depois da guerra, as meninas saíam para a escola de manhã e eu saía com Ayman. Heba passou dias a inventar bordados da Palestina. Borda tão bem como cozinha, mesmo num pequeno fogareiro, mesmo à luz de um candeeiro a gás, compotas ou frango com sementes de sésamo. As meninas ajudam sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="mailto:viagenscombolso@gmail.com" target="_blank"&gt;viagenscombolso@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-1985781677611804801?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/1985781677611804801/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=1985781677611804801&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1985781677611804801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1985781677611804801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/viagens-com-bolso.html' title='As meninas'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYzASZEQDFI/AAAAAAAAAAk/1BnI8EG6R9U/s72-c/IMG_7521%5B1%5D' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-7987452239709036315</id><published>2009-02-06T19:06:00.000Z</published><updated>2009-02-06T19:08:36.867Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='análise'/><title type='text'>O terceiro lugar nas eleições ainda não é certo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Análise&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, Ashdod&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sondagens dão o Likud em primeiro, o Kadima em segundo, a curta distância, e o Yisrael Beytanu, de Avigdor Lieberman, em terceiro. Só depois vem o Partido Trabalhista, que durante os primeiros 30 anos de Israel foi dominante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma viragem à direita, acentuada pela guerra de Gaza. E um dos mais lidos analistas políticos, Nahum Barnea, do jornal Yedioth Aharonot, não tem dúvidas de que "Lieberman vai conseguir uma votação impressionante, sim", mas não é seguro que consiga o terceiro lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As sondagens são um problema em Israel", explica Barnea. "As pessoas estão cépticas, tão cínicas em relação à política que não se expõem. Militantes da Rússia dizem que ainda não decidiram ou então enganam. Tornou-se uma piada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este analista não confia nos números, confia na tendência. E a tendência é uma subida de Lieberman. "Se nas anteriores eleições ele já tinha conseguido os votos russos, agora está a conseguir jovens votantes nascidos em Israel, e soldados, veteranos, que tendem a ser mais à direita que o establishment. O Likud de Bibi é parte do establishment."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Lieberman está também a conseguir votos tradicionais do Likud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, Netanyahu declarou-se pronto a oferecer um ministério "importante" a Lieberman. Segundo o Yedioth Ahronot, Lieberman quereria a Defesa, o que não será provável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isto são especulações muito à frente dos resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devido ao sistema eleitoral israelita, não haverá um governo "antes de meio de Março", ressalva Barnea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há duas batalhas. Uma está em curso, é a batalha pela vitória nas eleições. Outra será em torno dos vários cenários de coligação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barnea aponta 70 por cento de hipóteses de Bibi formar governo, contra 30 de Tzipi Livni. E resta em aberto que tipo de governo poderá Bibi formar. "Ele prefere um governo de unidade nacional a um governo de direita", diz Barnea. Não é uma questão ideológica, é pragmática. "Prefere aquele que seja mais forte."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-7987452239709036315?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/7987452239709036315/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=7987452239709036315&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7987452239709036315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7987452239709036315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-terceiro-lugar-nas-eleicoes-ainda-nao.html' title='O terceiro lugar nas eleições ainda não é certo'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5975206417702358328</id><published>2009-02-06T18:14:00.007Z</published><updated>2009-02-07T00:22:27.736Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='israel-eleições'/><title type='text'>O paizinho deles chama-se Avigdor Lieberman</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYyAtlDUWZI/AAAAAAAAAD4/lZYSArxYMFw/s1600-h/fn14-LIEBERMAN.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299752382036728210" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 320px; height: 209px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYyAtlDUWZI/AAAAAAAAAD4/lZYSArxYMFw/s400/fn14-LIEBERMAN.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Lieberman está a atrair também israelitas que não vieram da ex-URSS&lt;br /&gt;Gali Tibbon/AFP&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;em&gt;Ele vai ter mão nos árabes. Não lhes vai dar a mão. Não os vai deixar matar soldados de Israel. O líder da extrema-direita visto pelo seu povo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alexandra Lucas Coelho, Ashdod &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A URSS não acabou. Isto é a URSS numa sala em Israel: Victoria, de 67 anos, de Murmansk. Ludmila, de 72, de São Petersburgo. Elisavieta, de 61, de Minsk. Ela, de 55, de Moscovo. Avraham, de 76, de Odessa. E na outra sala: Lvov, Nijninovgorod, Baku, Ekaterineburgo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem são estas pessoas? Cidadãos de Israel. Chegaram quase todos entre 1991 e 2000, depois do império soviético cair. Que fazem nestas salas? Trabalham para Avigdor Lieberman, a avalanche da campanha israelita. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Lieberman também veio de lá, da URSS (da Moldova). Fala russo. Sabe falar com eles. E, sobretudo, depois da guerra de Gaza, já fala para muitos israelitas da direita tradicional, nascidos em Israel, que não sabem ler cirílico nem nunca comeram porco. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui, em Ashdod - cidade à beira-mar, entre Telavive e Gaza -, cirílico é mato, e porco, já vão ver. Não é kosher, mas Ashdod não é uma cidade religiosa, pelo menos vista desta Praça da Cidade, reconhecível por um enorme bico de metal no meio. "À noite projecta um laser que cobre Ashdod e é maravilhoso", descreve Eli Nacht.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem é Eli Nacht? Um cavalheiro. Guiou o PÚBLICO pela campanha Lieberman em três línguas (hebraico, russo, inglês) e sem uma falha de etiqueta (deixar passar as senhoras, abrir-lhes a porta do carro, desculpar-se porque está sujo). &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O carro reluzia de novo, e Eli reluzia num fato cinza, sapatos em bico, gel e barba desenhada. Aos 26 anos, advogado, a tirar um mestrado de Comunicação em Política, é um candidato do partido Yisreal Beytenu, de Lieberman, em terceiro nas sondagens, à frente dos trabalhistas. E também está nos cartazes, numa das salas de campanha, na Praça da Cidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá dentro, milhares de &lt;em&gt;posters&lt;/em&gt; e ímanes Lieberman. E quatro mulheres mais do que avós, atarefadas. "Estão a telefonar para saber se as pessoas precisam que as vamos buscar no dia das eleições", explica Eli. "São voluntárias."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por exemplo, Victoria e Ludmilla. "Lieberman é sólido", diz uma. "Nós queremos paz, mas não acreditamos nos árabes." E a outra: "Todas as nossas crianças têm medo deles." Uma diz mata: "Passámos por muitos governos, todos lhes deram a mão e fomos enganados." A outra diz esfola: "Não acredito nos árabes, sejam de Israel ou dos territórios." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Avigdor Lieberman tem uma ideia para os árabes de Israel (aqueles que já cá estavam em 1948, e não se viram forçados a deixar as suas casas). Ou assinam uma declaração de "lealdade" com o Estado judaico ou deixam de ter direitos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os árabes de Israel deviam deixar de ser israelitas? Vitória e Ludmilla acenam com a cabeça. "Da, kanieshna." Sim, claro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aqui toda a gente fala russo entre si. E mesmo Eli, que chegou a Israel quando tinha sete anos, fala russo com vários amigos da sua idade, porque sempre falou russo em casa, com os pais. "Lembro-me da guerra do Iraque, das bombas em Telavive, e os árabes a celebrar", continua Ludmilla. Para onde acham elas que os árabes de Israel deviam ir? "Há muitos países árabes."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Não é racismo, é sionismo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eli, com as suas responsabilidades de candidato - e advogado - intervém, para que não fique uma impressão errada. "Se ler os jornais da esquerda, parece que Lieberman quer os árabes todos fora. Isso é errado. Ele só quer lidar com os que não são leais. É simples: as pessoas que vivem em Israel têm de querer viver em Israel. Não os queremos exilar. Só queremos que quando somos bombardeados eles não ajudem quem nos ataca. Isto não é racismo, é sionismo."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas não são só os jornais que põem Lieberman na extrema-direita. Do centro para a esquerda, este populista é abertamente visto como fascista ou racista. Ontem, o ministro da Educação, Yuli Tamir, um trabalhista, considerou "imorais" as posições de Lieberman sobre os árabes israelitas e pediu a Ehud Barak, líder do partido, que os trabalhistas não se coligassem com ele. Barak tinha dito que Lieberman não era a sua "chávena de chá" mas não excluía a coligação.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui em Ashdod, o jovem Eli fala em nome da grandeza de Israel. "Nós não queremos que as pessoas sejam soldados a fazer continência. O nosso país tem 60 anos, e quando os países tinham 60 anos tinham escravos. Nós crescemos rápido, temos uma grande justiça e direitos humanos. O que não podemos é deixar que as pessoas no meio da guerra celebrem o Hamas, quando matam os nossos soldados, não só judeus também drusos."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Exército é um bom exemplo. Eli teve um aneurisma aos 17 anos que lhe deixou metade do corpo paralisado. Recuperou com fisioterapia, mas a perna continua manca. "Voluntariei-me para o exército. Fui porta-voz e redactor do site. Queria ser como os outros. Se queremos ser parte deste país, essa é a nossa contribuição." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eli lembra-se de ser pequeno na Ucrânia, e lhe baterem por ser judeu. Quando a URSS caiu, veio com os pais. Foi em 1991. Agora, acaba de voltar de um mês na Rússia, onde foi em negócios, pela primeira vez, e pela primeira vez sentiu "o que era ter uma casa como judeu", por causa do anti-semitismo. "Fui quase espancado por dois homens no comboio entre Moscovo e São Petersburgo, porque lhes disse que era de Israel. Quando aterrei em Israel, fiquei tão aliviado por não ter que ter medo de dizer a ninguém quem era, que me apeteceu ajoelhar e beijar o chão."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Fiambre para Bibi&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No universo russófono há a ideia do paizinho do povo, e, visto de Ashdod, o paizinho do povo chama-se, pois, Avigdor Lieberman, aquele que terá mão nas ameaças a Israel e manterá a casa dos judeus, de todos os judeus, nascidos aqui ou acabados de chegar, por exemplo de Jitomir, a cidade ucraniana de Eli Nacht.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na Praça da Cidade, com "quatro edifícios de 42 andares", orgulha-se Eli, este povo - laico, conservador, nacionalista - gosta menos de hummus, a pasta de grão tradicional do Médio Oriente, do que de fiambre. Basta andar uns passos até à charcutaria Coral, que tem letreiro em cirílico, a montra cheia de vodka e o expositor atulhado de salpicões, salsichas e fiambres, ao lado do peixe em conserva. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quem compra porco, o animal sujo, não kosher? "Toda a gente", responde a empregada israelo--russa que esteve a cortar fatias de fiambre. "Muitos idosos, mas também jovens." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma jovem idosa, de cabelos branco-neve, está justamente a levar as fatias de fiambre embrulhadas. Chama-se Dina, e veio de Nijninovgorod em 1995. "Prove! Já provou? Isto não é uma loja kosher e eu não sou religiosa." Vai votar? "Claro!" Por quem? "Bibi, claro!"&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pois se em Jerusalém Lieberman anda a ocupar o ninho de Bibi, Bibi tem direito a pelo menos umas 250 gramas de fiambre em Ashdod.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5975206417702358328?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5975206417702358328/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5975206417702358328&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5975206417702358328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5975206417702358328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-paizinho-deles-chama-se-avigdor.html' title='O paizinho deles chama-se Avigdor Lieberman'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYyAtlDUWZI/AAAAAAAAAD4/lZYSArxYMFw/s72-c/fn14-LIEBERMAN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-7505014822172403754</id><published>2009-02-05T13:08:00.005Z</published><updated>2009-02-05T23:29:56.614Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='televive'/><title type='text'>Livni, a mulher do meio, ainda pode ganhar</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYrsm0z8TqI/AAAAAAAAADw/BtXoGiWegQ4/s1600-h/livni.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5299308063310499490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 246px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYrsm0z8TqI/AAAAAAAAADw/BtXoGiWegQ4/s400/livni.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tzipi Livni&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gali Tibbon/AFP&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A paz não virá da esquerda nem da direita. Os indecisos votam ao centro, a ministra dos Negócios Estrangeiros é o centro e será primeira-ministra, acreditam os membros do Kadima&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Telavive&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O hino parece do festival da canção, mas o refrão é claro, "Kadima! Kadima! Kadima!" Então, os altifalantes anunciam: "A próxima primeiro-ministro de Israel, Tzipi Livni!!!" E, a seis dias das eleições, a cabeça loura - sempre hirta nos outdoors de Telavive - aparece a sorrir, à esquerda e à direita, entre presidentes de câmara do Kadima, que aplaudem de pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma manhã cálida, típica do Inverno em Telavive. Enquanto Jerusalém veste o casaco e a Europa congela, aqui anda-se de t-shirt, e há gente a tomar banho no mar, em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maior cidade de Israel é a cidade easy going, sempre a uns quarteirões da praia, e esta acção Kadima passa-se num hotel da marginal, numa sala com parede de vidro. Mas, mesmo de costas, a outra parede está coberta por espelhos que reflectem a praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que enquanto a candidata avança, abraçando os autarcas, o salão parece estar na areia, com o Mediterrâneo dos dois lados, cães, bicicletas e biquinis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta imagem, ao mesmo tempo real e irreal - paz num país que há 60 anos ainda não conseguiu paz - contém toda a ambição de Tzipi Livni, uma princesa da dinastia sionista de direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus pais, combatentes da milícia Irgun, aspiraram a nada menos que à Grande Israel (Israel, territórios palestinianos, Sinai, Golã). As credenciais familiares de Livni são impecáveis do ponto de vista dos "falcões". E ela não as desmereceu: estudante brilhante de Direito, oficial distinguida no Exército, agente da Mossad quatro anos, ascensão no Likud pela mão de Bibi Netanyahu e Ariel Sharon. E quando Sharon retirou os colonos de Gaza, para fúria dos crentes na Grande Israel, Livni fez a sua escolha, apoiou Sharon e saiu com ele do Likud para formar o Kadima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Livni é a herdeira pragmática - aquela que cortou com a Grande Israel para ter as outras pedras do sionismo, um estado para os judeus e democracia. Numa entrevista ao New York Times em 2007, explicou que a sua ambição se foca nisso: Israel continuar a existir como estado judaico, quando isso tende a ser "deslegitimizado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o conseguir, promete negociar com os palestinianos, fazendo-lhes frente quando necessário. É o caminho do meio, resume o Kadima, e o que esta sala diz é que Livni tem as mãos limpas para ir a direito, até à paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num país abalado por escândalos, com Ehud Olmert - primeiro-ministro em exercício - visto como corrupto-mor, "honestidade" é uma grande palavra, e aqui usam-na para descrever Livni.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O marroquino&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Um dos autarcas presentes é David Buskila, presidente da câmara da minúscula Sderot. A maioria dos israelitas nunca lá pôs os pés, mas como é a povoação mais perto de Gaza tornou-se um símbolo do que é viver ao alcance de rockets.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é por isso que quando Livni se sentar, este autarca ficará à sua direita, e será um dos primeiros oradores. Mas por enquanto Buskila ainda está na fase do sumo de laranja e dos bolinhos. "Quase de certeza que ela será o próximo primeiro-ministro. Sabemos que 35 por cento dos eleitores ainda não decidiram e o mapa pode mudar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê? "Desde que está na política, Tzipi Livni comportou-se de forma honesta. Há menos de um ano, o Kadima tinha 8 a 10 lugares nas sondagens, agora está com 25, e é por causa de Livni. Trouxe uma atmosfera limpa." Depois: "Tem uma posição clara sobre o Médio Oriente e diz a verdade. Quer tentar um acordo com a Autoridade Palestiniana, mas lutará contra ela se fizer mal a Israel." Mais: "Fez excelente trabalho durante a guerra." Como ministra dos Negócios Estrangeiros, e internamente: "Esteve cinco vezes em Sderot."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Economista, 52 anos, Buskila tem origens muito diferentes de Livni. Filho de judeus de Casablanca, nasceu num lugar de pobres recém-chegados, então baptizado como Sderot. Quando Livni chega à sua mesa, abraçam-se, e ela senta-se a ouvir. Buskila, o de pele escura, dirá. "Nem a esquerda nem a direita nos vão trazer paz, a paz virá do centro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As mulheres&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Ela ainda tem hipóteses", avalia a analista Dahlia Scheindlin. "Nos últimos ciclos eleitorais tivemos surpresas, como o partido dos pensionistas. Agora, a surpresa à direita é Lieberman, mas penso que o Kadima vai conseguir mais do que se espera."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas sondagens, o Likud está em primeiro, a curta distância do Kadima. Em terceiro, o fenómeno da extrema-direita, Avigdor Lieberman, rouba votos sobretudo ao Likud, o que favorece Livni. "A direita está a ficar mais fracturada", nota esta analista. "Livni já tem o centro-esquerda, agora precisa do centro-direita."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nos últimos dias apostou nos jovens - bares de Telavive, terça-feira à noite -, e nas mulheres. "Publicamente não é uma feminista, mas agora acho que houve uma decisão estratégica, não de agenda, mas de discurso, de dizer que o chauvinismo não pode ganhar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel é uma sociedade não apenas masculina, machista, e a estratégia de Livni, resume Scheindlin, foi "provar que era mais general que um general". É a segunda mulher chefe da diplomacia israelita depois de Golda Meir, e quer seguir-lhe os passos na chefia do Governo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No salão frente ao mar estarão 70 ou 80 pessoas, e é fácil contar as mulheres: oito. Dá uns 10 por cento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, a presidente do Parlamento e candidata do Kadima Dalia Itzik insiste na força, quando chega a sua vez de falar: "Sim, Tzipi Livni é forte. É forte a dizer a verdade, é forte no amor por Israel, é forte na forma como lida com o Hamas, é forte por não nos tentar fazer medo todos os dias."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Tzipi Livni, blaser e calças pretas, tensa, angulosa, falará com força, antes de desaparecer pela porta da cozinha, escapando aos jornalistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das oito mulheres que a ouviu foi Mati Yogev, de 43 anos, que lidera o comité de mulheres do partido. Funcionária de uma seguradora, foi fiel ao Likud até Tzipi a trazer para o Kadima. "Já não acredito na via do Likud. Há uma nova realidade. Quero que os palestinianos tenham o seu estado. E Tzipi, tudo o que diz, pensa e acredita. Nunca a vi prometer nada e não fazer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos três filhos de Mati, um está no Exército. "Tenho muito medo por ele, mas se Tzipi for primeiro--ministro tenho a certeza de que haverá paz. Até os chefes dos países do mundo confiam nela."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 5 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-7505014822172403754?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/7505014822172403754/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=7505014822172403754&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7505014822172403754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7505014822172403754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/livni-mulher-do-meio-ainda-pode-ganhar.html' title='Livni, a mulher do meio, ainda pode ganhar'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYrsm0z8TqI/AAAAAAAAADw/BtXoGiWegQ4/s72-c/livni.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-3241296506453236057</id><published>2009-02-04T14:48:00.002Z</published><updated>2009-02-04T23:12:48.491Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='eleições israelitas'/><title type='text'>O ninho de Bibi está a ser ocupado por Lieberman</title><content type='html'>&lt;em&gt;Em Mahane Yehuda, um ninho da direita, uns acham que Bibi Netanyahu é “o menos mau”, outros já se mudaram para a extrema-direita. O grande herói continua a ser Menahem Begin.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A careca e os óculos não mentem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menahem Begin – o guerrilheiro pela fundação de Israel, o líder do Likud que pôs fim a 30 anos de poder trabalhista, o primeiro-ministro que fez a paz com o Egipto e ganhou o Nobel, o decisor dos colonatos e da invasão do Líbano em 1982 – continua a ser o grande herói israelita de Mahane Yehuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este grande mercado em Jerusalém é um bastião da direita tradicional, aqueles apoiantes do Likud que são filhos e netos de apoiantes do Likud. E por várias vezes souberam o que era um bombista suicida a explodir aqui dentro, entre as maçãs dos Golã e os morangos de Netanya, as azeitonas temperadas e as tâmaras, os queijos, a carne, o pão, tudo isto com “kipas” na cabeça, certificados “kosher” e casais laicos misturados com ultra-ortodoxos às compras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o sorridente Yuv, que tem 45 anos, três filhos e uma parede da sua frutaria pintada com a cara de Begin. “O meu pai gostava muito dele. Era um verdadeiro líder, um homem especial, não mentia.” E agora? “Estamos num grande problema. Não temos ninguém que possa fazer este país melhor, fazer a paz.” O conflito com os palestinianos é o problema número um, acha Yuv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como vê ele Benjamin (Bibi) Netanyahu, sucessor de Begin na liderança do Likud e favorito nas eleições da próxima terça-feira? “É o melhor que há”, suspira Yuv. “É forte. Quando era ministro das Finanças foi o melhor, tornou a Economia forte.” Portanto, vai votar nele? “Não tenho opção. Lieberman é demasiado à direita, não gosto da forma como fala dos árabes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avigdor Lieberman é a sensação da campanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já se sabia que este moldavo emigrado para Israel há 30 anos defende coisas como retirar a cidadania aos árabes israelitas que não se declararem fiéis ao Estado de Israel, bombardear o centro de Ramallah ou afogar prisioneiros. A sensação é que o seu partido, Yisrael Beytenu, está em terceiro lugar nas sondagens, com 15 lugares, depois do Likud (28) e do Kadima (24). Ou seja, à frente dos trabalhistas (14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não convenceu o fruteiro Yuv, apesar dele estar zangado com os palestinianos. “Queriam Gaza, demos-lhes Gaza, e o que temos? Acho que nunca haverá paz. Há 20 anos era melhor. Sem paz, tínhamos paz. Podíamos ir a Ramallah, até a Gaza, e os árabes estavam aqui.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como quase toda a gente aqui, diz “os árabes” e não “os palestinianos”. Desta banca, herdada do pai, testemunhou “umas cinco ou seis bombas suicidas”, em que lhe morreram amigos. “As pessoas deixaram de acreditar na paz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Várias lojas à frente, Moshe, que nasceu “com o país, em 1948”, vende queijos, pickles, peixe em conserva mas também doces. E não é um segredo que Bibi perdeu aqui um voto. Lieberman debaixo dos doces, Lieberman na porta do frigorífico, Lieberman na porta da despensa, três cartazes mostram em quem vai votar este afável mercador de barba barnca, que põe o braço à volta dos ombros de qualquer cliente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem está na fotografia emoldurada ao pé da caixa? “Begin com o meu pai”, explica Moshe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Begin foi um grande ser humano antes de ser um grande líder. Nunca dizia uma coisa e depois outra. Nunca mais vamos encontrar alguém como ele, honesto, decente. Se ele estivesse vivo, eu não mudava do Likud, mas o Likud já não é o mesmo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que Lieberman tem de melhor? “Diz algo e não muda, diz o que pensa e faz. Os políticos mudam sempre, tenho pena de dizer isto do meu país, mas é verdade.”&lt;br /&gt;E Moshe não está sozinho. “Mahane Yehuda é o lugar do Likud, mas há dois dias fizemos um inquérito e se a votação fosse aqui Bibi tinha 30 lugares e Lieberman 19.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Estancar as perdas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Estará Bibi a perder o coração do Likud? Não, crê Yossi Verter, analista político do diário “Ha’aretz”. “Netanyahu sempre foi um líder popular no Likud, e continua a ter o núcleo duro dos votantes.” Mas não há dúvida de que tem perdido para a extrema-direita, e esse será o maior desafio dos próximos dias: “Se caírem rockets em Israel, isso ajuda tanto Netanyahu como Lieberman. Netanyahu tem que conseguir parar o processo de perder votos para Lieberman.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É cedo para dar Bibi como vencedor? “As coisas estão a mudar constantemente, e muita gente decide na última semana”, diz Verter. “Não creio que Bibi perca, mas se perder mais votos pode não conseguir formar um governo estável. Precisa de 30 a 32 lugares para isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As sondagens dão-lhe 28. Estratégia até terça-feira? “Convencer os eleitores de que se votarem pela extrema-direita podem não o ter a ele como primeiro-ministro. Tem que dizer: se me querem, não votem por quem diz que se vai aliar comigo, porque me podem perder.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes desta ascensão de Lieberman, Netanyahu tinha consolidado uma subida do Likud nas sondagens. Em dois anos, mais que duplicou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no mercado de Mahane Yehuda, pode contar com a campanha fiel de Avraham. É que este fruteiro não tem apenas duas fotografias de Menahem Begin. Também tem uma de Bibi Netanyahu, embora mais pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento discute energicamente com um casal, Rodni e Anzi. Os israelitas adoram discutir, e põem toda uma veemência física nisso. Durante uns bons minutos o que um não falante de hebraico entende é Sharon!, Tipzi! Bibi! Bibi!, com muita garganta e braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rodni ainda não sabe se vai votar Kadima (Tipzi Livni) ou Meretz (centro-esquerda), Anzi vai votar Hadash (o partido árabe-judeu do comunista Dov Hanin) e é por isso que discutem com o fruteiro Avraham. E enquanto um discute o outro vai traduzindo para inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bibi vai ser melhor primeiro-ministro!”, clama Avraham. “Quando Rabin foi primeiro-ministro a primeira vez, foi mau. Da segunda vez foi excelente. Vai ser assim com Bibi!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fruteiro em frente junta-se à discussão, para apoiar Avraham. “Saímos de Gaza sem nenhum acordo, e agora querem que saiamos de Jerusalém? O próximo governo vai ser Bibi, Lieberman e Shas!” Shas é o partido religioso sefardita, que está em quinto, atrás dos trabalhistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a repórter tenta abordar este nova voz pró-Bibi em inglês, ele responde “No. No.” E depois em hebraico: “Pergunte à Livni, ela fala inglês. Aqui, é só a direita, só a direita. Bibi é que nos vai livrar de Obama e dos árabes.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-3241296506453236057?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/3241296506453236057/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=3241296506453236057&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3241296506453236057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/3241296506453236057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/o-ninho-de-bibi-esta-ser-ocupado-por.html' title='O ninho de Bibi está a ser ocupado por Lieberman'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6431933206113472102</id><published>2009-02-03T21:11:00.006Z</published><updated>2009-02-03T21:31:18.279Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diário Israel-Palestina 6'/><title type='text'>Mercado de Mahane Yehuda, Jerusalém</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYizX_8s5WI/AAAAAAAAAAc/usDqNpPzRUQ/s1600-h/IMG_7896.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298682186485785954" style="WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYizX_8s5WI/AAAAAAAAAAc/usDqNpPzRUQ/s400/IMG_7896.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avigdor Lieberman, o moldavo que emigrou para Israel há 30 anos e quer retirar a cidadania aos árabes israelitas se eles não fizeram uma declaração de lealdade ao Estado de Israel. Está em terceiro lugar nas sondagens para as eleições da próxima terça-feira, à frente dos trabalhistas. E no mercado de Mahane Yehuda, em Jerusalém, tradicional bastião da direita Likud, já rouba votos, como o de Moshe, o dono desta loja, que tem na parede uma foto do pai com Menahem Begin e espalhou cartazes de Lieberman à volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYizXrzlGlI/AAAAAAAAAAU/RAmxlR9EFUU/s1600-h/IMG_7885.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298682181078817362" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYizXrzlGlI/AAAAAAAAAAU/RAmxlR9EFUU/s400/IMG_7885.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não muito longe, no mercado, o fruteiro Avraham, que também tem uma fotografia de Begin, continua fiel a Bibi Netanyahu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6431933206113472102?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6431933206113472102/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6431933206113472102&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6431933206113472102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6431933206113472102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/mercado-de-mahane-yehuda-jerusalem.html' title='Mercado de Mahane Yehuda, Jerusalém'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_WqoHD7D0jFk/SYizX_8s5WI/AAAAAAAAAAc/usDqNpPzRUQ/s72-c/IMG_7896.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-2834808542071805128</id><published>2009-02-03T12:26:00.005Z</published><updated>2009-02-03T21:07:32.958Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Tom Segev: A ascensão da extrema-direita em Israel é alarmante</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYg5s_o0SYI/AAAAAAAAADo/HF0qAQiXBXA/s1600-h/tom.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298548406761048450" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; height: 315px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYg5s_o0SYI/AAAAAAAAADo/HF0qAQiXBXA/s400/tom.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong style="font-weight: normal;"&gt;&lt;em&gt;Tom Segev&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tom Segev, 64 anos, é um dos mais relevantes e traduzidos historiadores israelitas. Publicou “One Palestine Complete”, “The Seventh Million”, “Elvis in Jerusalem” e “1967”. Acabou de escrever uma biografia de Simon Wiesenthal, o “caçador” de nazis. Esta entrevista foi feita na sua casa de Jerusalém, cheia de livros e com uma velha primeira página de jornal emoldurada. É do dia em que o Estado de Israel foi declarado. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Entre os israelitas, esta guerra parece ter sido a mais popular em anos. É verdade?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Foi definitivamente mais popular que a anterior do Líbano, que não correu bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Há quem fale em euforia. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não foi euforia, mas as pessoas dizem que algo tinha que ser feito contra o Hamas. Temos esta tradição de acreditar que determinamos a política palestiniana bombardeando o Hamas, ou quem não gostamos. E convencemo-nos de que é só uma organização terrorista. Mas é também um movimento político e religioso genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tentativa de ditar aos palestinianos os seus líderes não resulta. Estão a disparar rockets até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que é que a satisfação quanto à guerra revela sobre o estado da sociedade israelita? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, nenhum país pode viver com rockets nas suas cidades. Netanyahu continua a dizer às televisões do mundo, consoante de onde vêem: “Imagine que isto acontecia em Lisboa...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Com a diferença de que Lisboa não ocupa Espanha. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Mas é verdade que não é possível viver com rockets, sobretudo antes de eleições. Portanto, por várias razões, a sociedade israelita moveu-se para a direita – para a extrema-direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora temos um partido de extrema-direita muito forte [Yisrael Beytenu, dirigido por Avigdor Lieberman, em terceiro nas sondagens, à frente dos trabalhistas]. É o nosso Haider. O ódio racista agora é legítimo, ele está a legitimá-lo. E não é dirigido contra os palestinianos nos territórios, pior, é dirigido contra palestinianos que são cidadãos israelitas. É xenófobo, é racista. Este é o tipo de partido por causa do qual Israel chamou o seu embaixador na Áustria, quando Haider teve 25 por cento dos votos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é que é forte? Porque há um sentimento de desespero quanto à paz. A maior parte dos israelitas já não acredita na paz. Dêem-lhes paz, eles ficarão felizes, mas já não acreditam nisso.&lt;br /&gt;Isto é fúria, mas também há um elemento de vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo em conta que não há hipótese de paz, que os palestinianos continuam a disparar rockets, que os governos anteriores falharam, primeiro com a guerra no Líbano, depois com toda a corrupção de Olmert – e este corrupto Olmert, que toda a gente odeia, vem com estranhas declarações sobre como devíamos devolver os territórios –, as pessoas moveram-se para o outro lado. Acho que é natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não nos devemos enganar. Não são só pessoas vindas da Rússia. São também israelitas nascidos aqui. Portanto, ele [Lieberman] está a trazer ao de cima o pior que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente diz-se que não há nenhuma sociedade democrática sem cerca de cinco por cento de fascistas. Mas este partido é muito mais forte. Acho isso alarmante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O psiquiatra palestiniano Eyad Sarraj diz que a sociedade israelita está doente. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não é como se o Hamas fosse um movimento liberal, democrático, aberto... O melhor que se pode dizer é que temos duas sociedades doentes, aqui. O Hamas é apoiado por uma maioria de pessoas em Gaza – porque é que apoiam uma organização tão horrível? Para mim, qualquer sociedade que se desloque em números maciços para a extrema-direita está de alguma forma doente. O fascismo é uma espécie de doença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desespero quanto à paz, o sentimento de que a política não serve para nada, e a continuação do terrorismo palestiniano – tudo isto levou a Lieberman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A guerra em Gaza fortaleceu Lieberman? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente. E é também um resultado de Lieberman, porque este é o tipo de pessoas que pressiona o governo, e com a eleição era inevitável que a guerra acontecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou quando começou por causa dos rockets, das eleições, de serem os últimos dias de Bush, de ser época de festas, e de os céus estarem azuis, tornando fácil os aviões voarem. Era inevitável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não nos levou a lado algum. Não há um cessar-fogo que não pudéssemos ter alcançado antes. E a coisa alarmante é o pouco que os israelitas se estão a importar com a destruição de Gaza.&lt;br /&gt;Isto, claro, tem a ver com o facto de não termos visto muito, mas também de não termos querido ver mais. Se os media realmente quisessem teriam feito um esforço para mostrar a destruição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Há uma investigação agora sobre se Israel cometeu crimes de guerra. A primeira tendência israelita é desconfiar deste debate. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os media não deram muita informação. As pessoas, naturalmente, já não querem saber, e como não sabem é mais fácil justificarem os acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As organizações internacionais são geralmente vistas com desconfiança nos países que cometem crimes de guerra. E é por isso que são importantes. Mas a maior parte dos israelitas tende a pensar que agimos em auto-defesa e tem vontade de acreditar que os palestinianos puseram rockets naquelas escolas e casas que foram destruídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os israelitas têm muita vontade de acreditar que não violamos os direitos humanos. Não entendem que isso, claro, é uma ficção. A ascensão de Lieberman mostra que até a ficção é mais fraca hoje. Houve um tempo em que dizíamos para nós próprios: somos melhores que os outros. As pessoas que votam por Lieberman agora odeiam abertamente. São pessoas zangadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Gideon Levi [um dos poucos jornalistas israelitas que cobre a Cisjordânia] escreveu sobre o silêncio dos juristas em Israel quanto ao debate dos crimes de guerra. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Dos juristas, dos médicos. Até o Meretz [partido de centro-esquerda] apoiou a guerra por um dia ou dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se quisermos ser justos, temos que nos lembrar que algo tem que ser feito quanto aos rockets. Provavelmente, esta foi a forma errada. A forma certa seria negociar com o Hamas. Não são pessoas agradáveis, mas são as que temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho idade para me lembrar que há 30 anos as pessoas iam para a cadeia por falar com a OLP, porque era uma organização terrorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mesmo que se avance para uma acção militar, não se pode magor civis. Não se podem bombardear cidades. Isso nunca está certo. Na II Guerra Mundial, em Hiroxima, em Hanói, em Beirute, em Sderot ou em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a maior parte dos israelitas apoiou. O apoio só começou a estalar quando emergiu a história muito dramática do médico palestiniano [que perdeu as filhas num bombardeamento e apelou em directo na televisão israelita]. Toda a vida ele trabalhou em Israel, toda a sua vida é sobre cooperação, e foi na televisão. Calculo que houvesse 200 histórias igualmente dramáticas, mas esta foi ao vivo. E foi quando as pessoas começaram a dizer: ok, talvez seja suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Isso leva a outra questão, o que os israelitas não sabem da ocupação, a noção de que há meio milhão de colonos. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Os israelitas não podem ir lá, os jornalistas geralmente não vão lá. Não sabem nada da Cisjordânia. É como se estivesse sob controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Porque está quieta. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;E o terrorismo quase desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Escreveu que provavelmente foi o maior erro da história israelita, quando Moshe Dayan e Menahem Begin quiseram reservar a Cisjordânia para os colonos. Hoje vê-se o resultado. A sua opinião é que será difícil traçar fronteiras razováveis e conseguir a paz. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Muito difícil, absolutamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Quando deixou de acreditar na paz? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Provavelmente antes da guerra no Líbano. Não sei bem. Para muitos israelitas foi o desapontamento de Oslo. E depois, a administração Bush deixou-nos fazer o que quiséssemos e vendeu a toda a gente a estúpida ficção do processo de paz, que no fim do ano haveria paz.&lt;br /&gt;Paz como entre Portugal e Espanha é impossível. Há muitos lugares do mundo que gerem as crises de uma forma que torna a vida melhor. Israel tem muito a oferecer aos palestinianos em Gaza. Podemos abrir Gaza à Cisjordânia, o Egipto pode abrir Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Hamas diz que está disposto a estabelecer um estado sem atacar Israel, mas não pode reconhecer Israel.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;É uma espécie de gestão. Se pudéssemos lá chegar seria um acordo –  eu olho todo o país como meu, tu olhas todo o país como teu, vamos esperar 100 anos e ver onde estamos. Acho que podemos alcançar isso. Paz é uma grande palavra. Para que precisamos de uma cerimónia em frente à Casa Branca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo desmantelarmos colonatos na Cisjordânia não leva necessariamente à paz. Temos que fazer isso sem paz. Temos que os tirar de lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;300 mil pessoas em colonatos que por vezes são cidades? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ninguém fala em 300 mil, mas em 60 mil – os palestinianos falam em mais. Na verdade estamos a aumentar os colonatos todo o tempo. E quanto mais colonos, mais difícil. Do ponto de vista de Israel – ideológico, sionista –, é a coisa errada. É realmente irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Porque é que continuam a aumentar? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Porque este é um país louco. Pensamos que as pessoas agem racionalmente, mas não. Não tenho uma explicação. É a coisa mais auto-destrutiva que não temos sensatez para ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Será o fim do sonho sionista? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Para mim, o sionismo é uma experiência que ainda não foi bem sucedida e ainda não falhou. Ainda estamos a experimentá-lo. Não posso assegurar que Israel como estado judaico tem um futuro. Não sei o que vai acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;É um tabu? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não, mas a maioria dos israelitas não concorda, portanto é irrelevante. Na América, entre intelectuais, toda a gente está a discutir um estado binacional, a velha ideia. Mas os árabes não querem viver connosco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Como sabe? &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Porque as pessoas querem ter o seu próprio estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O Hamas diz que não tem problema em viver com judeus. &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Não nos tratariam melhor do que tratam a gente da Fatah. Se vamos ter um estado comum para judeus e árabes, isso só pode acontecer depois dos palestinianos terem o seu próprio estado. Não podemos querer que eles desistam de uma coisa que ainda não têm. Deixá-los ter o seu estado, definir a sua identidade, construir as suas instituições, fazer os seus erros. Porque quereriam viver com os judeus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre os judeus não encontrará nem uma pequena minoria que queira isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-2834808542071805128?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/2834808542071805128/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=2834808542071805128&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2834808542071805128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2834808542071805128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/tom-segev-ascensao-da-extrema-direita.html' title='Tom Segev: A ascensão da extrema-direita em Israel é alarmante'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYg5s_o0SYI/AAAAAAAAADo/HF0qAQiXBXA/s72-c/tom.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-2081644560231695028</id><published>2009-02-02T11:10:00.003Z</published><updated>2009-02-02T11:33:35.269Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cisjordânia'/><title type='text'>A Cisjordânia quieta</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbWlvvLy3I/AAAAAAAAADY/rAQaCgON6DI/s1600-h/pales.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298157955605842802" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 257px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbWlvvLy3I/AAAAAAAAADY/rAQaCgON6DI/s400/pales.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Uma palestiniana (e o filho) discute com soldados israelitas junto a Jenin&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Saif Dahlah/AFP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Não se vêem armas nem protestos, entre checkpoints e mais colonatos. Viagem de Jenin a Hebron, em transportes colectivos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, na Cisjordânia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;1. Jenin&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Coração cansado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Pela Cisjordânia - o maior território ocupado - viajam, em geral, palestinianos, estrangeiros, e dois tipos de israelitas: soldados e colonos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os palestinianos têm um sistema de mini-autocarros (brancos) e carrinhas (amarelas), que partem quando estão cheios. Por causa das barreiras israelitas, de Jerusalém a Jenin é preciso apanhar dois transportes. Um mini-autocarro até Ramallah, e a partir daí uma carrinha. Ao todo, são 110 quilómetros e três checkpoints. No sábado, dia sem trânsito, o PÚBLICO demorou duas horas e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das colinas de Ramallah, pujantes de construção, a paisagem segue ondulante, coberta de pedras e oliveiras. Mas logo aparecem setas para os colonatos (Eli, Ariel, Ma'ale Efrayim...), e lá em cima os telhados cercados por arame farpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem iluminada, com várias faixas, bombas de gasolina e paragens de autocarro, esta é a estrada feita para os colonos. Na Cisjordânia, são já 285.800 (somados aos de Jerusalém Leste, rondam meio milhão, com infra-estruturas e autênticas cidades).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto afecta todo o território, e, dentro dele, Ismail Al Khatib.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este nome correu mundo em 2005. O seu filho Ahmed brincava com uma arma de plástico quando um soldado israelita o matou, julgando que a arma era verdadeira. Ismail doou os órgãos a quatro crianças israelitas. Foi feito um filme (Heart of Jenin) que ganhou prémios e comoveu israelitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui está esse pai, entre as ruelas do campo de refugiados de Jenin, no rudimentar centro de actividades infantis entretanto fundado por italianos. Aos 43 anos, parece fatigado, e fuma incessantemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Israel deu-lhe cinco horas para ir a Jerusalém ver o filme", diz o amigo Fakhri, que tem sido o seu tradutor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a guerra em Gaza, a Cisjordânia não explodiu em protestos. Fahkri acha que as pessoas estão cansadas. "Fizemos milhares de manifestações, não há energia para mais. E as pessoas da Fatah acham que parte da responsabilidade é do Hamas." Em Jenin, diz, "centenas" manifestaram-se "quatro ou cinco vezes".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ismail, exemplo de perdão, como olha para Gaza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de traduzir, Fahkri conta: "Depois de doar os órgãos, Ismail recebeu um telefonema de Ehud Olmert [hoje, primeiro-ministro]. Ele prometeu-lhe que Ahmed seria a última criança morta neste conflito. Quando a guerra começou em Gaza, centenas de crianças foram mortas. Ismail desligou o telefonou e deixou de falar até com os amigos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ismail escuta e fuma. Depois diz: "Foram dias difíceis. Ver as pessoas a pegar nas crianças trouxe-me a imagem de Ahmed."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra, crê, "foi para enfraquecer os palestinianos e fazer fortes os israelitas antes de uma eleição". Quanto à divisão dos palestinianos, resolvia-se "retirando os colonatos e acabando com a ocupação". Isso faria as pessoas acreditar nas negociações e confiar no presidente Abbas e na Autoridade Palestiniana (AP). "Eu confio, acho que são eles que nos podem representar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aqui as pessoas não apoiam o Hamas", reforça Fahkri. "Podemos sentir isso. Muita gente votou Hamas só para punir a Fatah." E no último ano e meio, a AP agiu. "Tem sido suficientemente forte para impedir armas nas ruas." Quer dizer que acabou a resistência? "Não", responde Fakhri. "Nós somos a resistência. Mas a resistência armada está acabada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;2. Nablus&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A montanha não deita fogo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De Jenin a Nablus são 45 minutos. Transporte directo, amendoeiras em flor, um checkpoint.&lt;br /&gt;O centro fervilha de trânsito e gente no mercado. À volta, montanhas cheias de prédios. Aqui vivem 100 mil pessoas e estudam 20 mil universitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;An Najah é a maior universidade da Cisjordânia, e um dos seus vice-presidentes é o químico Maher Natsheh, que agora atravessa a bela Cidade Velha, entre galinhas cacarejantes, tâmaras de todas as espécies e fatos de treino provavelmente chineses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Centenas, algumas vezes", foram os manifestantes contra a guerra, aqui. E porquê? "Porque não há esperança em relação a nada." E depois: "Estamos solidárias com as mulheres e as crianças em Gaza, mas não apoiamos o Hamas. Ao acabar a trégua, deu a desculpa. Há muito que tinha Gaza sob cerco, para levar o Hamas àquilo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é feito dos militantes que fizeram de Nablus a Jabal Nar a Montanha de Fogo? Aqueles que combateram os israelitas nestas ruas? "A maior parte está nas prisões israelitas. Quase a cada noite há incursões e prendem activistas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, confirma, "uma coisa que as pessoas agradecem à AP é ter posto ordem nas cidades". Mas há críticas a Abbas: "Não removeu um só checkpoint. Deu tudo aos israelitas e eles expandiram os colonatos". Todas as entradas em Nablus continuam a ter checkpoints - que separam os palestinianos uns dos outros, e não Israel dos territórios - e "especialmente os rapazes" levam horas a passar. "Mas todos rezamos para que Hamas e Fatah se unam. A estratégia israelita era dividir-nos, e as pessoas lá fora começam a não nos respeitar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No checkpoint da saída para Jerusalém, dezenas de rapazes. Na fila dos carros está uma ambulância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;3. Belém&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Política, não&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sem checkpoints nem muro, Belém seria a um quarto de hora de Jerusalém, mas o PÚBLICO levou uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É domingo, choveu, e agora a praça da Basílica da Natividade brilha ao sol. Aqui, diz a tradição cristã, nasceu Jesus. A esta hora, na nave principal, rezam os gregos ortodoxos, na gruta do nascimento já rezaram os arménios, e ao lado celebra-se a missa católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicola, 20 anos, estudante de Direito, é um dos ortodoxos que não celebraram o Natal por causa de Gaza. "Quando víamos as notícias, chorávamos", conta no átrio, que cheira a incenso e a cera. "E também não celebrámos o Ano Novo. À noite, fomos descalços à chuva até ao checkpoint e rezámos ali por Gaza." Quantas pessoas? "Umas 40 ou 50, porque estava muito frio." De resto, em Belém houve "pequenas manifestações".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicola, que não é da Fatah, não simpatiza com o Hamas e acha que "eles lutam de forma errada". Mas diz que "a luta contra Israel é um direito dos palestinianos" e reza pela união. "Somos um só povo, o mesmo sofrimento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, antes e depois de Nicola, sucedem-se recusas à menção de Gaza. Ninguém quer falar "de política". O património de Belém é esta Igreja. À volta há dormidas, comidas e souvenirs. Os problemas afastam o turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que dirá, enfim, o católico Johnny, 30 anos, ao balcão de uma loja deserta. "Houve muito turismo cancelado por causa de Gaza. É isso que preocupa as pessoas, é isso que ouço." Nem Fatah, nem Hamas, Johnny teve "pena das crianças de Gaza", e mais não diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;4. Hebron&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;Sempre os colonos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De Belém a Hebron são 40 minutos. Sendo a maior cidade da Cisjordânia, é a mais tensa. Judeus e muçulmanos crêem que aqui está o Túmulo dos Profetas, onde Abraão foi sepultado. Junto ao sítio sagrado vivem centenas de colonos guardados por milhares de soldados, e o coração de Hebron tem sido palco de mortes violentas. A última em Dezembro, quando um colono matou mais um palestiniano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descendo a rua do mercado, cada vez há menos gente. Cerca de 850 lojas foram forçadas a fechar e outras não têm coragem de abrir. O lugar é desolado, patrulhado por soldados com metralhadoras, e da praça da mesquita de Ibrahim (Abraão) avistam-se os jovens colonos, a rondarem as quatro lojas que restam abertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Posso abrir porque vivo aqui", explica Mohammed Khaled, 40 anos. A sua oficina de cerâmica foi fundada pelo pai em 1964 e cá continua, com dois homens a pintarem e um terceiro a moldar o barro. No forno, cozem potes. Vidro e cerâmica são artes de Hebron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias Mohammed tem que passar pelos soldados, tirar a roupa, o cinto, e tem fresca a morte em Dezembro. Então, quando se fala em Gaza, diz: "Destruíram tudo para quê? O Hamas, o Hamas, o Hamas! O Hamas não tem um exército!". E isto para dizer que o problema é a ocupação. "Eu era da Fatah, mas agora não. Abbas foi a Washington, a Oslo, e o que conseguiu? As ruas estão fechadas, não há autorização para ir a Jerusalém, e há mais colonos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Hebron, o Hamas ganhou nove deputados em nove. E essa força pode ter diminuído mas continua, assegura Walid Alhalaweh, o engenheiro informático que lidera a reabilitação da Cidade Velha. "A maioria está com o Hamas. O apoio diminuíra e com a guerra aumentou." Não é ideológico. "Havia corrupção na Fatah." Esse apoio viu-se numa manifestação antiguerra "com milhares". De resto, Hebron manteve-se quieta. "Também há gente do Hamas presa, como o Hamas prende em Gaza."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando um quilómetro, é possível apanhar uma carrinha para Jerusalém que demora 50 minutos. Só palestinianos com identidade de Jerusalém ou estrangeiros podem ir nela. Isso exclui toda a Cisjordânia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado a 2 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-2081644560231695028?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/2081644560231695028/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=2081644560231695028&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2081644560231695028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2081644560231695028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/cisjordania-quieta.html' title='A Cisjordânia quieta'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbWlvvLy3I/AAAAAAAAADY/rAQaCgON6DI/s72-c/pales.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8015146089779273849</id><published>2009-02-01T12:57:00.005Z</published><updated>2009-02-02T11:33:07.442Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>“Aceitaremos um estado ao lado de Israel sem o atacar, mas nunca reconheceremos a sua existência”</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbZsMTSKZI/AAAAAAAAADg/f9SX4F-Xx9o/s1600-h/hamas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5298161364887546258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbZsMTSKZI/AAAAAAAAADg/f9SX4F-Xx9o/s400/hamas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Yahya Al Abadsa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Alexandra Lucas Coelho)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Abbas é um traidor. Os regimes árabes são ditaduras corruptas. A resistência só acaba se a ocupação acabar. Israel não tem futuro como Estado judaico. É o que pensa o Hamas, nas palavras de um líder.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Entrevista&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os mais conhecidos nomes do Hamas em Gaza estão na sombra desde a guerra. Um dos líderes que fala é o deputado Yahya Al Abadsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esteve preso cinco anos nas cadeias israelitas, doutorou-se em Educação e deu aulas na Universidade Islâmica até ser eleito para o parlamento. Aos 51 anos, pai de sete filhos, mora num modesto apartamento em Khan Yunis, Sul de Gaza, onde os pais se refugiaram quando Israel foi criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira à tarde não havia bandeiras verde do Hamas na rua, mas viam-se duas bandeiras vermelhas da PFLP. Como faltava a electricidade, era preciso subir às escuras uns degraus toscos de cimento. Lá em cima, na sala de visitas, o habitual mapa da Palestina antes da declaração de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dos filhos, um adolescente e uma menina, seguiram em silêncio a entrevista. A jornalista não estava de cabeça coberta. Al Abadsa manteve-se sempre cortês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gaza ainda está em cessar-fogo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não há cessar-fogo verdadeiro. O cessar-fogo é de acordo com o ponto de vista israelita, o que lhes dá o direito de agir contra os palestinianos quando querem. Cessar-fogo tem que ter dois significados. Primeiro, parar o fogo e depois parar o cerco, que é um crime. Desde que o cessar-fogo foi declarado, os israelitas mataram três palestinianos e feriram outros mesmo antes de algum fogo os ter atingido. Isto leva a que não haja compromisso de cessar-fogo por parte da resistência a não ser que Israel esteja comprometido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Foram lançados dois “rockets” contra Israel.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sei pelos media que eram das Brigadas Al Aqsa [ligadas à Fatah].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Hamas não tem nada a ver com eles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se o Hamas lança “rockets”, assume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Qual é o objectivo dos “rockets”?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estamos sob ocupação e isso dá-nos o direito de nos defendermos e lutarmos pelos nossos direitos. A nossa liderança na OLP decidiu parar a violência de forma a conseguir a paz, e durante 16 anos foi um falhanço, portanto, diga-me: o que fazer?&lt;br /&gt;Israel joga com o tempo para conseguir os seus objectivos, que é criar um Estado judaico em toda a Palestina e expulsar os palestinianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há pessoas em Gaza que perguntam para que serviram os “rockets”. Se o fim é combater a ocupação, que ganharam com eles?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A questão é ilógica. Se paz significa que os ocupantes não nos dêem os nossos direitos, é uma perda de tempo. E se assim fosse nenhum povo ocupado poderia lutar pela liberdade. Por exemplo, a Argélia, nos dias da luta com a França, perdeu num dia 45 mil mártires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gente aqui em Gaza perguntou a chorar se valeu a pena perder 1300 vidas, ter 5500 feridos, 20 mil casas destruídas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lembro-lhe que os vietnamitas perderam três milhões de combatentes contra 20 mil soldados americanos. Os argelinos perderam entre 1,5 e dois milhões contra 20 mil soldados franceses.&lt;br /&gt;O problema não são os rockets. Qualquer forma de resistência à ocupação seria retaliada da forma que eles fizeram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Acha que a perda de vidas foi um preço que os palestinianos tiveram de pagar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida. Qualquer povo que queira viver com dignidade tem que pagar um preço, e isso é legítimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas as pessoas podem questionar a estratégia do Hamas, podem pensar que os israelitas usaram o álibi dos rockets para a guerra. Esta estratégia foi boa?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O verdadeiro álibi de Israel para atacar é a nossa presença nesta terra. Como explica o que se passa na Cisjordânia? Não há rockets na Cisjordânia, não há resistência, até há rendição da parte da Autoridade Palestiniana. Então porque é que Israel mata palestinianos lá? Durante os últimos seis meses mais de 50 mártires morreram na Cisjordânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É preciso uma saída. Qual é o próximo passo? Um governo de unidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se a ocupação acabar teremos a nossa liberdade. Se a ocupação não acabar, nada mudará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Desde Junho de 2007 os palestinianos têm dois governos, na Cisjordânia e em Gaza. O que pode fazer o Hamas para os unir?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Lembro-lhe que quando a Alemanha invadiu a França, nomeou o general Pétain como líder da França. Os franceses aceitaram esse governo alemão ou lutaram contra ele e recuperaram a sua liberdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Compara o Hamas com a resistência em França na II Guerra Mundial?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas as pessoas na Cisjordânia estão a aceitar o governo de Ramallah.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade. Aquilo não é uma democracia. Salam Fayyad, o primeiro-ministro, tem apenas um lugar no parlamento, enquanto que o Hamas tem 78. Dois terços do parlamento são nossos. Então quem tem o direito de formar governo de acordo com as regras democráticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É uma prioridade do Hamas criar uma união com a Autoridade Palestiniana ou não?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A nossa prioridade é aliviar os palestinianos, dar-lhes o que necessitam, quebrar este bloqueio, abrir as fronteiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a unidade?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os palestinianos estão unidos no terreno. O governo de Ramallah representa Israel, EUA e o Quarteto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que pensa do presidente Abbas?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já não é um presidente, é um traidor. Deve ser levado a tribunal por trair e colaborar contra os palestinianos. É responsável pela divisão e por pôr a resistência na cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como vê o comportamento dos países árabes nesta guerra, a começar pelo Egipto, que manteve a fronteira fechada?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É lamentável, um grande desgosto para nós. Prova que há árabes que são parte deste processo contra os palestinianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isso não faz o Hamas sentir-se isolado?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É muito doloroso, mas retiramos a nossa força de quem nos elegeu e escolheu a resistência. Não nos sentimos isolados porque todas as comunidades árabes e livres do mundo estão connosco. E estes regimes árabes são ditadores não escolhidos pelo povo, instrumentos da administração americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há algum governo árabe ou islâmico para o qual o Hamas se possa virar?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É verdade que nem todos são iguais. O pior é a posição do Egipto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quem vos ajuda?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Síria e Qatar já deram ajuda e apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Recebem ajuda do Irão?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O Irão é um país chave no Médio Oriente, e tem uma posição clara de apoio à causa palestiniana. Apoiam vários projectos, famílias de mártires e organizações de caridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quais foram os principais contribuidores da ajuda que o Hamas deu às pessoas depois da guerra?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Recebemos apoios e doações de todo o mundo árabe, islâmico e de todo o mundo livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quanto receberam para distribuir?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não posso responder, por razões de segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quanto vão dar a cada família?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O governo declarou que há 52 milhões de euros para distribuir. 4000 euros para cada família que perdeu a casa, 2000 para quem teve familiares mortos, 500 para feridos. Isto, como ajuda de emergência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se os mediadores internacionais pedirem ao Hamas para reconhecer a existência de Israel, ou seja para aceitar as fronteiras de 1967, o Hamas estaria disposto a fazê-lo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todas as terras da Palestina são nossas. Mas, apesar disso, aceitámos estabelecer o nosso estado nas fronteiras de 1967. Podemos aceitar uma solução temporária de dois estados, mas sempre consideraremos o resto das terras como nossas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os espanhóis viessem e ocupassem a sua terra, e ao fim de algum tempo lhe viessem dizer: damos-lhe 20 por cento e você tem que aceitar que 80 por cento é nosso, aceitava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Para viver numa paz permanente, o Hamas estaria disposto a reconhecer Israel?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Antes de 1948 havia um Estado chamado Israel? Onde estavam os judeus? O meu pai é mais velho que Israel. Os estados não podem ser construídos à força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como palestinianos, temos uma herança. A nossa terra é a terra da paz. O nosso deus significa paz. Criamos as crianças na base do amor. Elas não odeiam pessoas, amam as pessoas, a vida. Mas isso não significa que eu lhes ensine a desistir da sua terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um refugiado aqui. A minha aldeia, de que o meu pai foi expulso, ainda existe ao pé de Ashkelon. Não é justo que a paz venha à custa dos meus direitos. Desde 1948 até agora tivemos cinco guerras, dezenas de milhares de palestinianos foram mortos. Seria aceitável, justo, depois desta longa marcha, aceitarmos paz à nossa custa? Será justo que os judeus expulsos da Europa no Holocausto resolvam o problema à nossa custa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é simples. Israel tem que sair das terras de 1967 sem condições, a troco de paz. E nenhum atacará o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas reconhecer Israel, isso não aceitaremos. Ter relações normais com Israel, não. Asseguramos que não os atacaremos, e eles em troca têm que garantir que não nos atacam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há países que lidam uns com os outros e não se reconhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É injusto a comunidade internacional pedir-nos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;É impossível reconhecerem Israel por causa dos refugiados que estão fora?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É uma questão básica, de crença. Para além, claro, da questão dos refugiados, que é um pilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portanto, o fim final do Hamas seria uma solução Um Estado.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Digo-lhe honestamente: não há futuro para Israel enquanto estado racista, judaico. Não há futuro para um país assim. O nosso problema é a questão da democracia. Se a democracia prevalecer no mundo árabe, Israel não se aguentará. Israel aguenta-se não por causa da sua força militar, ou poder americano, mas devido à corrupção dos regimes árabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Admitiria uma solução Um Estado com judeus e palestinianos, vivendo lado-a-lado?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não temos qualquer problema com a solução Um Estado com todas as religiões a viverem juntas. O problema é dos judeus, não nosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas o fim do Hamas não é formar um estado islâmico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Absolutamente não. Não está na nossa agenda. Queremos um estado democrático, onde as pessoas possam viver livremente, com liberdade de religião, em que a lei prevaleça. Um estado pacífico, respeitador das escolhas das pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós não receamos o futuro. Acreditamos no futuro. Quem receia o futuro é Israel. O que aconteceu em Gaza é o trabalho de cobardes, daqueles que têm medo, não dos que são fortes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Que espera de Obama?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É bom para a América e não tem qualquer significado para nós. Quem governa a América é um grupo de instituições. Não é uma questão de gostar dele ou não. Vamos olhar para o trabalho dele, mas não temos grande coisa a esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma das primeiras decisões de Obama foi ter um enviado no Médio Oriente.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;São relações públicas, sobretudo. O que a América está a fazer é anestesiar a região para Israel cumprir os seus objectivos. A América está a dar tempo a Israel. É um parceiro no que se está a passar. A América é responsável por 43 vetos na ONU. O crime que aconteceu em Gaza foi cometido por um braço americano. Israel não se atreve a fazer nada sem a luz verde da América.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Hamas tem presos políticos em Gaza?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não temos um único, da Fatah ou de outras facções. Temos entre 10 a 20 prisioneiros à espera de serem levados a tribunal por explosivos e questões criminosas, não políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O porta-voz da Fatah em Gaza diz que o Hamas tem prisioneiros políticos, que ele próprio foi preso, como muita gente.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estamos a falar agora, não do passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tinham prisioneiros políticos?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi uma medida excepcional, por um período limitado de tempo. Depois dos bombardeamentos em Beach Camp [em Julho de 2008, quando morreram vários membros do Hamas, que responsabilizou facções da Fatah].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Militantes de outras facções, como a PFLP, dizem que não há liberdade, que não podem dizer o que pensam.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade. Por exemplo, temos muitos media agora em Gaza e pode ver que nem uma única delegação foi fechada. A imprensa é livre de trabalhar em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O Hamas é acusado de alvejar militantes da Fatah nas pernas, e encontrámos gente que foi alvejada.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não é verdade. É propaganda da Fatah contra o Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a guerra, e depois, seguimos traidores que deram informações à imprensa israelita e essas informações ajudaram Israel na guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve gente apanhada a vigiar a resistência e ficou provado que deram informações a Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pessoas foram presas e estamos a lidar com elas agora. Algumas podem ser da Fatah, mas não quer dizer que estejamos contra a Fatah. Estamos contra os traidores em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Portanto, Fatah, PFLP, Jihad Islâmica podem expressar-se livremente em Gaza?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Todas as facções da resistência trabalham livremente. Mas aqueles que trabalham com ordens de Ramallah não são livres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que quer dizer?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A prática de Ramallah é trazer caos para a sociedade de Gaza, e isso é algo que não podemos permitir, porque quebra a unidade interna. Não pagar às pessoas o seu salário, e muitos outros actos feitos por Ramallah para dividir e trazer o caos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;p&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ublicado em 1 de Fevereiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8015146089779273849?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8015146089779273849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8015146089779273849&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8015146089779273849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8015146089779273849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/02/aceitaremos-um-estado-ao-lado-de-israel.html' title='“Aceitaremos um estado ao lado de Israel sem o atacar, mas nunca reconheceremos a sua existência”'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYbZsMTSKZI/AAAAAAAAADg/f9SX4F-Xx9o/s72-c/hamas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5418515530325016362</id><published>2009-01-30T16:34:00.004Z</published><updated>2009-01-31T17:25:22.246Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Os marginais do reino Hamas</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYNlQ12yB5I/AAAAAAAAADQ/LqRgMw-s6y0/s1600-h/homem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297188926726997906" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYNlQ12yB5I/AAAAAAAAADQ/LqRgMw-s6y0/s400/homem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Olivier Laban-Mattei/AFP&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Repressão, interrogatórios, espancamentos, tiros. É o que contam do Hamas os militantes que não são do Hamas. Histórias de um território degradado pela ocupação israelita e pela guerra. Jihad, socialista filho de socialista, tem um apelo: “Pedimos à comunidade internacional que nos ajude a sair deste dilema.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza tem uma cor nos céus: verde-Hamas. Nos candeeiros, nos postes, nas casas, essa é a bandeira, ao longo das estradas e no meio da cidade. De vez em quando avista-se também a bandeira multicolor palestiniana, e é tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é um sinal do que está a acontecer desde que o Hamas tomou o poder, há um ano e meio.&lt;br /&gt;Os militantes de outros partidos contam histórias de repressão violenta. A Fatah de Arafat, que nem há cinco anos tinha a sua bandeira amarela por toda a parte em Gaza, parece ter-se eclipsado. Entrou numa clandestinidade de muitos milhares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso de Mohammed.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para chegar a ele é preciso ir com homens da sua confiança através de um labirinto de ruelas, em Jabaliya, no Norte de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jabaliya é um nome mítico para os palestinianos, porque foi aqui que rebentou a Primeira Intifada, em 1987. Dezenas de milhares de pessoas divididas entre Jabaliya-cidade, menos pobre, e Jabaliya-campo-de-refugiados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Jabaliya pobre há um improvisado Café Internet que pertence a Mahmud, 22 anos, um convicto partidário da Fatah. Mahmud conhece a família de Mohammed e oferece-se para levar lá o P2, enquanto não há electricidade. “Tenho que fechar o café sempre que não há electricidade.” O que tem sido a maior parte do tempo, desde a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Hamas diz que é democrático, mas usou força e tortura contra os palestinianos”, vai dizendo Mahmud pelo caminho, entre solavancos de cimento e terra batida. “Um dos meus amigos perdeu as pernas. Alvejaram-no e ele teve de ser amputado, porque era da Fatah, e trabalhava nas forças da segurança presidencial.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hamas ganhou democraticamente as eleições legislativas palestinianas em Janeiro de 2006 – não só em Gaza, em todos os territórios. Formou um governo de unidade nacional, mas a tensão com a Fatah e com a comunidade internacional nunca se resolveu. A própria Fatah estava corroída por tensões entre as facções internas, que se responsabilizavam mutuamente pela humilhação da derrota. Diplomatas e políticos estrangeiros não falavam com o Hamas, listado como organização terrorista. Gaza começou a ficar violenta, com raptos e assassinatos, que o Hamas – mas também a generalidade da população – atribuía a Mohammed Dahlan, o poderoso responsável pelo aparelho de segurança da Fatah. Até que em Junho de 2007 o Hamas tomou o poder em Gaza, depois de confrontos que fizeram mais de 100 mortos. Sem terem um estado, os palestinianos passaram a ter dois governos, um em Ramallah, nomeado pelo presidente Mahmoud Abbas e chefiado por Salam Fayyad, e outro em Gaza, chefiado por Ismail Hanyieh, do Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aqui não há liberdade, não é uma democracia”, continua Mahmud. Que pensa ele dos “rockets” que o Hamas lançou para Israel? “São inúteis.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a Segunda Intifada, a partir de 2000, Jabaliya era também um forte bastião das Brigadas Al Aqsa, ligadas à Fatah. Em 2002, o Público viu neste campo de refugiados militantes da Fatah equipados com armas, granadas, cintos de explosivos e bombas caseiras. Tudo isso parece desaparecido. “Toda a gente que tinha uma arma teve que a entregar ao Hamas”, diz Mahmud. “Os militantes que eram das brigadas Al Aqsa são vigiados.” E, ruela a ruela, não se vê um único homem armado, o que antes era uma visão comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu fui interrogado duas vezes pelo Hamas”, conta Mahmud. “E fui espancado. Bateram-me com paus na estação de polícia de Jabaliya. Era o dia do aniversário da morte de Yasser Arafat e eu estava a vir da manifestação em sua memória quando me prenderam. Só nos queriam humilhar.”&lt;br /&gt;O carro dobra agora uma esquina com um mural em que foi pintada a cara de um rapaz muito jovem. “Ele foi morto na mesma altura em que me prenderam.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, desembocando numa espécie de terreiro entre prédios, uma bandeira amarela da Fatah. Agora é preciso ir a pé, porque os caminhos são estreitos. Areia e pedras. Placas de zinco a proteger os casebres. Aqui é onde Jabaliya é mais pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A vingança&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Dois irmãos, ambos estudantes, guiam Mahmud e o P2 até à casa de Mohammed. Cá fora, crianças descalças, lá dentro uma sala cheia de homens sentados, um poster das Brigadas Al Aqsa, um autocolante do presidente Abbas na porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta fecha-se e volta a abrir-se para deixar entrar um homem numa cadeira de rodas. Eis Mohammed, que não quer o apelido no jornal. É magro, esquálido, de barba negra. Os pés pendem como bocados soltos. “Levei 15 tiros, um na mão, um no peito e 13 nas pernas.” Aconteceu durante os confrontos quando o Hamas tomou o poder? “Não, há seis meses.” Mais exactamente, em Julho de 2008, depois de vários membros do Hamas terem morrido numa explosão que o Hamas atribuiu a sabotagem da Fatah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu trabalhava para os serviços de informação da Autoridade Palestiniana, não estava nos grupos armados. Era uma sexta-feira e tinha ido rezar à mesquita. Quando voltava, a pé, vi um carro com quatro homens de cara coberta e sinais das Brigadas Al Qassam.” A ala armada do Hamas. “Vieram em direcção a mim, saíram, apontaram-me a arma e disseram-me para entrar no carro.” As ruas estavam desertas, conta Mohammed. “Agarraram-me, vendaram-me e levaram-me para dentro do carro. Bateram-me com o cabo da arma.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que o acusavam? “De organizar reuniões ilegais da Fatah, e de ter contactos com Ramallah. Quando chegámos a uma zona ao pé da praia, tiraram-me à força do carro e um deles começou a disparar para as minhas pernas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arregaça as calças para mostrar as pernas reduzidas a pele e osso, cobertas por cicatrizes e manchas. “Deixaram-me a sangrar, e não se foram embora, para ter a certeza de que eu não tinha assistência. Isto durou uns 15 minutos. Depois foram embora. Eu tinha o meu telemóvel, telefonei para uma ambulância. Foi um milagre ser salvo, precisei de tanto sangue. Estive em coma dois meses no Hospital Al Shifa.” O maior de Gaza. “E fui transferido para Israel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve-se um bebé aos gritos noutro quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mohammed acha que o que lhe aconteceu foi uma vingança. “Eles queriam castigar alguém pela explosão que matara gente deles.” Mas além disso acha que Gaza vive em repressão. “Isto é uma ditadura. Não nos podemos mexer, somos acusados de ser traidores por Israel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “rockets” lançados contra Israel antes e durante a guerra “são uma estratégia do Hamas para não perder a cara”. “É só para os media, para dizerem que existem. Muitos caíram em cima de palestinianos.” E fora do Hamas ninguém tem armas, assegura. “Toda a gente com uma arma pode ser alvejada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fazer agora? “Tem que ser formado um governo de unidade nacional.” Unidade? Está Mohammed disposto a perdoar ao Hamas? “Perdoaria, a troco de esperança, para outros viverem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bandeira vermelha&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Bem para sul, em Khan Yunis, há um conjunto de casas onde de repente se avista, não uma, mas duas bandeiras vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a cor da PFLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina), um movimento marxista fundado por George Habash em Dezembro de 1967, seis meses depois de Israel ter ocupado a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido numa família cristã ortodoxa, Habash – que morreu exactamente há um ano, na Jordânia – foi durante décadas um rival de Yasser Arafat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era no tempo em que grande parte da militância palestiniana contra a ocupação israelita era laica e socialista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hamas, então, representava uma minoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, a causa palestiniana não avançou, regrediu territorialmente, e os sinais de devoção islâmica generalizaram-se. É raro ver uma mulher adulta em Gaza com a cabeça descoberta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nesta rua dos arredores de Khan Yunis uma família mantém-se orgulhosamente laica e socialista, a família de Abu Jihad Shain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abu Jihad quer dizar “pai de Jihad”. Depois de serem pais, muitas vezes os palestinianos passam a ser conhecidos como pais do seu filho mais velho. E o filho mais velho de Abu Jihad é este rapaz sorridente chamado Jihad, que aparece com um amigo mal ouve o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão logo buscar cadeiras de plástico, e café, com bule e chávenas – a hospitalidade tradicional, no meio da rua, num bairro que ainda na véspera foi bombardeado, depois da morte de um soldado israelita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jihad estuda administração na Universidade Al Azhar de Gaza, a rival da Universidade Islâmica, ligada ao Hamas. “Somos uma família socialista, que luta por um estado socialista e contra o isolamento e a segregação”, começa ele. “A PFLP ensinou-nos a estarmos ao lado do nosso povo nas noites mais escuras.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que relações têm com o Hamas? “Poucas. O Hamas é unilateral em Gaza, não partilha as decisões. É uma forma de ditadura. Não há liberdade para darmos a nossa opinião, não podemos levantar a voz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isto não se aplica apenas aos militantes de outros partidos, diz Jihad. “Há um estado de medo na comunidade, de receio de falar, porque se é considerado ateu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser cristão, por exemplo, não é visto de forma estranha, e há uma tradição de comunidades cristãs em Gaza, que têm escolas onde filhos de muçulmanos estudam. Mas ser ateu pode ser mais incompreensível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jihad não se define como ateu. “Acredito em Deus, toda a gente aqui acredita em Deus, mas não sou religioso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dias, Louis Michel, responsável da União Europeia pela ajuda humanitária, insistiu em chamar terrorista ao Hamas, durante a visita que fez a Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com isto, Jihad não concorda. “O Hamas não é terrorista porque todas as acções que faz têm a ver com os palestinianos. E uma prova de que não é terrorista é que você está aqui a fazer o seu trabalho.” O problema do Hamas, diz é a repressão das outras facções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplos? “Em Novembro fomos a funeral de um combatente da PFLP. As brigadas Al Qassam [do Hamas] cercaram-nos e queriam prender gente. Não conseguiram porque a multidão nos rodeou e protegeu.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza está pior desde que o Hamas tomou o poder?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amar, o amigo, que também pertence à PFLP e tem estado a ouvir em silêncio, responde antes: “Claro que está pior. Antes os palestinianos não lutavam entre si.” Quem criou a divisão? “O Hamas e a Fatah, ambos. E o que aconteceu levou a muitas mortes, prisões, tortura, de um lado e do outro.” Como se sente Amar? “Sem liberdade. Não posso exprimir a minha opinião. Sou conhecido aqui por falar e vigiam-me. Até as minhas chamadas são ouvidas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jihad tem um apelo a fazer: “Pedimos à comunidade internacional que nos ajude a sair deste dilema. Que organizem uma conferência, que façam um governo de unidade, e que depois haja eleições.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A culpa da guerra, diz, é de Israel mas também do Hamas. “E é por isso que apelo. Sentimo-nos miseráveis. Centenas de pessoas foram mortas, muitas casas ficarem destruídas, e não vejo que se tenha conseguido alguma coisa com esta guerra.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado a 30 de Janeiro, na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5418515530325016362?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5418515530325016362/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5418515530325016362&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5418515530325016362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5418515530325016362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/os-marginais-do-reino-hamas_30.html' title='Os marginais do reino Hamas'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYNlQ12yB5I/AAAAAAAAADQ/LqRgMw-s6y0/s72-c/homem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8163717309951089282</id><published>2009-01-30T16:17:00.002Z</published><updated>2009-01-30T20:33:14.127Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crónica'/><title type='text'>Viagens com bolso</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Crónica&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Al Zahra City, 6º andar&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há correio em Gaza (obrigada a quem quis enviar pilhas e livros). Muitas moradas nem têm endereço. Para chegar a casa de Ayman, por exemplo, é assim: Al Zahra City, prédio da farmácia, 6º andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Zahra City não é uma cidade. É um conjunto de prédios que foi construído num terreno vazio a sul da Cidade de Gaza. Vazio porque o colonato israelita de Netzarim ficava ali perto, com os seus telhadinhos vermelhos, os seus barbecues e o seu arame farpado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando os colonos saíram, à força e aos gritos, a construção avançou no baldio ao lado e dois anos depois Ayman mudou-se com a mulher, Heba, e as três filhas, Lulu, Mimi e Nunu, para um dos apartamentos no 6º andar por cima da farmácia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é como se tudo já estivesse pronto a habitar, mas em Gaza é difícil as coisas parecerem prontas a habitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No prédio da farmácia, as escadas não têm vidros, o que no Inverno faz mesmo diferença, e é preciso subir pelas escadas porque o prédio não tem elevador. Velhos, crianças com mochilas, mães com bebés, toda a gente sobe a pé. E às escuras, sempre que não há electricidade e é de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a guerra foi como se fosse sempre de noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante 22 dias, Ayman e as meninas dormiram no chão da cozinha, o ponto mais interior. Logo no primeiro dia da guerra, o exército israelita fez explodir um edifício governamental entre os prédios de Al Zahra City e passou a haver um monte fumegante de ruínas a 200 metros da farmácia. Os vidros rebentaram nas janelas e foram encontrados bocados de corpos atrás do prédio de Ayman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daqui, Al Zahra City fechou-se em casa. Em alguns dias, Ayman e as meninas mal se levantavam do chão. Nunu, que só tem sete anos, escondia a cabeça na barriga do pai. Nenhuma delas gritou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia houve um “boom” no quarto de Ayman e Heba. Ela foi a correr e viu um buraco do tamanho de um punho ao lado da cabeceira. Ayman encontrou o projéctil no chão e mostrou-mo no dia em que eu cheguei. Achou que tinham tido sorte. Era só calibre 250 mm, quando podia ser calibre 800 mm, daqueles que atravessam várias paredes. Tem o tamanho da minha mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro “souvenir” de Ayman é mais pequeno, e curvo, como um bico de pássaro. Foi no primeiro dia em que ele teve mesmo de descer à rua, porque já não havia água. Quando desceu os seis andares e atravessou a porta sentiu o sol no corpo, ao fim de tantos dias. Aquilo foi tão forte que ele se sentou por um momento num tijolo à porta, virado para o sol. E foi então que ouviu um zumbido e um tijolo a partir-se. Quando abriu os olhos os vizinhos estavam a dizer que tinha sido um milagre. Apanhou a bala, meteu-a no bolso e levou água para cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda vez em que saiu, foi para sul em busca de comida, com mais três vizinhos para não ser tão assustador. Os palestinianos nunca dizem que têm medo. Ayman diz que tem medo mas posso lembrar-me de duas vezes em que, debaixo de fogo, ele simplesmente baixou a cabeça, mantendo as mãos no volante, e guiou firmemente dali para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que cheguei a farmácia ainda não estava aberta e continuou fechada, mas já havia electricidade seis horas em cada 24, e na segunda noite voltou a Internet. As meninas prepararam as fardas às risquinhas e as golas de renda para irem à escola. Heba fez compota de laranja e de morango. Há um pequeno pomar em Al Zahra City, e os morangos de Gaza são mesmo bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado na edição impressa de hoje do &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Ípsilon&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8163717309951089282?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8163717309951089282/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8163717309951089282&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8163717309951089282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8163717309951089282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/al-zahra-city-6-andar.html' title='Viagens com bolso'/><author><name>ALC</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11043761538757253658</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6014008525838194572</id><published>2009-01-29T22:51:00.001Z</published><updated>2009-01-29T22:55:11.389Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Um míssil entre duas escolas, dois rockets populares</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O buraco do míssil israelita está no asfalto, numa rua movimentada, frente a um hospital e entre duas escolas, uma à direita, outra à esquerda. Foi por isso que hoje, quando as forças israelitas quiseram matar um militante do Hamas — em retaliação pela morte de um soldado israelita — acabaram por ferir seis crianças, além de um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eram umas 11 e meia da manhã”, conta Bassam, de 35 anos, que está na loja em frente ao buraco. O militante do Hamas ia a passar numa mota quando o míssil lhe acertou, ferindo quem estava mais perto. Na rua ainda há restos de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“As minhas portas caíram e os meus frigoríficos ficaram destruídos”, diz Bassam, mostrando os destroços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é uma das ruas comerciais do campo de refugiados de Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza. A explosão do lado israelita da fronteira — que na terça-feira matou um soldado e feriu três — aconteceu não muito longe daqui. Israel contra-atacou, alvejando um militante do Hamas, e além dele matou um agricultor. Na madrugada de quarta, bombardeou os túneis de Rafah que vão dar ao Egipto. O míssil nesta rua foi a terceira resposta, depois de Israel ter avisado os habitantes que ia proceder em breve à operação Flor Vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, dois rockets foram lançados para o lado israelita, sem ferir ninguém. Um deles foi atribuído às Brigadas Al Aqsa, ligadas à Fatah, e o outro a um pequeno grupo islâmico. Eram rockets muito artesanais, sem o alcance dos do Hamas. Mas sejam de quem for, estes rockets têm aprovação popular. “É natural, porque vivemos sob ocupação e devemos resistir”, diz Bassam. E em volta, mais vozes. “Queremos mais rockets”, diz um. “Queremos rockets até abrirem as fronteiras de Gaza”, diz outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que conseguiram os rockets, além de terem sido argumento para uma guerra devastadora? “Pelo menos afirmam os nossos direitos, é uma forma de a nossa causa não ser esquecida”, diz Bassam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os feridos foram para o Hospital Nasser, que fica do outro lado da rua. Os mais graves estão na cirurgia. Abdelmajid é dos menos graves e por isso está numa camarata sem qualquer aparelho nem pessoal médico, simplesmente deitado em cima de um colchão, com as duas pernas ligadas. Foi ferido por estilhaços. A mãe, de cara completamente tapada, conta que ele vinha da escola quando o míssil caiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravessando de novo a rua para a escola da esquerda, uma jovem mãe, Hansan, 25 anos, veio buscar a sua filha de oito. Sabe do que aconteceu esta manhã, e também aprova os rockets. “São uma auto-defesa. Apesar de não atingirem os israelitas, concordo com eles.” É apoiante do Hamas? Ela sorri. “Não, mas sou uma apoiante da resistência.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega um pai, de fato ocidental. Chama-se Mussa e tem dez filhos. Só mais a nova ainda está nesta escola. Não é da Fatah nem do Hamas. E também ele defende os rockets. “A nossa vida desde há muito é a guerra. Os israelitas estão decididos a continuar com ela. Nós não temos alternativa senão resistir. [o presidente] Abu Mazen passou anos em negociações e não lhe deram nada. Claro que eu rezo para a paz, é o nosso objectivo, mas não qualquer paz — uma paz justa.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6014008525838194572?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6014008525838194572/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6014008525838194572&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6014008525838194572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6014008525838194572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/um-missil-entre-duas-escolas-dois.html' title='Um míssil entre duas escolas, dois &lt;i&gt;rockets&lt;/i&gt; populares'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-4855815707525691002</id><published>2009-01-29T13:51:00.004Z</published><updated>2009-01-29T13:58:25.467Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fotografias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Fósforo branco</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG05lwb7cI/AAAAAAAAAC4/vyDGbg48yRA/s1600-h/IMG_7623.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296713538245225922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG05lwb7cI/AAAAAAAAAC4/vyDGbg48yRA/s400/IMG_7623.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Amostras de fósforo branco na mão do director da Unidade de Queimados do Hospital Al Shifa, Gaza, 26 de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Alexandra Lucas Coelho)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG05zde9qI/AAAAAAAAADI/n6r25PRL3gA/s1600-h/IMG_7631.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296713541923829410" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG05zde9qI/AAAAAAAAADI/n6r25PRL3gA/s400/IMG_7631.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sabah Abu Halima, na Unidade de Queimados do Hospital Al Shifa, Gaza, a 26 de Janeiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Alexandra Lucas Coelho)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG059Pp0UI/AAAAAAAAADA/TUs5nk4Vh9M/s1600-h/IMG_7625.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296713544550175042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG059Pp0UI/AAAAAAAAADA/TUs5nk4Vh9M/s400/IMG_7625.JPG" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Amostras de fósforo branco na mão do director da Unidade de Queimados do Hospital Al Shifa, Gaza, 26 de Janeiro&lt;br /&gt;(Alexandra Lucas Coelho)&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-4855815707525691002?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/4855815707525691002/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=4855815707525691002&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4855815707525691002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4855815707525691002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/fosforo-branco.html' title='Fósforo branco'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYG05lwb7cI/AAAAAAAAAC4/vyDGbg48yRA/s72-c/IMG_7623.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-4750831306930118853</id><published>2009-01-29T10:28:00.003Z</published><updated>2009-01-29T10:37:51.837Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Gaza à espera da operação Flor Vermelha </title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYGGtQfYUbI/AAAAAAAAACw/0U-E1D2v_94/s1600-h/gaza.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296662748843233714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYGGtQfYUbI/AAAAAAAAACw/0U-E1D2v_94/s400/gaza.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Said Kahtib/AFP&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Aviões israelitas lançaram papéis a anunciar nova "operação" em Gaza, por causa do soldado morto. Os habitantes esperam mais bombardeamentos&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu começa a rugir à vista de Rafah. Uma fila de mulheres com crianças sobe uma duna, até um tanque de água da ONU. As mulheres estão de preto, a areia brilha, dourada. Depois, durante umas centenas de metros, ninguém. Dunas, baldios e os F16 lá em cima, sobre o Sul de Gaza. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Entrando na cidade, o barulho dos aviões israelitas desaparece. No mercado há laranjas pequenas e doces - e morangos grandes e doces como já não há na Europa -, mas o movimento é fraco. A fila para o gás está sem homens, só com botijas. Vêem-se carros, mas não engarrafamentos. E à medida que a fronteira com o Egipto se aproxima as ruas vão ficando desertas, até aquele silêncio de quando se espera qualquer coisa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eis a fronteira. Um pedaço de muro e montes de terra a formarem uma espécie de trincheira do lado palestiniano. É nesses montes que se escondem os túneis através dos quais Gaza se abastece, para contornar o bloqueio. Na véspera, a aviação israelita bombardeou vários para leste que, segundo os militares, pertenciam ao Hamas e eram usados para trazer armas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Este raide foi uma das respostas à bomba que de manhã matara um soldado e ferira três, a meio da Faixa de Gaza, do lado israelita da fronteira. Israel disse que um grupo de palestinianos era responsável pelo ataque. Numa primeira retaliação matou um militante do Hamas que conduzia uma mota em Khan Yunis e teria sido o executor. Além do militante matou também um agricultor. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O grupo que terá reivindicado o ataque é desconhecido em Gaza, e ontem, entre a população, havia quem discutisse a hipótese de ser uma bomba antiga - pois como conseguiria o homem da moto chegar ao lado israelita, cheio de soldados em alerta? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"O que as Forças de Defesa de Israel fizeram hoje não foi uma resposta, mas uma acção preliminar", avisou entretanto o primeiro-ministro, Ehud Olmert. "Uma outra resposta a este sério incidente será dada." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;E assim, depois dos dois homens mortos em Khan Yunis e dos túneis bombardeados em Rafah, Gaza está à espera do que possa acontecer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aviso do céu&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ahmad, 53 anos, sete filhos, e barbas brancas, vive ao pé de um dos túneis bombardeados e teve que fugir de casa. Agora está nesta rua, perto de outros túneis, que é onde tem a sua loja.&lt;br /&gt;"Eram umas duas e tal da manhã", conta, enquanto empilha botijas vazias de gás numa camioneta. "Estávamos a dormir e todos os vidros explodiram. Até chegaram à minha cama! Agarrei na família e fugimos. Fomos para um olival do meu tio, que tem lá sítio para nos abrigarmos." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De manhã, quando tudo lhes pareceu tranquilo, voltaram a casa. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Mas esta noite esperamos mais, os israelitas já ameaçaram. Eles atiraram papéis do céu."&lt;br /&gt;Mustafá, um rapaz de 17 anos, diz que os papéis avisavam as pessoas para saírem das suas casas. "E para esperarmos em breve a operação Flor Vermelha." Tem algum papel desses? "Não, o Hamas apanhou--os todos, e destruiu-os, para as pessoas não terem medo." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Que pensa o barbudo Ahmad da morte do soldado? "Sou contra todas as formas de violência." Mustafá dá a sua opinião antes que alguém não a peça: "Eu sou a favor desse ataque."&lt;br /&gt;Mais para leste, as últimas casas antes dos túneis bombardeados parecem completamente desertas. Não se vê vivalma. Depois, dobrando uma esquina, um rapaz sentado. Chama-se Sami, tem 18 anos, vive aqui. "Ouvimos a primeira explosão pelas duas da manhã", confirma ele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Acordámos e havia gente a fugir das casas." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ainda mais para leste, uma mulher de casaco preto até aos pés e lenço na cabeça, a andar até à última casa antes da fronteira. "Vivo aqui", diz, sorridente. Chama-se Heba, tem 25 anos, é uma recém-casada. "Estávamos aqui ontem à noite, e pelas duas e um quarto da manhã ouvimos uma bomba de repente. A casa abanou toda. Levantámo-nos, mas a seguir houve mais explosões, e mais fortes. Depois ouvi muita gente a correr e gritos." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;O bombardeamento terá durado uns 20 minutos, calcula. "Mas eles vão voltar, claro." Ainda não sabe se abandonam a casa. Gaza é uma terra de refugiados, alguns já deixaram duas casas, toda a gente tem relutância em partir. Que pensa Heba do ataque aos soldados? Volta a sorrir, cortês, hesita. Depois diz: "Sou contra essas provocações, neste momento." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Uma outra mulher aproxima-se. Veio ver dos pais, que moram aqui, mas encontrou a casa vazia. "Fugiram, devem estar com alguém de família, mas ainda não sei quem." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De volta ao centro de Rafah, as ruas vão ganhando vida esquina a esquina, à medida que a fronteira fica para trás. Bandos e bandos de meninos e meninas a virem da escola. Os que andam em escolas do governo têm fardas verdes. Todas as meninas usam fitas brancas nos totós e nas tranças. Estas bermas, cheias de centenas de crianças, são a visão mais viva e alegre de toda a Faixa. Frente ao campo de futebol há uma grande escola da ONU, a esta hora com o bruá de muitos alunos. Quanto ao campo, levou com um míssil. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O agricultor era comunista&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Subindo para norte, a zona logo a seguir a Rafah é Khan Yunis. Pelo caminho vêem-se várias fábricas de cimento bombardeadas. Desde que o Hamas tomou o poder, em Junho de 2007, Israel não permite entrada de cimento em Gaza, e agora, durante a guerra, inutilizou as fábricas locais. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Como por toda a Faixa, flutuam bandeiras verdes do Hamas, mas de repente, numas ruas junto à fronteira onde o soldado israelita foi morto, aparecem duas bandeiras vermelhas a esvoaçarem, bem alto. São da PFLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina), o movimento marxista fundado em 1967 pelo cristão George Habash, um rival histórico de Arafat. Habash morreu há um ano, na Jordânia, mas ainda aqui tem firmes discípulos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;É o caso de Jihad Shain, 22 anos, militante vermelho e filho de militante vermelho. "O meu pai não está em casa, porque foi ao funeral daquele agricultor morto pelos israelitas, que também era da PFLP." Chamava-se Anwar Zaed. "Estava na sua terra, a tratar dos vegetais. Tinha 29 anos e dois filhos pequenos, com um e dois anos." &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Aqui, de sua casa, com os vidros partidos, Jihad ouviu a explosão que matou o soldado e feriu três, um deles gravemente. Isso aconteceu pelas oito da manhã, diz. Cerca de duas horas depois começou o bombardeamento israelita em que morreu o militante do Hamas na mota e o agricultor amigo desta família. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;"Eles lançaram papéis a dizer que tínhamos que deixar a nossa área e que iam fazer uma operação chamada 'flor vermelha'." E então, que fazem aqui? Não têm medo? "Claro que temos. Mas não queremos abandonar as casas."&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 29 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-4750831306930118853?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/4750831306930118853/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=4750831306930118853&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4750831306930118853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4750831306930118853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/gaza-espera-da-operacao-flor-vermelha.html' title='Gaza à espera da operação &lt;i&gt;Flor Vermelha &lt;/i&gt;'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYGGtQfYUbI/AAAAAAAAACw/0U-E1D2v_94/s72-c/gaza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-307608301937692342</id><published>2009-01-28T13:30:00.006Z</published><updated>2009-01-28T13:45:29.842Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Queimados com bombas de fósforo branco</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYBfRdvinrI/AAAAAAAAACo/G2muD1eV4Ms/s1600-h/fosforo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296337915434147506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 228px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYBfRdvinrI/AAAAAAAAACo/G2muD1eV4Ms/s400/fosforo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;(© Mohammed Abed/AFP)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Pesquisas internacionais provam que Israel atingiu civis com estas bombas. Há casos de outras armas não-convencionais, como DIME&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabah Abu Halima está numa cama da Unidade de Queimados do hospital Al Shifa, o maior de Gaza. É uma mulher de 45 anos, mãe de 10 filhos. Uma cunhada alimenta-a à colher, lentamente. Ela tem o braço direito enfaixado até à mão e queimaduras no pescoço. Mal consegue mexer a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"São queimaduras profundas de bombas de fósforo branco", diz o médico Ahmed Mograbi, mantendo-se na ombreira da porta enquanto Sabah come. "Tem 15 por cento do corpo afectado. Transferimos dois feridos mais graves da família dela para o Egipto, uma criança de um ano e uma mulher de 20 com queimaduras muito profundas em metade do corpo, típicas de fósforo. Acho que esse é um caso desesperado." Mas Sabah deverá recuperar: "Está queimada num braço e nas pernas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pernas não se vêem por estarem tapadas por um cobertor, enquanto ela continua a comer devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chegou aqui de ambulância, trazida de outro hospital", conta Mograbi. "Lá, tinham-lhe limpado a pele e posto ligaduras. Ao fim de três horas aqui, quando tirámos as ligaduras para limpar, saía fumo das feridas e cheirava muito mal, a fósforo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabah acabou de comer. O médico entra para ver se ela pode e quer falar. Ela diz que sim.&lt;br /&gt;O braço queimado é o direito, e a mão tem crostas negras. Mas não é em si própria que está a pensar. "Tenho nove rapazes e uma rapariga. Agora perdi três rapazes e a minha filha." Diz a idade dos sobreviventes: "24, 22, 20, 18, 16, cinco." Os outros morreram com a mesma bomba que a queimou. "O meu marido também morreu. E a minha nora ficou negra, está no Egipto." Quantas pessoas estavam dentro de casa? "Éramos 16."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aconteceu no segundo dia da guerra, pelas quatro da tarde, conta ela. "Atiraram uma bomba para cima de nós. Houve uma grande luz, depois um fumo muito branco que sufocava, e não me lembro de mais nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As bombas de fósforo branco são incendiárias. Podem ser lançadas pelos militares no terreno para iluminar ou criar um ecrã de fumo. Mas estão proibidas pela Quarta Convenção de Genebra quando lançadas em zonas com "concentrações de civis" onde os alvos militares não estão claramente separados. E são sempre proibidas se forem lançadas do ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza - um milhão e meio de habitantes numa estreita faixa - é um dos lugares mais densamente povoados do mundo. Israel começou por negar que tivesse usado bombas de fósforo branco durante a guerra, mas perante diversos testemunhos e provas acabou por admitir que o usara, mas não de forma criminosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Comité Internacional da Cruz Vermelha comprovou o uso de fósforo branco, está a recolher provas para depois discutir com as partes, e não adianta conclusões sobre se o uso foi ilegal.&lt;br /&gt;Tanto a Amnistia Internacional como a Human Rights Watch comprovaram extensamente o uso de fósforo branco e consideram-no uma violação da Convenção de Genebra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o corpo humano é atingido por uma bomba de fósforo, a queimadura continua até ter oxigénio, por vezes até ao osso. É necessário tratá-la de forma diferente, mas, se os médicos não souberem, os tecidos continuam a ser queimados. Foi o que aconteceu com Sabah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família dela cultiva morangos. São agricultores e vivem em Atattra, uma zona do Norte de Gaza das mais atingidas pela guerra e densamente povoada: "Temos muitos vizinhos", diz Sabah. Os sobreviventes foram-lhe trazendo notícias do que aconteceu depois da explosão. "Os soldados israelitas ocuparam as casas e ficaram lá dentro. Estávamos em paz. Agora quem vai alimentar os meus filhos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ainda cheira&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O director da Unidade de Queimados, Nafez Abu Shaban, confia na recuperação de Sabah. "No braço são queimaduras profundas, até ao músculo, o que deverá afectar a mobilidade. Mas esperamos que volte a andar." Os casos mais graves com queimaduras destas foram transferidos através do Egipto. Restam dois neste hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já não há qualquer dúvida de que se trata de fósforo branco", garante Shaban. "No princípio da guerra recebemos muitos casos de queimaduras e tratámo-los como queimaduras normais, alguns mandámo-los para casa. Mas dias mais tarde alguns voltaram com queimaduras muito profundas, brancas, e alguns morreram, apesar de inicialmente as queimaduras serem muito pequenas. Então começámos a levá-los para a sala de operações, para limpar as queimaduras, e encontrámos material estranho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shaban abre um saco de plástico e mostra uma matéria que parece areia com sangue. Sente-se um forte cheiro a fósforo. "Isto são amostras de tecido que retirámos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas e outras amostras foram reencaminhadas para a administração do hospital, para serem reenviados para o estrangeiro. "Achamos que os israelitas estão a usar várias armas não convencionais, e por isso decidimos tirar amostras de qualquer ferimento estranho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quanto ao fósforo branco, Nafez Abu Shaban está seguro. "Percebemos só na última semana da guerra e muitos doentes morreram porque não sabíamos que era fósforo branco." Quantos doentes? "Não sabemos, porque parte deles terão morrido de ferimentos conjugados, mas presumo que centenas tenham sido queimados com fósforo branco."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mesmo pode ter acontecido ou estar a acontecer com feridos por outras armas. "Devia haver peritos internacionais aqui, porque não sabemos o que procurar. Armas tóxicas?, químicas?, radiações? Temos o direito de saber. É a primeira vez que temos tantas vítimas com feridas destas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pelos relatórios, tenho a certeza de que é fósforo branco", diz a cirurgiã inglesa Sonia Robbins, que entrou em Gaza como activista de direitos humanos e veio falar com o director da Unidade de Queimados. "Mas é preciso prová-lo rapidamente", alerta, sublinhando que durante a guerra ninguém pôde entrar, nem documentar o que estava a acontecer. "O perigo é que os casos sejam negados antes de serem provados."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O novo explosivo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando a Unidade de Queimados percebeu que havia algo estranho, entraram em campo os cirurgiões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especializado em Edimburgo, o cirurgião-chefe Sobhi Skaik está a esta hora reunido com um colega que se especializou na Irlanda, e daqui a pouco vai juntar-se-lhes um cirurgião italiano que trabalha para a Cruz Vermelha. Tudo isto entre transferências de emergência para o Egipto e uma explosão que abanou todo o edifício do Al Shifa onde funciona a cirurgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tivemos várias pessoas atingidas com fósforo branco", garante Sobhi. "Com outras armas não convencionais também, mas definitivamente fósforo branco, não há dúvida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que o faz estar tão certo? "Por exemplo, um doente com queimaduras no corpo de diferentes profundidades, pele, músculos e osso. Isto é típico do fósforo. Continua a arder e a arder, em diferentes camadas do corpo. E há o cheio do fósforo a queimar, podíamos senti-lo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem querer arriscar um número, este cirurgião fala em "centenas de casos" ao longo desta guerra. E vai mais longe: "Numa área de 100 metros quadrados em Gaza pode haver 200 pessoas. As áreas atacadas são densamente povoadas. Portanto, quando se usa fósforo branco em Gaza é criminoso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas além do fósforo, fala no uso de DIME (Dense Inert Metal Explosive), um explosivo novo. O ferido chega com vários buraquinhos no tronco, que parecem ferimentos superficiais, mas em estado crítico. "Abrimos o abdómen e descobrimos muitos danos nos órgãos, perfurações nos intestinos, danos no fígado, sangramentos, e não conseguimos perceber o que está a causar aquilo. Depois de tentarmos reparar tudo, duas horas depois da operação, começa a sangrar e a sangrar, a ponto de não o conseguirmos ressuscitar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro sinal de DIME é aparecerem muitos feridos com as duas pernas amputadas. "Eu vi dezenas", diz Sobhi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O anestesista noruegês Mads Gilbert, que esteve a trabalhar com estes médicos do Al Shifa durante a guerra, confirma: "Vimos muitos casos indicativos de DIME e temos vários documentados", disse ao PÚBLICO, por telefone, da Noruega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gilbert esteve com o seu colega Erik Fosse em Gaza até 10 de Janeiro. Reconhecem o DIME pela "presença de extensas amputações e ferimentos do tamanho de ervilhas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas "as mais importantes armas ilegais que Israel tem usado", remata Gilbert, "são o cerco, o bloqueio, e o bombardeamento indiscriminado de civis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 28 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-307608301937692342?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/307608301937692342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=307608301937692342&amp;isPopup=true' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/307608301937692342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/307608301937692342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/queimados-com-bombas-de-fosforo-branco.html' title='Queimados com bombas de fósforo branco'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SYBfRdvinrI/AAAAAAAAACo/G2muD1eV4Ms/s72-c/fosforo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5085375651964128590</id><published>2009-01-28T13:10:00.000Z</published><updated>2009-01-28T13:43:04.817Z</updated><title type='text'>Amnistia Internacional fala em crime de guerra</title><content type='html'>A investigadora que a Amnistia Internacional tem em Gaza não hesita em usar o termo "crime de guerra" quanto ao uso de fósforo branco por parte de Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Donatella Rovera considera que "o extenso uso desta arma em bairros densamente povoados de Gaza é por inerência indiscriminado", lê-se num relatório sobre o fósforo branco. "O seu uso repetido desta maneira, apesar de provas dos seus efeitos indiscriminados e do seu peso em civis, é um crime de guerra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As queimaduras de fósforo branco, que continuam, tecido a tecido, enquanto encontram oxigénio, não podem ser tratadas como as queimaduras normais. Para salvarem os feridos, os médicos têm de saber o que têm em mãos. O que aconteceu nos hospitais de Gaza, incluindo o maior, Al Shifa, foi que muitos feridos morreram por terem sido tratados como queimados normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facto de as forças israelitas terem negado que usaram fósforo branco fez perder mais vidas, aponta a Amnistia. "Responsáveis israelitas disseram repetidamente que a sua operação militar era contra o Hamas, não contra as pessoas de Gaza", lembrou Donatella Rovera. "Não pode haver desculpa para continuar a subtrair informação vital para o tratamento eficaz de pessoas feridas pelos ataques. A falta de cooperação de Israel está a levar a mortes e sofrimento desnecessários."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conseguiu entrar em Gaza, depois do fim da guerra, a Amnistia ainda encontrou bombas de fósforo a arder em diversos pontos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E além de fósforo branco, "o exército israelita usou uma variedade de outras armas em áreas densamente povoadas", diz a organização. Um dos exemplos é o das flechas de 4 centímetros. Um obus de 120 mm pode conter 5000 a 8000 destas flechas. Quando o obus explode no ar, espalha as flechas num raio de 300 por 100 metros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas armas, que Israel usa há anos, diz a Amnistia, "nunca deveriam ser usadas em áreas civis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 28 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5085375651964128590?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5085375651964128590/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5085375651964128590&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5085375651964128590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5085375651964128590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/amnistia-internacional-fala-em-crime-de.html' title='Amnistia Internacional fala em crime de guerra'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6623941455391487006</id><published>2009-01-28T13:02:00.001Z</published><updated>2009-01-28T13:43:55.226Z</updated><title type='text'>"Clara violação da Convenção de Genebra"</title><content type='html'>O uso de bombas de fósforo branco feito por Israel durante a guerra constitui "uma clara violação da Convenção de Genebra", disse ontem ao PÚBLICO Mark Galasco, o experiente investigador que a Human Rights Watch enviou com uma equipa para Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Encontrámos inúmeras cápsulas de fósforo branco em áreas densamente povoadas", resume. "E encontrámos casas queimadas, civis com queimaduras graves, o hospital Al Quds que foi atingido por uma bomba de fósforo, uma escola da ONU..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As provas, diz Galasco, tornaram-se "numerosas e inequívocas", ao ponto de Israel ser obrigado a admitir que usara fósforo branco. "Finalmente, depois de tanto tempo a avisá-los de que o perigo era tão grande, que podia continuar a matar pessoas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante semanas Israel vedou a passagem de jornalistas e organizações internacionais. A Human Rights Watch entrou pelo Egipto, depois do fim da guerra. Tornou-se então claro, lê-se no site da organização, que a credibilidade das forças israelitas era uma das vítimas da guerra. E "o maior golpe", considera a Human Rights Watch, foi o caso do fósforo branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que está por verificar é "se esta violação da Convenção de Genebra constitui um crime de guerra", diz Mark Galasco. Para haver crime de guerra, de acordo com este investigador, o ponto essencial é "que tem que ter havido intenção de atingir civis".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Human Rights Watch apelara a uma investigação internacional das violações cometidas por Israel e pelo Hamas, e Galasco volta a sublinhar essa necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 28 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6623941455391487006?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6623941455391487006/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6623941455391487006&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6623941455391487006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6623941455391487006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/clara-violacao-da-convencao-de-genebra.html' title='&quot;Clara violação da Convenção de Genebra&quot;'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6034127830185387879</id><published>2009-01-27T10:32:00.001Z</published><updated>2009-01-31T17:26:06.153Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diário'/><title type='text'>Diário Israel-Palestina 5</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5C_1T1gII/AAAAAAAAACY/Cl4i5wtdy4Y/s1600-h/bandeira.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295743876243751042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5C_1T1gII/AAAAAAAAACY/Cl4i5wtdy4Y/s400/bandeira.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; (© Olivier Laban-Mattei/AFP)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A enfermeira que esteve em Sabra e Chatila e está chocada com Gaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louise Norman ainda mal acredita que os israelitas a deixaram entrar em Gaza. Sexta-feira, quando finalmente o &lt;em&gt;checkpoint&lt;/em&gt; abriu à circulação de jornalistas estrangeiros após semanas de bloqueio, esta enfermeira sueca tentou a sua sorte, sem levar sequer a escova de dentes. E de repente deu por si do outro lado, de volta a amigos que não via há anos, como o psiquiatra palestiniano Eyad Sarraj.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quotidiano de Louise é em Estocolmo, onde trabalha entre um hospital e o resgate de emergência em helicóptero. Mas aos 55 anos, com quatro filhos já grandes, ofereceu-se para uma temporada em Hebron, uma das cidades palestinianas sempre mais tensas, devido à presença de colonos religiosos protegidos por soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira lá estará, em Hebron, na Cisjordânia, mas até lá está a ver o que aconteceu em Gaza. Quando o PÚBLICO a encontrou, a primeira coisa que Louise disse foi: “Isto faz-me lembrar tanto Sabra e Chatila.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Agosto de 1982, durante a invasão israelita do Líbano, Louise aterrou em Beirute para trabalhar com a igreja sueca no campo de refugiados de Sabra. “Fiquei até ao Natal.” O que significa que estava lá durante os três dias de Setembro em que o exército israelita, que cercava os campos de Sabra e Chatila, permitiu que as milícias cristãs libanesas entrassem e massacrassem centenas de palestinianos – os números são disputados até hoje, entre 800 e 3500.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louise passou esses dias dentro do hospital de Sabra, que nessa altura por caso se chamava Gaza Hospital. Ouviu as metralhadoras e os gritos. Quando pôde sair, viu os cadáveres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui em Gaza, o que viu? “A destruição total. Algumas partes parecem ter sido derrubadas por um tremor de terra. Mas o que me lembra mais Sabra e Chatila é que aqui está uma população civil que não tem para onde ir. Estão cercados.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de 25 anos depois do que aconteceu no Líbano, diz Louise, não se avançou. “Estamos em 2009 e isto não devia acontecer. É uma vergonha para a humanidade. A pior coisa é sentir-me tão envergonhada de ser parte da dita comunidade internacional e ninguém parar isto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C., em Gaza&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6034127830185387879?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6034127830185387879/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6034127830185387879&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6034127830185387879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6034127830185387879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/dirio-israel-palestina-5.html' title='Diário Israel-Palestina 5'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5C_1T1gII/AAAAAAAAACY/Cl4i5wtdy4Y/s72-c/bandeira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-4978599458383467303</id><published>2009-01-27T10:18:00.004Z</published><updated>2009-01-27T10:32:52.163Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Eles perderam o mar durante 22 dias por causa da guerra</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX7hc1DqTEI/AAAAAAAAACg/OZEFF2n2SiY/s1600-h/barco.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295918097229302850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX7hc1DqTEI/AAAAAAAAACg/OZEFF2n2SiY/s400/barco.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pescadores na Cidade de Gaza: nas praias também há restos de guerra&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(© Olivier Laban-Mattei/AFP)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Gaza, o mar pode estar aberto ou fechado. Na guerra, esteve fechado. Há quem tenha arriscado um tiro. Há quem tenha pescado um míssil&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amir estava num barco a remos quando o último dia da guerra amanheceu. "Não fomos para longe, só a alguns metros da costa, porque precisávamos de alimentar a família", conta, de braço ao peito e pés na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza é uma estreita faixa ao longo do Mediterrâneo. Quem a quiser dominar, tem que dominar o mar. É o que Israel tem feito desde a retirada das tropas e dos colonos em 2005. E nesta guerra o mar foi uma frente vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ali continuam, todos esses navios israelitas, depois das três milhas permitidas aos pescadores, e as pessoas queixam-se de que, mesmo depois do cessar-fogo, eles continuam a disparar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando Amir foi ferido faltavam horas para Israel declarar o cessar-fogo. "Éramos dois no barco. O outro levou um tiro no estômago e eu levei um tiro no braço." Este braço direito que está ligado e seguro com um lenço. "Sangrei muito. Tive que mergulhar e depois rastejar pela areia. Quando eles nos viram na água, fizeram explodir o barco." Amir tinha familiares na praia que o levaram ao hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui está, ao fim de mais uma noite de pesca. Neste pequeno porto artesanal, é hora de tirar os barcos da água, contar o peixe, desamaranhar as redes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há barcos muito grandes, são quase todos barquinhos. Vão ali e voltam à pequena baía com restos de tudo na água e na areia, que ainda assim é um daqueles lugares onde Gaza parece, mais que possível, bela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pesca em Gaza é uma herança de família. O pai já era, e o pai do pai. Haverá mais de cinco mil pescadores, geralmente com famílias muito grandes, o que pode significar 50 mil pessoas dependentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E este número de filhos não é exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nem um tostão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o veterano e barbudo Farouq, de 58 anos, tem 18 filhos, 10 raparigas e oito rapazes. Os rapazes trabalham todos com ele. Agora, feita a noite, arrumado o barco e a rede, comem-se uns peixinhos grelhados à beira de um bidão onde arde lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Janeiro é Inverno, mesmo no Mediterrâneo. Os homens aquecem-se na areia, enquanto vão metendo peixe no pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Diz-lhe que isto é Hiroxima", grita Farouq para o intérprete do PÚBLICO, antes de qualquer pergunta sobre a guerra. "Eu fiquei completamente desligado do mundo. Não tinha um tostão, enquanto um saco de farinha custava 200 shekels [38 euros]. Durante 22 dias não pesquei. As bombas estavam tão perto que nem nos conseguíamos mexer dentro de casa. Ficámos como refugiados, cada filho meu com alguém da família ou nas escolas da ONU. Eu fui com os meus netos para o hospital Al Shifa, ficámos lá seis ou sete dias. Sem a ajuda da ONU, não estávamos vivos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes homens trabalham do pôr-do-sol às dez da noite e das duas da manhã às seis. Vivem do que pescam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas o mar não é livre para pescarmos. Os israelitas só nos dão três milhas, uma distância em que mal se consegue." E é perigoso, com os navios de guerra? Farouq ri: "Não ouviu os tiros esta manhã? Eram os israelitas que estavam a disparar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta zona a sul da Cidade de Gaza acordou com tiros, talvez ao longo de uma hora, mas mais para o interior era impossível saber de onde vinham. Os pescadores asseguram que vinha daqui.&lt;br /&gt;"O cessar-fogo é só para os pobres", resume Farouq. "Eles disparam para os barcos. Todos os barcos tiveram que voltar logo quando começaram os tiros."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem alto chamado Mohammed, de 43 anos e 10 filhos, acrescenta: "As pessoas aqui são trabalhadoras, pode ver por si, não há razão nenhuma para atirarem sobre nós."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num bom dia, Farouq pesca 1000 shekels [190 euros] de peixe. "Mas quando tiro as despesas e divido o lucro fico com 40 [7,5 euros] ou 50 shekels [9,5 euros]."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, durante a guerra, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um míssil na rede&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Aos 39 anos, Yusef já vai em oito filhos. Acaba de sair de mais um turno na água, trazendo esta história. "Quando puxámos a rede, pelas seis da manhã, ela estava muito pesada." Mas não era peixe. "Vimos que uma parte estava cortada e depois encontrámos um míssil por explodir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os peritos que estão a avaliar o perigo das munições por detonar calculam que 10 por cento do que Israel disparou sobre Gaza não explodiu. Cerca de 20 mil casas danificadas ou destruídas ainda vão ter que ser examinadas. Em 2006, depois da guerra de Israel com o Líbano, morreram quase 300 pessoas por causa destas munições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como Yusef comprovou, elas também existem no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como sei que é perigoso, levei o míssil aos guardas lá fora", explica tão descontraído como provavelmente só alguém num sítio como Gaza poderia estar. "São os restos da guerra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois voltou ao mar. Balanço da noite? "Três caixas com vários tipos de peixe." Descontando despesas, o lucro vai dar ao que Farouq dissera, menos de 10 euros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Trabalhamos sete dias por semana, desde que o mar esteja aberto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma estranha expressão para quem vem das costas da Europa, onde o mar não está, é aberto. Mas em Gaza às vezes está fechado. Por exemplo, durante a guerra, ou quando Israel decide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Durante 22 dias, eu não pesquei", conta também Yusef. "Estávamos mesmo a viver como miseráveis. Não deixei a minha casa. Vivemos da ajuda. Há uma organização europeia de apoio aos pescadores que nos ajuda na metade do ano em que não pescamos, e aproveitámos essa ajuda. Tínhamos alguma comida, mas não tínhamos dinheiro para outras coisas. A maior parte da guerra bebemos chá com pão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais para dentro da areia, três homens desemaranham uma rede finíssima sem sequer olharem para o que fazem, de tanto hábito. O mais novo, Munzar, de 24 anos, ainda só tem dois filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desde criança que pesco com o meu pai. Quando andava na escola passava metade do tempo na escola e outra metade a pescar." Há quantas gerações anda a sua família nisto? "Que eu tenha visto com os meus olhos, desde o meu avô."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de Munzar tem cinco barcos, e todos ficaram em terra durante a guerra. "Não corremos riscos. E se nos dão três milhas não vamos mais longe que duas e meia. Podemos ser alvejados a qualquer momento e eles não precisam de razões."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite, quando nada se mexe e Gaza fica completamente às escuras, as únicas luzes ao longo da costa são as que os pescadores levam para os seus barcos, pontos luminosos ali onde não se vê, mas é o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 27 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-4978599458383467303?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/4978599458383467303/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=4978599458383467303&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4978599458383467303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4978599458383467303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/eles-perderam-o-mar-durante-22-dias-por.html' title='Eles perderam o mar durante 22 dias por causa da guerra'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX7hc1DqTEI/AAAAAAAAACg/OZEFF2n2SiY/s72-c/barco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-4806943845253261786</id><published>2009-01-26T22:49:00.004Z</published><updated>2009-01-26T23:13:53.480Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>Eyad Sarraj Se eu tivesse um rocket, tê-lo-ia atirado contra Israel</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5BQTRa60I/AAAAAAAAACQ/y9hK9po-sMw/s1600-h/miudos.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295741960141335362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5BQTRa60I/AAAAAAAAACQ/y9hK9po-sMw/s400/miudos.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Crianças palestinianas regressam à escola no sábado pela primeira vez desde o começo da ofensiva israelita&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(© Olivier Laban Mattei/AFP)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É o rosto internacional de Gaza. Durante a guerra podia ter saído e não quis. A cada momento pensou que podia ser ele a morrer. Tinha visto as intifadas, e todas as guerras desde 1948, mas nesta viu "a cara pior de Israel". E deixou de ser pacifista. A dignidade está na resistência. Agora, defende boicote, desinvestimento e sanções contra Israel.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como centenas de milhares de pessoas em Gaza, o psiquiatra Eyad Sarraj está a pisar vidros e outros destroços. "Isto é o meu gabinete!", diz, ainda perplexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É domingo, o primeiro dia depois do cessar-fogo em que a Cidade de Gaza voltou a ter engarrafamentos, porque já não caem bombas e já se arranja gasolina. Os mercados estão cheios de frutas e de roupas, nas ruas há milhares de cabeças brancas, que são as raparigas a caminho da escola com os seus lenços de estudante. Por toda a parte se vêem crianças de mochila e farda às riscas, a irem para as aulas ou a voltarem das aulas, consoante os turnos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio de toda esta vida, em cada esquina, sinais frescos da guerra. Às vezes são prédios transformados num monte de entulho, como se tivessem acabado de desabar. Às vezes só uns rombos, umas paredes, uns vidros partidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que aconteceu à sede do Programa de Saúde Mental de Gaza, uma organização não-governamental dirigida por Sarraj e reconhecida pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 64 anos, Eyad Sarraj é o rosto não-partidário e internacional de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, aqui veio há dias, falou com ele. Políticos, mediadores, organizações humanitárias em visita a Gaza vão ouvi-lo. E depois há os jornalistas.&lt;br /&gt;Uma televisão assentou a câmara entre os cacos e está a entrevistar Sarraj no momento em que o P2 chega para o fotografar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritório fica no quarto andar da organização, e por baixo os estragos não são menores. Há tectos que abateram e vidros por toda a parte. Os funcionários olham do jardim para o que aconteceu, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Em casa na guerra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O P2 entrevistou Eyad Sarraj em sua casa sexta-feira, primeiro dia em que centenas de jornalistas estrangeiros puderam entrar em Gaza, depois de Israel ter bloqueado o checkpoint durante semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Junho de 2007, num encontro anterior com o P2, Sarraj recuperava de tratamentos a um cancro. Agora o cabelo voltou a crescer. "Estou óptimo." E assim parece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do escritório, a sua casa no centro da Cidade de Gaza não foi atingida. Tudo intacto, do jardim à grande sala de estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Passei aqui a guerra", diz, sentando-se ao lado de uma estante com livros e dois alaúdes antigos. "Os britânicos e a ONU telefonaram a perguntar se eu queria sair. Tenho um passaporte britânico e a minha mulher trabalha para a Comissão de Direitos Humanos da ONU. Ela queria ir, mas eu disse que não. Depois temos a culpa do sobrevivente, de não termos estado aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E durante 22 dias, Sarraj e a família viveram como toda a gente em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estávamos aterrorizados. De cada vez pensávamos que podíamos ser nós. À volta tantas casas foram bombardeadas. A casa da presidência, a sede da polícia, a Universidade Islâmica, tudo isso é aqui ao pé."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa estava cheia: ele, a mulher, três crianças, a cunhada com a filha e amigos com cinco filhos. Não havia electricidade, usavam um gerador. "De manhã, tudo isto estava cheio de crianças", e abre os braços para a sala. "Uma noite, ninguém conseguiu dormir, foi um bombardeamento constante, todo o dia e toda a noite, com explosões enormes." Faz uma pausa. "Sabe a que conclusão cheguei? Que isto é o mal sem fronteiras."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a partir daqui Eyad Sarraj - o pacifista, promotor dos direitos humanos, um palestiniano que se encontrou com tantos israelitas e viajou pelo mundo a defender o diálogo - começa a explicar o efeito que esta guerra teve nele: "Sempre falei na necessidade de paz com Israel, mas agora já não acredito na paz. Estávamos a iludir-nos. É impossível ter paz com um sistema racista, de apartheid. Israel, que é experiente em trauma desde o Holocausto, que podia falar ao mundo em direitos humanos e igualdade, tornou-se um caso de doença patológica, de paranóia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala sem hesitação, como se ao longo da guerra isto se tivesse encadeado no seu espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Os judeus trouxeram tanta dor do Holocausto e estão a projectar isso nos palestinianos. Em vez de lidarem com o seu trauma, projectaram a vitimização nos palestinianos. Suprimiram a culpa, não a exprimem." Na esquerda da esquerda israelita, não é assim. Mas Sarraj sabe que é uma pequena percentagem. "Intelectuais israelitas clarividentes expressam essa culpa de muitas formas. Mas o sistema político e a comunidade em geral estão doentes: culpam os palestinianos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;maioria dos israelitas aprovou a guerra por causa dos rockets do Hamas e muita gente acha mesmo que foi a melhor guerra de Israel em anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A raiz do mal&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Durante muito tempo ouvi dizer que podíamos ir viver para outro país árabe", continua Sarraj. "'Porque é que não vão embora?', ouvia eu. Ontem, disse à Comissão Europeia, a Chris Berger e 22 representantes europeus: 'Se gostam tanto de Israel, aconselho-os a levarem Israel para casa.' Pois se a nós nos dizem que podemos ir para os países árabes, eles que vão para a Polónia, para a França, onde serão tratados como iguais. Pois aqui, desde que Israel foi fundado, é guerra atrás de guerra. Israel semeia violência por toda a parte. Usa a força bruta ao máximo, pensando que assim compensa a fraqueza mostrada no Holocausto. Envergonham-se de terem sido levados para as câmaras de gás sem resistência. E agora não querem que nós resistamos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Holocausto, diz Sarraj, "tinha uma raiz do mal, e essa raiz foi exportada para aqui".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escritores israelitas como Amos Oz trataram o trauma da fraqueza. Israel foi fundado na promessa musculada de que nunca mais os judeus se deixariam morrer como cordeiros. E o Exército, orgulho nacional, corporiza isto, com a contribuição de cada família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No romance Ver: Amor, David Grossman defendeu que, pelo contrário, o humanismo devia ser a melhor lição do Holocausto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Há gente em Israel e na Europa do lado da justiça, e manifestam-se", diz Sarraj. "Mas os governos sempre apoiaram Israel porque o lobby israelita os pressiona com acusações de anti-semitismo e porque obedecem à América contra o seu livre pensamento. Conheci tantos diplomatas europeus, e todos disseram que não tinham alternativa que não seguir a América. A Alemanha não pode dizer nada por causa da história dos judeus e a Grã-Bretanha tem um forte lobby judeu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora Obama? "Espero que faça a diferença. Vem dos desiguais, dos negros, tem essa herança e identifica-se com a vítima. Acho que ele conhece esta história. Veio cá, conheceu [o presidente palestiniano Mahmoud] Abbas. Abbas disse-me que lhe tinha mostrado os mapas de como o estado palestiniano tinha diminuído desde a proposta de 1948. Mas Obama precisa de coragem para enfrentar o lobby sionista."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para já, crê Sarraj, Obama contribuiu para o cessar-fogo. "Acho que houve um acordo tácito entre Bush, Obama e Israel para acabar com esta guerra antes de ele tomar posse, para não começar a sua presidência com matança. E o preço que pagámos para isso foi o seu silêncio. Não é um bom sinal. Antes de tomar posse, tem a desculpa de haver só um Presidente. Depois, disse que a segurança de Israel é uma prioridade. Não me importo. Mas porque não falam na nossa segurança?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o que Sarraj perguntou ao secretário-geral da ONU, quando ele entrou em Gaza depois do cessar-fogo. "Querem todos proteger Israel, e quem nos vai proteger? Não temos marinha, nem tanques, nem F16. Todo o mundo está preocupado com Sderot [povoação israelita ao alcance de rockets] como se fôssemos invadir Israel! E não houve uma única casa destruída em Israel, só um telhado!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que respondeu Ban Ki-moon? "Que compreendia, que nos apoia, mas que temos que ter a certeza de que o processo de paz continua." O que é que Sarraj pensa disso? "Que é um disparate. Precisamos de pessoas corajosas como Richard Falk, o relator especial da ONU, que disse que Israel está a cometer crimes contra a Humanidade. Desmond Tutu tinha dito isso há meses."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 1944 em Beersheva, hoje Israel, Sarraj sabe o que significa ser refugiado. "Eu vi 48 e as histórias de desenraizamento. Passei a guerra do Suez, apontaram-me armas, eu tinha 12 anos. Vi cadáveres. Vi 67, 73, a Primeira Intifada e a Segunda Intifada, a Primeira Guerra do Líbano e a Segunda. Mas nada foi tão devastador como esta guerra. Desta vez, eu vi a cara pior de Israel."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se isso teve tamanho efeito nele, que efeito poderá ter numa população de luto, desabrigada e pobre? "Para as crianças é especialmente terrível. Atiraram pedras na Primeira Intifada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornaram-se bombistas suicidas na Segunda Intifada. Agora vão tornar-se mais extremistas. Vão acreditar que só o poder as protegerá, e o poder está em quem tiver armas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que posição fica o Hamas? "Nos próximos meses terá mais membros. E isso só se altera se as pessoas se sentirem seguras, com dignidade. O processo de paz agora é visto como uma forma de traição, porque não tem dignidade. Não há dignidade quando Abbas precisa de autorização dos israelitas para passar o ckeckpoint, e é de dignidade que precisamos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarraj mantém uma certeza: "Os palestinianos nunca sentirão que são derrotados." E sentiu algo que nunca sentira: "Se eu nesta guerra tivesse um rocket, tê-lo-ia atirado contra Israel."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante anos foi "crítico do Hamas por usar rockets", quando "usar rockets contra civis é muito errado". Nesta guerra ficou certo de que os rockets foram uma desculpa. "Israel provou-nos que a guerra não era contra o Hamas. Os palestinianos em geral sabem que não é. Se o Hamas fosse erradicado agora, acha que Israel nos daria direitos? Israel quer-nos sem direitos e sem resistência. Se não houvesse ocupação não havia Hamas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O boicote é uma arma&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este psiquiatra deixou de acreditar na paz. É na resistência que vê a dignidade. E neste pós-guerra - passado o momento em que até atiraria um rocket - acredita na resistência não-violenta, com um princípio de base: "Não devemos abdicar de nenhum dos nossos direitos, particularmente do direito de retorno."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa resistência tem três caminhos: "Israel deve ser boicotado em todo o mundo, como um sistema de apartheid, como na África do Sul. Deve haver uma campanha de desinvestimento. E sanções."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já há casos, diz. "Uma companhia sueca perdeu agora um contrato de três mil milhões de dólares porque estava a construir as estradas dos colonatos em Israel. Tenho recebido centenas de mensagens e assinaturas de académicos estrangeiros a pedir um boicote."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comportar-se "assim, Israel nunca será aceite no Médio Oriente", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi o que pareceu nesta guerra. "Não", reconhece Sarraj. "Ao ponto de o Egipto dizer que os palestinianos de Gaza são uma ameaça à segurança nacional egípcia. É inacreditável! Mas existe uma diferença entre os governos e a população, que protestou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem se podem voltar os palestinianos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Para si próprios. E para os israelitas com consciência. Israel não pode sobreviver assim. É preciso aprender com a História. A minha mulher tem o cabelo claro e os olhos verdes. Num checkpoint um soldado parou-nos e perguntou-lhe 'É casada com ele?', com o tom de quem pergunta 'Como é que um ser humano pode ser casado com um animal?' Isto é racista. Aconteceu no checkpoint de Erez, em 1979. Hoje o racismo é pior."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os palestinianos deixaram que isso acontecesse, diz. "A culpa também é nossa. Da estupidez de Arafat, a assinar aqueles acordos. Da violência dos suicidas, que destruiu o campo da paz em Israel." Um grande erro. "Se protejo as minhas crianças, tenho que proteger as crianças de Israel, é o mesmo sangue."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tudo isto Sarraj vai falar no livro que está a escrever. Vai chamar-se Sozinho em Casa, por causa de todas as pessoas da sua família que foi vendo partir para o estrangeiro. "É uma espécie de autobiografia ligada à política. O impacto psicológico de tudo isto na causa palestiniana e em mim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guerra de Gaza será um ponto-chave. "Tornou-me consciente do racismo de Israel. É uma grande mudança."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 26 de Janeiro na edição impressa do &lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Público&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-4806943845253261786?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/4806943845253261786/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=4806943845253261786&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4806943845253261786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4806943845253261786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/eyad-sarraj-se-eu-tivesse-um-rocket-t.html' title='Eyad Sarraj Se eu tivesse um rocket, tê-lo-ia atirado contra Israel'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX5BQTRa60I/AAAAAAAAACQ/y9hK9po-sMw/s72-c/miudos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6800762198807385640</id><published>2009-01-26T15:04:00.005Z</published><updated>2009-01-26T15:15:56.233Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>O ministro do Hamas vs porta-voz da Fatah: desunião em Gaza</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX3TIC5CITI/AAAAAAAAACI/B905LacZHZQ/s1600-h/fn12a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295620872026071346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 260px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX3TIC5CITI/AAAAAAAAACI/B905LacZHZQ/s400/fn12a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sede do Hamas em Gaza, um dos principais alvos de Israel &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(© Reuters)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O do Hamas diz que há liberdade. O da Fatah diz que foi preso três vezes e que o Hamas tem matado e alvejado nas pernas gente da Fatah. É a desunião nas ruínas da Faixa de Gaza&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Parlamento de Gaza fica no meio da cidade. Quem estaciona o carro nas traseiras pensa que já não há Parlamento, tal a destruição. Mas depois contorna-se o edifício e na parte da frente ainda há fachada. Lá dentro restam algumas salas, ou parte de salas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, o hemiciclo podia ser uma instalação de arte contemporânea, com os retratos dos deputados ainda emoldurados em cima das mesas, cobertas de areia e cacos, enquanto emaranhados de metal e tubos pendem do tecto, semiderrubado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o começo da manhã, e funcionários e deputados do Hamas estão a chegar. Alguns sentam-se no pátio, porque deixaram de ter gabinete. Outros passam por portas emperradas através dos vidros, que não existem. E entretanto chega o ministro da Justiça do Hamas, Mohammed Al Houl, de 51 anos, um homem pequeno e grisalho, sem barba e com bigode, que estudou Direito no Cairo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dispõe-se a ser entrevistado, procura uma sala quase inteira, os homens que o seguem endireitam e limpam cadeiras para os visitantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Al Houl começa por descrever a guerra em Gaza, insistindo nas palavras "holocausto" e "crimes de guerra". Hoje, domingo, termina o cessar-fogo declarado pelo Hamas e há negociações no Cairo. "Nós respeitámos o cessar-fogo. Mas descobrimos que os israelitas insistem em violá-lo. Houve uma série de incidentes: disparos no Norte, incursões esporádicas. Três agricultores foram mortos e cinco pessoas foram feridas, quase diariamente atiram dos barcos, uma criança foi alvejada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Este último caso está no Hospital Al Shifa, um menino de seis anos alvejado no dia 22 com uma bala de M16, que os médicos e a família dizem que veio dos soldados israelitas na fronteira, perto de casa.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como numa jaula&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"E ainda estamos numa jaula", continua o ministro do Hamas. "Os israelitas ainda não abriram as fronteiras à passagem de bens."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as condições para manter o cessar-fogo? "A abertura das fronteiras e o fim do cerco são as mais importantes. E depois a libertação dos prisioneiros desta guerra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem ganhou a guerra? "Apesar do massacre, Israel não conseguiu nenhum dos seus fins, e portanto nós ganhámos e continuámos." Os rockets estão acabados? "Enquanto há ocupação há resistência, é o direito de cada nação ocupada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que espera de Obama?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esperamos uma mudança, mas os primeiros sinais não são encorajadores. Ele falou em manter a segurança de Israel sem ter condenado este massacre, e o silêncio foi um desapontamento para nós. Esperamos que a posição dele melhore. Não podemos julgá-lo com preconceitos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E está o Hamas pronto a reconciliar-se com a Fatah, com quem cortou relações desde a tomada de Gaza, em Junho de 2007? "Queremos o diálogo e queremos um governo de unidade nacional, absolutamente", garante Mohammed Al Houl. " Apesar de sermos o Governo legalmente eleito pelo povo", ressalva, remetendo para as eleições de Janeiro de 2006. "O Governo que está em Ramallah sequestrou o poder." Mas "não há outra saída deste labirinto", reconhece. "Não temos alternativa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então já estão a falar com a Fatah? "Estamos a pedir à Fatah que fale connosco. Claro que há gente como o traidor Mohammed Dahlan [um ex-todo-poderoso da Fatah, que controlava o aparelho de segurança em Gaza, hoje em parte incerta] com quem não podemos falar." Com quem é que podem falar? O ministro faz uma pausa. "Nabil Shaath, Saeb Erekat." Ex-ministros e negociadores que estão na Cisjordânia ou no estrangeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há bandeiras verdes do Hamas por toda a parte em Gaza, mas não se vê uma bandeira amarela da Fatah, e a Fatah acusa o Hamas de reprimir e maltratar os militantes não-Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Três vezes preso&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Justiça contesta. "Aqui há completa liberdade, e é isso que frustra Israel, que queria que fôssemos para o caos. O problema é ao contrário. Em Ramallah é que não se pode levantar uma bandeira do Hamas. Em Ramallah há centenas de militantes do Hamas nas prisões. Aqui, não há um único prisioneiro da Fatah."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza já teve centenas de milhares de militantes da Fatah. Agora, é como se tivessem passado todos à clandestinidade. Correm relatos à boca pequena de mortos e torturados. Ninguém quer falar, nem dando só o nome próprio, sem fotografia. Ninguém, não. Resta um porta-voz, Ibrahim Naja."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu que venho ter com os jornalistas, porque o Hamas confiscou o meu escritório", explica, sentado a uma mesa do Hotel Al Deira, o mais bonito de Gaza, onde muitos jornalistas estrangeiros ficam alojados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 63 anos, é um típico deputado da velha guarda da Fatah, fato e gravata e relógio vistoso no pulso, cabelo e bigode grisalho. Esteve com Arafat no cerco de Beirute, foi com ele de barco para Tunes, todo o arsenal mítico da OLP. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje a Fatah está banida de Gaza. O Hamas confiscou-nos todos os edifícios e escritórios." E Ibrahim Naja ainda nem começou a escavar no pior. "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui preso três vezes pelo Hamas, em Julho de 2007, e em Janeiro e Agosto de 2008. Puseram--me um, dois e depois cinco dias numa cela subterrânea e raparam o meu bigode, o que aqui é um sinal de humilhação." Torturaram-no? "Quando um homem como eu é posto num subterrâneo sozinho, quando me rapam o bigode e o cabelo, quando ameaçam cortar--me as mãos e os pés, quando me insultam nas rádios e nos jornais do Hamas, o que é que isso quer dizer? Se eu não tivesse influência na rua, se não tivesse o apoio das pessoas, tinham-me torturado e matado. No dia em que me cortaram o bigode, milhares de homens raparam o bigode em solidariedade comigo, em Gaza e em Ramallah. Até em campos do Líbano e da Jordânia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hamas acusava-o de quê? "Queriam que eu dissesse sim ao golpe deles, seria uma mensagem para os militantes da Fatah. Mas eu recusei e fui para casa." Não saiu de Gaza. "O Hamas foi eleito pelas pessoas, não há dúvida. O presidente Abbas deu-lhes autoridade para formar governo. Eles propuseram um governo de unidade. Depois fizeram o golpe e não percebemos porquê."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hamas alega que gente como Dahlan, por não ter engolido a derrota nas urnas, estava a promover tumultos para criar a impressão de caos em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ibrahim Naja contrapõe: "Os problemas foram começados pelo Hamas." E como é que a Fatah se tornou tão rapidamente invisível? "Porque não temos a mentalidade da guerra civil. Alguns foram embora, mas a maioria está aqui. Não é opção recuperarmos o poder pela guerra civil, portanto estamos em casa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas muitos têm sofrido, afirma. "Dezenas de militantes da Fatah foram mortos em suas casas. Acha que isto não cria medo? Agora sou o único que fala, para manter os outros seguros." Já depois da guerra, garante, "cinco pessoas da Fatah foram mortas em casa, 80 foram presas e ainda estão nas mãos do Hamas". E o Hamas "alveja militantes nas pernas": "Tenho uma lista de nomes em casa. Depois de tomarem o poder, foram mais de 100."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Justiça diz que o Hamas quer falar com a Fatah. Este deputado banido responde: "Porque não falam comigo? Eu estou aqui. Eles não estão a falar a sério. Se não têm prisioneiros, onde estive eu?" Em suma: "O Hamas está a mentir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 26 de Janeiro na edição impressa do &lt;strong&gt;Público&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6800762198807385640?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6800762198807385640/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6800762198807385640&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6800762198807385640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6800762198807385640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/o-ministro-do-hamas-vs-porta-voz-da.html' title='O ministro do Hamas &lt;i&gt;vs&lt;/i&gt; porta-voz da Fatah: desunião em Gaza'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SX3TIC5CITI/AAAAAAAAACI/B905LacZHZQ/s72-c/fn12a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5995820943855683647</id><published>2009-01-25T18:34:00.006Z</published><updated>2009-01-25T19:09:58.727Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Gaza, um túnel sem saída</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;É uma rede comercial subterrânea. Com o bloqueio, a faixa depende deles para tudo. Israel tentou destruí-los e arrasou as casas&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Reportagem&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alexandra Lucas Coelho, Gaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de Mohammed tem não um, mas dois túneis entre Gaza e o Egipto. Com o bloqueio das fronteiras, no último ano e meio, tem sido assim. Um boom. "Neste momento há 2000 ou 2500 túneis aqui", diz Mohammed, como se estivesse a falar de lojas. E de certa forma está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje [ontem], primeiro sábado depois do cessar-fogo, é dia de mercado em Rafah, a cidade no Sul de Gaza que faz fronteira com o Egipto, e Mohammed está a vender fogões a petróleo, um bem essencial ao longo da guerra. Durante semanas foi impossível encontrar gás. Ao lado dos fogões de cozinha, as famílias passaram a ter um pequeno fogão a petróleo, onde faziam toda a comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, já se vende gás à entrada de Rafah, mas é preciso esperar horas numa fila de rapazes e homens sentados em botijas vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, Mohammed continua a fazer negócio no mercado central. Tem um monte de pequenos fogões verdes no chão. "Trazemo-los por túneis, como tudo o que aqui está." Cafeteiras eléctricas, televisões, fraldas, queijo de triângulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Antes desta guerra eu trabalhava nos túneis, trazia as coisas para o lado palestiniano, mas agora compro as coisas e vendo aqui." Com ajuda de alguém do outro lado. "Há um parceiro egípcio que põe as coisas no túnel. Não chegamos a andar nas ruas. A maior parte dos túneis vai sair por baixo de casas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim que os túneis de Gaza são túneis sem saída. Os palestinianos arriscam a vida - e vários morrem - a andar de um lado para o outro debaixo da terra, mas não conseguem sair. Seriam repelidos. O Egipto não está interessado em ter refugiados, como se viu durante a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por causa dos túneis, Rafah tornou-se o grande mercado da Faixa de Gaza desde que o Hamas tomou o poder, em Junho de 2007. Com Israel a bloquear as fronteiras, toda a zona junto à fronteira egípcia começou a ser escavada. Já havia algumas passagens, utilizadas pelos militantes para trazer armas e munições, mas agora é uma realidade doméstica. Faz parte de cada casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As grandes famílias têm pelo menos um túnel", diz Mohammed, descontraidamente, já rodeado por uma multidão. Até que um velho de grandes barbas abre caminho e o ameaça com a bengala. "Porque estás a contar-lhe tudo isso? Os túneis são coisas nossas!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Remendar a guerra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Entre o mercado e o muro da fronteira, os passeios de Rafah estão carregados de produtos frescos, acabados de chegar. Microondas, computadores, motas - até vacas são trazidas pelos túneis. O que não veio do Egipto vem da ajuda humanitária. Virando à direita, depois de mais um carro de burro carregado com um saco da ONU, aparece a linha da fronteira, ao fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a zona de Rafah que mais sofreu durante a guerra. Já havia várias casas derrubadas por Israel, para garantir a vigilância da fronteira. Mas agora são mais as destruídas do que as que continuam em pé. Vêem-se montanhas de entulho fresco e famílias inteiras sentadas nas ruínas, de cabeça baixa, à espera de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já uns metros adiante, em plena Estrada de Filadélfia - o corredor poeirento que separa Gaza do Egipto -, vai uma actividade febril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a direita, montes de terra com tendas brancas a perder de vista. Para a esquerda, mais montes de terra com tendas brancas a perder de vista. Cada tenda é um túnel. Ou seja, toda a linha de fronteira é agora uma linha de túneis. E ouvem-se tractores e escavadoras entre um formigueiro de miúdos e homens. Um estaleiro, a reparar os danos da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo isto começou com o bloqueio, se o bloqueio não existisse, não existiam túneis", resume Mustafá, de 28 anos, o dono do túnel mais próximo. É uma cratera de terra, com uma espécie de escada de metal por onde se desce. Agora não se pode descer porque a terra abateu. Uma escavadora anda para trás e para diante, enquanto dezenas assistem, com os pés enfiados na terra mole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Foi atingido por um F16", explica Mustafá. "Quarenta metros de túnel desabaram. E não sabemos dos danos do outro lado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está do outro lado? "Gente que trabalha para nós." O que é que costumam trazer? "O que as pessoas precisarem." A última vez que o túnel funcionou foi uns dias antes da guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Trouxemos roupa interior."Do outro lado da cratera, um miúdo fuma uma beata em cima de uma velha mesa de bilhar enfiada na terra, como a prancha de uma piscina. Ainda se vê o pano verde, em farrapos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustafá demorou sete meses a construir o seu túnel. Tem 450 metros de comprimento e várias saídas do outro lado, consoante o que ele quer trazer. Ao longo da fronteira há túneis mais curtos e mais compridos. Alguns têm calhas para facilitar o transporte, outros têm a altura de um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste é preciso ir a rastejar. "São 60 centímetros de altura e 40 de largura." Como é que se segura a terra lá dentro? "Com suportes de madeira e metal."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mustafá não faz de conta que não é perigoso. "Já morreram cinco pessoas lá dentro, foram acidentes." Mas quanto a medo, o que tem a dizer é isto: "Deixámos de ter medo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 25 de Janeiro na edição impressa do &lt;strong&gt;Público&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5995820943855683647?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5995820943855683647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5995820943855683647&amp;isPopup=true' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5995820943855683647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5995820943855683647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/gaza-um-tnel-sem-sada.html' title='Gaza, um túnel sem saída'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-1951831838301764176</id><published>2009-01-25T17:02:00.001Z</published><updated>2009-01-25T19:08:09.487Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gaza'/><title type='text'>Ibrahim, sem túnel e sem casa</title><content type='html'>Uma mulher toda de preto está sentada num bocado de cimento, com a cara pousada na mão. Não parece haver nada nos olhos dela. O vento vem e sacode o lenço, a saia, mas ela continua imóvel. "É a minha mulher", diz Ibrahim Mahdi, sentado num degrau, do outro lado da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De lenço branco e bigode grisalho, Ibrahim é um mais-velho. Tem 63 anos, oito filhos, 60 netos e acaba de perder a casa para a qual poupou toda a vida. É junto aos destroços que a sua mulher está sentada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a rua antes dos túneis que levam ao Egipto. Um alvo preferido da aviação israelita durante a guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mandaram papéis do céu a dizer para sairmos das nossas casas porque iam bombardear", explica Ibrahim caminhando para os destroços. Mas em Gaza muita gente é duplamente refugiada, perdeu uma casa em 1948 e outra em 1967. Ibrahim tem idade para se lembrar e recusou-se a obedecer aos papéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não saímos. Até que uma manhã eram tantas as bombas que tivemos que fugir. E pouco depois a nossa casa foi destruída."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 7 de Janeiro que está aqui. "Os meus vizinhos deixam-nos dormir naquele armazém", diz, mostrando os degraus onde estava sentado. "Tenho filhos fora e uma filha está em casa de parentes com os filhos." Perdeu tudo. "Quer ver as minhas roupas?" Aponta pedaços de tecido que aparecem entre o entulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ibrahim compra e vende vegetais de Gaza. Não depende dos túneis e não tinha um túnel. "Um homem chegou a oferecer-me 150 mil dólares para fazer um túnel por baixo da minha casa, mas recusei, era onde eu vivia, não queria perdê-la."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora perdeu-a por causa dos túneis, mas mesmo assim não diz mal deles. "Israel fechou as fronteiras. Um litro de gasolina chegou a 25 shekels [cinco euros]. Hoje, graças aos túneis, custa 3,5 [70 cêntimos]. Não tínhamos fraldas, leite, comida. Estes túneis ligaram-nos à vida. Tudo o que possa imaginar que as pessoas precisam vem dos túneis." Incluindo armas. "Mas um míssil passa por estes túneis?", contesta Ibrahim. "Os túneis não permitem armas dessas. Mas se falamos de comida, sim, tudo vem para Gaza através dos túneis."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu vizinho do lado, por exemplo, teve mais sorte. "Tem três túneis por baixo, e não lhe destruíram a casa. Porque é que destroem a minha? Os túneis são uma desculpa. Querem que sejamos refugiados." E ao acenar, de volta ao seu degrau, diz: "O que sinto é como se fosse 1948 outra vez."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C., em Gaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 25 de Janeiro na edição impressa do &lt;strong&gt;Público&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-1951831838301764176?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/1951831838301764176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=1951831838301764176&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1951831838301764176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1951831838301764176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/ibrahim-sem-tnel-e-sem-casa.html' title='Ibrahim, sem túnel e sem casa'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6830771652999856042</id><published>2009-01-25T15:48:00.003Z</published><updated>2009-01-25T19:10:35.123Z</updated><title type='text'>Ahmad, seis anos, alvejado depois do cessar-fogo</title><content type='html'>A cama parece muito grande com um corpo tão pequeno, de fraldas. Ahmad, seis anos, está deitado, entubado, em coma, numa cama da Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Al-Shifa, o maior de Gaza. Como faz calor, não há nada a cobri-lo. A barriga sobe e desce com a respiração. O relatório diz que foi alvejado a 22 de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, vários dias depois do cessar-fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hani Al Shanti, um dos médicos intensivistas, mostra as radiografias. A bala aparece perfeitamente nítida no centro do crânio. "É uma bala de M16, as dos israelitas", diz. "Em Gaza só se usam kalashnikovs russas e essas balas são duas vezes mais compridas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como, se Israel declarou cessar fogo sábado à noite? "A família dele vive ao pé da fronteira, os soldados israelitas estavam a disparar e ele foi atingido." Foi o que os familiares de Ahmad contaram aos médicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eles estão lá fora, quer falar-lhes?", pergunta Hani. E leva o PÚBLICO ao átrio, onde Hajid, o pai da criança, espera com um grupo de familiares e vizinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vivemos a um quilómetro da fronteira", conta ele. "Na quinta-feira, pelas nove e meia da manhã ouvimos tiros na fronteira e no mar, Ahmad estava a brincar lá fora e foi atingido." O genro acrescenta: "Eu estava com as crianças, Ahmad estava a comer um doce, e de repente caiu com a cara no chão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabem que a bala é israelita? "É uma bala de M16, que os israelitas usam, o que é comum em Gaza é a kalashnikov, e ninguém estava a disparar do nosso lado", diz o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a gente à volta quer dizer mais. "Os soldados continuam a disparar só para assustar as pessoas, afastá-las da fronteira", diz um. "Ainda ontem atingiram pessoas no campo de Bourj", diz outro. E o genro do pai: "Está convidada para vir a nossa casa esta noite e ouvir os disparos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Morto no último dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De volta à sua unidade, Hani Al Shanti vai até à cama em frente à de Ahmad, onde um homem parece dormir. "Já está morto, mas não podemos desligar a máquina, é ilegal, só quando a linha do coração estiver plana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem chama-se Mohammed Sarbou, tem 25 anos e é pescador. Estava na praia quando foi alvejado por um navio israelita. O relatório diz que isso aconteceu a 17 de Janeiro, o último dia da guerra. "A bala entrou pelo meio da testa", explica Hani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os médicos do Al Shifa têm histórias terríveis desta guerra, desde os primeiros minutos, quando chegaram 188 mortos e centenas de feridos ao hospital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vi uns 150 feridos morrerem nesse dia", conta Hani. "Não consegui não chorar. Eles estavam simplesmente aqui pelo chão e não podíamos fazer nada por eles."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kamal Abu Abada, outro médico intensivista, tinha acabado de sair de serviço quando começou o bombardeamento. "Fiquei parado à porta do hospital sem saber se ia ver da minha família ou se voltava ao trabalho." Decidiu voltar. "No tempo de vestir a bata já o hospital tinha sido inundado com mortos e feridos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos alvos desse megabombardeamento simultâneo foi uma sede da polícia a 130 metros do hospital. " Começámos a abrir mais unidades de cuidados intensivos em todo o lado. Passámos de 11 para 35 camas." Ao longo de toda a guerra receberam 5500 feridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abada tem 52 anos, Hani 32. Duas gerações de intensivistas. Como descrevem o que aconteceu a Gaza nesta guerra? "Um tsunami", diz Abada. "Foi a Zeytun? A Atattra?. Quando voltei lá nem consegui encontrar as casas que me eram familiares. E neste hospital foi a pior situação que já vivemos. A quantidade de casos e o tipo de casos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A. L. C., Gaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;publicado em 25 de Janeiro na edição impressa do &lt;strong&gt;Público&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;) &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6830771652999856042?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6830771652999856042/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6830771652999856042&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6830771652999856042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6830771652999856042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/ahmad-seis-anos-alvejado-depois-do.html' title='Ahmad, seis anos, alvejado depois do cessar-fogo'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-4497216501495774954</id><published>2009-01-25T14:57:00.000Z</published><updated>2009-01-25T18:58:29.921Z</updated><title type='text'>"Encontrámos queimaduras estranhas"</title><content type='html'>Israel admite ter usado fósforo branco em Gaza, embora não de forma criminosa, e anunciou um inquérito. Arma incendiária, o fósforo branco tem sido usado por tropas internacionais como ecrã de fumo em zonas do Afeganistão e do Iraque. Mas é considerado crime de guerra quando aplicado em zonas muito povoadas. A Faixa de Gaza, com um milhão e meio de habitantes, é uma das zonas mais densamente povoadas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Unidade de Queimados do Hospital Al Shifa, em Gaza, o especialista Aladin Ali diz que várias análises foram enviadas para o estrangeiro e estão à espera de resultados. Até lá, o que adianta é isto: "Encontrámos algumas estranhas queimaduras nesta guerra, que nunca tínhamos visto. Queimaduras em grandes áreas do corpo, 70 por cento, às vezes 100 por cento. Uma queimadura circular, muito profunda, até ao osso, o que significa que estranhas armas foram usadas." Os feridos mais graves morreram logo, mas ainda há centenas de internados nesta unidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Comité Internacional da Cruz Vermelha confirmou que Israel usou fósforo branco na guerra em Gaza, mas não adianta conclusões sobre se o uso que Israel fez pode ser considerado criminoso. A ONU criticou o uso de fósforo branco em Gaza, e tanto a Amnistia Internacional como a Humans Right Watch estão a investigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C., Gaza&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-4497216501495774954?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/4497216501495774954/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=4497216501495774954&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4497216501495774954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/4497216501495774954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/encontrmos-queimaduras-estranhas.html' title='&quot;Encontrámos queimaduras estranhas&quot;'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5278095158077079377</id><published>2009-01-24T11:13:00.002Z</published><updated>2009-01-24T11:19:09.646Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>O que aconteceu em Gaza</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Toda a gente quer falar e todas as histórias são inaceitáveis. Crianças que perderam a família, que ainda têm balas na cabeça, que foram comidas por cães&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Reportagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho,  em Gaza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almaza perdeu 30 pessoas. Agora está de pé nos destroços. Onde vive? "Ali." Aponta um plástico com paus a fazer de tenda, e sorri. Homens, mulheres e crianças sobem e descem entre bocados de cimento com ferros retorcidos, no bairro de Zeytun, sul da Cidade de Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome dela quer dizer "diamante" e está certo. Uma menina de 13 anos com os lábios muito gretados, demasiado pequena e demasiado magra, que brilha no meio das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estávamos em casa quando começaram a atirar bombas", conta ela, enquanto as outras crianças correm para se juntar. As mais pequenas estão sujas, descalças, com feridas, crostas, problemas nos dentes e nos olhos. Almaza fala com as mãos, a olhar nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Depois das bombas, houve um silêncio. Até que os soldados começaram a martelar para abrir um buraco. Apareceram a apontar uma arma para nós, e disseram-nos para sair." Mostra as ruínas do outro lado da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mandaram-nos ficar na casa que havia ali, mas quando atiraram bombas lá, disseram-nos outra vez para sair e ir para a casa do lado." Onde agora também só há ruínas. "Ficámos lá três dias sem pão, sem água. Para rezar, limpávamo-nos com terra. Nem os bebés tinham comida. O meu irmão saiu para ir buscar lenha para fazermos pão, caiu um míssil e ele morreu. Saí com a mulher do meu irmão para o ir buscar e dispararam contra nós. O bebé da minha cunhada morreu nos braços dela. Voltámos para casa e estavam a atirar mísseis. Gritei à procura da minha família. A minha mãe, as minhas irmãs, os meus tios, toda a minha família estava morta no meio do fumo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almaza e a cunhada fugiram a correr, no meio dos disparos. "Éramos umas cem pessoas a correr, algumas feridas, com sangue." Até encontrarem uma ambulância. O pai de Almaza sobreviveu, mas está ferido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da oração de sexta-feira, em Zeytun, toda a gente quer falar, e todas as histórias são inaceitáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muna desenhou a mãe a morrer. Amal tem uma bala ainda na cabeça. Shahad foi encontrada morta, duas semanas depois. Tinha um ano e meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Do checkpoint à cidade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A destruição de Gaza começa logo a seguir ao checkpoint, para quem vem de Israel. Uma, duas, três, quatro escolas esburacadas ou desfeitas - e o carro ainda só andou uns quilómetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras coisas esburacadas ou desfeitas a caminho da Cidade de Gaza: um depósito de água; casas à esquerda, casas à direita, um quarteirão inteiro; pomares e plantações; canalizações de água; postes de electricidade; uma mesquita, outra e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos primeiros bairros após a fronteira tem 15 prédios, cada um com 18 apartamentos. Todos estão furados por disparos de tanques ou parcialmente incendiados. As portas de ferro nos pisos térreos parecem arrancadas por um furacão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante uns minutos, é como se toda a gente tivesse desaparecido, mas depois um morador, Samir, de 52 anos, surge entre dois prédios e aponta para o cimo da colina: "No primeiro dia da guerra, atingiram com três mísseis aquele depósito da água que bebemos". É um depósito circular de cimento e o rombo vê-se à distância. "No dia seguinte, atingiram-no outra vez. Não tivemos água durante toda a guerra..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No meu bairro, ainda não há água nem electricidade", interrompe um homem com um saco de pão, de chinelos e sem meias. Chama-se Nassur, tem 43 anos, uma filha e vive num andar com vista para o tanque de água. "No primeiro dia da guerra, dois aviões F16 atingiram-no. Toda esta zona abanou. Uma rapariga de 18 anos morreu, a cabeça dela ficou esmagada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora aparece gente de todos os lados, rapazes, crianças descalças, mulheres. Estão a voltar dos abrigos improvisados nas escolas da UNRWA, a agência da ONU para os refugiados palestinianos. "Toda a gente aqui fugiu", diz Nassur. "A semana passada não havia ninguém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rebanho de ovelhas vem das traseiras e desce para a estrada, com burros no meio, e crianças a pastorear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuando na direcção da Cidade de Gaza, muitas casas têm rombos ou partes queimadas, outras parecem viradas do avesso, ou foram reduzidas a uma carcaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Atattra, uma das zonas de maior destruição, ainda estão frescas as marcas dos tanques, que demoliram árvores e, pelo caminho, arrastaram canalizações de água e esgoto. Há tubos a sair do entulho. E mais à frente um poste de electricidade com os fios todos pendurados e um carro de reparações ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma escola do governo tem um buracão na parede. "Foi no segundo dia da guerra", conta Sami, de 35 anos, cinco filhos, que vive do outro lado da rua. "Ouvimos os aviões e depois eles lançaram pára-quedistas e bombas de fumo para não vermos o que se passava. Usaram a escola para disparar de lá e depois atingiram a escola do ar quando se foram embora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também atingiram a casa de Sami, e é isso que ele quer mostrar. Toda a gente quer mostrar o que perdeu. "Não somos Hamas, somos civis. Cultivamos a terra, laranjas, clementinas, limões..." Vêem-se da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A minha casa foi muito atingida, a minha casa!", grita uma mulher com um dente de ouro. Depois senta-se na berma, sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais à frente, outra escola governamental com dois buracões de lado e a fachada queimada. Casas sem a parede da frente ou sem um andar. Miúdos a apanharem ferros, paus. A correrem entre o entulho, que pode esconder munições por explodir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Morangos nas ruínas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O grande orgulho local são os morangos, grandes e doces. Alguém oferece uma mão-cheia, enquanto mulheres penduram roupa lavada em bacias no chão, com um pouco de água. Homens escavam canalizações. Passam dois carros dos Médicos do Mundo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na outra ponta de Atattra, há grandes espaços vazios cobertos de destroços que eram casas. Uma aguenta em pé, reduzida ao esqueleto, enquanto Nadi desce a rua com dois garrafões. "Ainda não temos água, fui buscá-la a uma outra casa." Aos 58 anos, é responsável por uma família com muitas crianças. Umas dez cirandam à volta dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Até as minhas ferramentas de cultivar a terra ficaram queimadas", diz ele, mostrando a ruína da sua casa. "Somos agricultores. Temos tomates, pepinos, batatas. Os bulldozers pisaram a minha terra quando estava quase a apanhar o tomate." Aqui morreram mais de 30 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bairro de Salatin, mais buracos, carcaças e uma mesquita onde o disparo de um tanque entrou pela frente e saiu por trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco adiante, uma gigantesca montanha de entulho com mulheres, raparigas e meninas sentadas em cima. São a família do homem que agora se apresenta, Khamiz Sultan, de 50 anos.&lt;br /&gt;"Esta era a nossa casa, um prédio com seis andares e um supermercado por baixo." 15 pessoas viviam lá dentro. "Os israelitas avisaram-nos para sairmos das nossas casas rapidamente sem levar nada. Fomos para as escolas da ONU, a pé, durante uma hora e meia, com as crianças." Aponta para o entulho. "Aquelas são as minhas netas. Ainda estamos a dormir na escola. A ONU está à procura de casas para nos pôr, mas não é fácil."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do supermercado, tem terras? "Não tenho mais nada, só Ele." Vira o queixo para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois rapazes de barba descem a rua com papéis cheios de apontamentos. "Somos de uma organização que pertence ao Hamas. Estamos a apontar as perdas das pessoas. O Kuweit e os Emirados mandaram ajuda de emergência para darmos entre 500 a 1000 dólares a 500 famílias, em Beitlahya." Esta zona do Norte da Faixa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Cenário de terramoto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Já perto da Cidade de Gaza, homens a vender pequenos fogões a petróleo para cozinhar, porque falta gás e electricidade, e bidões de gasolina, impossível de encontrar nas bombas até ao cessar-fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;muezzin&lt;/span&gt; chamam para a oração de sexta-feira, que é a principal da semana. As ruas estão agora desertas. Mesquita a mesquita, atravessando a cidade, milhares de homens a rezar. Ao lado, atrás ou em frente, há sempre edifícios destruídos, alguns civis, outros ligados à administração do Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeytun fica no sul da cidade e é um cenário de terramoto. Centenas de homens rezam ao ar livre, sobre os destroços, como se fosse uma mesquita. O imã está em frente a eles. Um camião de ajuda humanitária da Turquia carregado de farinha, feijões e açúcar aguarda o fim da oração. Os condutores também rezam ao lado do camião, ajoelham-se nas pedras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o psicoterapeuta Ehssan está entre os fiéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a oração termina, vai falar com Muna, a menina que desenhou a mãe a morrer. Vai falar com Amal, a menina que foi com uma bala na cabeça ao hospital e voltou, porque é uma operação complicada e o caso dela podia esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é Ehssan quem mostra no telefone a fotografia da bebé de um ano e meio chamada Shahad, com as pernas comidas por cães. "Ficou aqui 14 dias depois de morrer, porque as ambulâncias não podiam passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;(&lt;/span&gt;publicado em 24 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5278095158077079377?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5278095158077079377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5278095158077079377&amp;isPopup=true' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5278095158077079377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5278095158077079377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/o-que-aconteceu-em-gaza.html' title='O que aconteceu em Gaza'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8564914441891115996</id><published>2009-01-24T09:38:00.001Z</published><updated>2009-01-24T15:47:48.358Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reportagem'/><title type='text'>A melhor escola no chão</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Reportagem&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se um meteorito gigante tivesse caído e esmagado a Escola Americana Internacional de Gaza. Com investimento palestiniano e &lt;em&gt;curriculum&lt;/em&gt; americano, era a melhor escola do território, e agora professores e alunos andam entre as ruínas em estado de choque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher encontra um livro de Ciência e agarra-o contra o peito. É Alia, a bibliotecária. Fatin, uma das professoras, abraça Zena, de nove anos, ambas voltadas para os destroços. "Isto aconteceu no dia 3 de Janeiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê aqui, se à volta não há nada? "Pergunte-lhes", sugere Fatin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O corpo do guarda foi encontrado em partes, uma metade aqui na frente, outra metade nas traseiras."Quantos alunos tem a escola? "230", responde logo, num óptimo inglês, a pequena Zena, que mora em Gaza, e até hoje não tem vidro nas janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazem para não ter frio? "Vestimos mais roupas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora não sabemos o que fazer aos estudantes", diz Fatin. Duas delas estão ao cimo das escadas a discutir. Nur, que tem rabo-de-cavalo e 14 anos, está indignada. "Usam as casas para disparar &lt;em&gt;rockets&lt;/em&gt; e se as pessoas não querem têm que deixar a sua casa!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois conta que uma das suas melhores amigas morreu na guerra, até que a voz lhe falta, ela baixa a cabeça para se controlar, e começam a pingar lágrimas do nariz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatin, a professora, corre a abraçá-la, e então Nur chora convulsivamente. Quando recupera, diz: "Estou muito zangada com o Hamas. Acho que isto tudo aconteceu por causa dos &lt;em&gt;rockets&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À volta, as colegas contestam. "Não é por causa dos &lt;em&gt;rockets&lt;/em&gt; que Israel tem o direito de destruir uma escola destas", clama Habir, de 16 anos. "Eles querem destruir tudo o que é novo, histórico, educacional. Isto é um crime."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dana, de 16 anos com muito acne, concorda, e Habir continua, apaixonadamente. "Se isto é contra o Hamas, porque é que tantos mortos não são do Hamas? E dizem que se estão a defender! Defendem-se de uns &lt;em&gt;rockets&lt;/em&gt; que são uma desculpa, só causam um buraco no chão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta discussão sobre o papel do Hamas é geral? "Estamos a discutir desde o princípio da guerra. É difícil não questionar quando não podemos dormir e ir a qualquer lado, e estão a usar armas do céu, da terra e do mar contra nós."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que querem agora?"Queremos um governo de unidade nacional", diz Habir. "Só queremos continuar a estudar nesta escola", acrescenta um rapaz, Adam, que veio com os colegas ver a destruição. "Trabalhámos tanto para isto acabar assim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yunis, de 18 anos, aparece de chinelos numa pilha de entulho. É irmão do guarda morto. Conta que o pai teve um primeiro filho Salim, que foi morto há anos, e um segundo filho Salim, que morreu - e o terceiro filho Salim era o guarda que foi desfeito em pedaços aqui. Israel alega que estavam a ser disparados tiros do interior. "Mas a escola estava vazia, e se estivesse aqui alguém o guarda tinha-nos dito", contrapõe Lucy, outra professora. "Eu acordei às três da manhã com o primeiro míssil e antes não ouvi nada", acrescenta o irmão do guarda. "O meu irmão sentia-se seguro, porque era uma escola americana. Antes de morrer, telefonou à família e disse: 'Se sentirem perigo, venham para aqui'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C., em Gaza&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado em 24 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8564914441891115996?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8564914441891115996/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8564914441891115996&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8564914441891115996'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8564914441891115996'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/melhor-escola-no-cho.html' title='A melhor escola no chão'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-8794637241636129702</id><published>2009-01-23T15:05:00.004Z</published><updated>2009-01-23T22:00:33.062Z</updated><title type='text'>Viagens com bolso</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A promessa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi Obama tomar posse num quarto em Jerusalém. Gosto deste quarto. Foi nele que dormi a primeira vez que aqui aterrei. Vim do aeroporto ao amanhecer, tudo parecia prestes a explodir. Bombistas suicidas entravam em autocarros e cafés, o exército israelita entrava nas cidades palestinianas, a morte saía muito à rua. Era Abril, 2002. Subi os degraus com a mala, havia um jardim, uma casa antiga de pedra. Deitei-me a ouvir – seriam tiros? E o dia seguinte nunca mais acabou, até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei muitas vezes, sem nunca mais dormir neste quarto, e agora não pedi, foi um acaso.&lt;br /&gt;E portanto às seis e meia da tarde em Jerusalém liguei a CNN para ver Obama. Tinha acabado de voltar de Ramallah, e tanta gente estava agora a fazer isto, ligar a televisão para ver Obama – em Jerusalém, Belém, Hebron, Nablus, Jenin, Ramallah.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gaza menos. Falta electricidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo à noite Ayman ligou de Gaza a perguntar se eu podia levar um rádio, um pequeno AM-FM a pilhas. Sem electricidade não há televisão nem Internet, mas pode haver rádio, pelo menos com pilhas que se possam carregar naqueles momentos de tréguas em que a energia volta. Agora uma pilha aqui é um luxo, dizia Ayman.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rádio a pilhas e é o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E mais? Álcool. Betadine. Pensos. Algodão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda-feira fui à rua Salahaddin, que tem tudo, e tem mesmo café. O rapaz da loja mostrou-me um rádio chinês, tão chinês que o metal parecia de plástico. E com notável falta de sentido comercial insistia que eu levasse aquele, quatro vezes mais barato que o da Sony. Quando a Sony ganhou, já o rapaz me tinha explicado porque é que Obama não vai fazer qualquer diferença. É porque “eles” só se importam com a segurança dos israelitas, dizia ele. “Eles” são os americanos.&lt;br /&gt;Depois fui à farmácia. A versão Jerusalém Leste de Betadine é Polydine, made in Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tenho tudo, só ainda não entrei em Gaza. Se Israel continuar a deixar entrar oito jornalistas por dia, conto entrar lá por Junho. As acácias e os jacarandás que sobraram já vão estar floridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes ainda do discurso de Obama, quando Aretha Franklin estava a cantar, telefonei a um entrevistado em Ramallah. Mas a canção foi curta, e ele queria mesmo não perder Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então deve ter ouvido como eu as vezes que Obama falou da liberdade. Foram três vezes:&lt;br /&gt;“… essa grande dádiva da liberdade...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… o que homens e mulheres livres podem conseguir quando a imaginação se junta ao objectivo comum, e a necessidade à coragem...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… essa promessa de Deus segundo a qual todos são iguais, todos são livres e todos merecem uma oportunidade de lutar pela sua medida completa de felicidade.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me um bom programa para a reconstrução de Gaza. É exactamente disto que se trata, mesmo dando como certo que Obama não estava a pensar em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom que no dia em que esta crónica saia eu já não esteja neste quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;Crónica publicada no &lt;a href="http://ipsilon.publico.pt/"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;&lt;strong&gt;Ípsilon&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt; de 23 de Janeiro&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-8794637241636129702?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/8794637241636129702/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=8794637241636129702&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8794637241636129702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/8794637241636129702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/viagens-com-bolso.html' title='Viagens com bolso'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-5252024093951754878</id><published>2009-01-22T19:44:00.002Z</published><updated>2009-01-23T19:49:46.581Z</updated><title type='text'>Harb e Al-Sheikh no coração das trevas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Qalandia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na berma, entre o lixo, caminha um homem elegante. Vem das aulas, onde ensina Shakespeare, Joyce, Conrad. Como é que se fala de Conrad a um palestiniano de 20 anos encurralado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não é muito difícil”, responde Ahmad Harb, romancista e professor de literatura comparada na Universidade de Birzeit, em Ramallah. “A ênfase de Conrad é na situação criada em África pelo colonialismo, e é fácil os alunos criarem uma relação com isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Universitários, maioritariamente raparigas, a lerem o apocalipse de Conrad lá nas montanhas além de Ramallah – não é o cliché ocidental sobre os palestinianos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Shakespeare? “Em peças como ‘Otelo’, ‘A Tempestade’ ou ‘O Mercador de Veneza’ há a cultura do Ocidente e a cultura do Oriente, a terra do outro. A imagem do outro nesses livros está relacionada connosco. Há muitos estereótipos. Otelo é retratado como um impulsivo, destrutivo, emocional. É a imagem orientalista do árabe.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é preciso procurar o contexto palestiniano, trata-se de ensinar literatura, ressalva Harb, sentado num bocado de cimento no meio do “checkpoint” de Qalandia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol põe-se atrás do muro que marca a separação entre Jerusalém e a Cisjordânia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheira a fumo, a podre e a escape de automóvel. Algumas pilhas de lixo estão a ser queimadas e uma coluna negra sobe. Há entulho, arame farpado, uma torre de vigia danificada, outra intacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessa que estão os soldados a controlar a vida cá em baixo. Para dois milhões de palestinianos, Qalandia é a porta para Jerusalém, e quem a abre e fecha são os israelitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois um desses palestinianos vê na televisão 1300 palestinianos de Gaza a serem mortos sem poder fugir &amp;shy;– e mergulha no “Ulisses” de Joyce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A dificuldade deve ser ensinada”, insiste Ahmad. “Damos ‘O Retrato do Artista Enquanto Jovem’ e por vezes o ‘Ulisses’ ou o ‘Finnegans Wake’ como exemplo da técnica moderna.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O modernismo é a especialidade deste académico de 57 anos, pai de cinco filhos, que se doutorou em Iowa (EUA) e voltou para onde quer ficar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um jovem militante comunista, hoje vê-se como “socialista, humanista, independente”. E é a partir desses valores que fala dos últimos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Abu Mazen [o presidente Mahmoud Abbas] não soube lidar com a situação desde a vitória do Hamas. Agiu como líder partidário e não nacional. É susceptível à posição árabe e internacional e não teve coragem para dizer que tínhamos tido eleições democráticas. Mesmo depois, quando Hamas e Fatah criaram um governo de unidade, a Europa e os EUA lidaram com indivíduos, não com o governo. Que se podia esperar? Nunca apoiei o Hamas, mas estou disposto a aceitar a escolha do povo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E recusa-se a criticar o Hamas pela guerra. “Tudo isto vem da ocupação. Israel não tem qualquer intenção de fazer uma paz justa. A partir do 11 de Setembro perceberam que a resistência palestiniana podia ser vista como parte do terrorismo internacional e a nossa luta é diminuída por isso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A degradação aqui à volta resume a posição palestiniana em 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É o pior momento da nossa causa. Nunca vi nada como o que se passou em Gaza. As possibilidades de reconciliação entre israelitas e palestinianos são ilusórias.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, há um Gandhi pintado no muro. E de repente Harb identifica o condutor de um pequeno carro vermelho. “É ele, Abdul-Rahim.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São colegas em Birzeit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um estado&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O desportivo Abdul-Rahim Al-Shaikh estaciona e atravessa a poeira do “checkpoint”, onde combinara encontro com o Público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poeta e professor de Filosofia e Estudos Culturais, faz parte de uma nova geração de académicos. Doutorado nos EUA e pós-doutorado em Berlim, tem uma tese sobre Mahmoud Darwish – o poeta palestiniano que morreu em 2008 – e tanto cita Edward Said como Bertolt Brecht ou Hannah Arendt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando teve uma “lecture” na Universidade de Columbia, Nova Iorque, aconteceu-lhe o que acontece a quem anda entre estes destroços: não passou daqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nasci em Jerusalém, na Via Dolorosa, e os israelitas não me deixam ir a Jerusalém porque tenho cartão de identidade palestiniano.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol está raso. Um menino de cara suja vem vender “chiclets”, outro esfrega o pára-brisas de Abdul-Rahim apesar dele dizer que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mulheres ao volante de velhos carros dos anos 80, táxis colectivos cheios de mulheres com crianças, homens a fumar encostados, sem emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abdul-Rahim é descendente de agricultores que perderam a terra quando Israel foi fundado. “A minha mãe não sabe ler, e o meu pai é um intelectual amador. Era tão apaixonado pela causa palestiniana que seguia as notícias em diversas estações e ficou muito político.” Aos 35 anos, este é o filho pródigo, o bom aluno que foi e voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, a família vive a Norte de Jerusalém, cercada “de três lados e meio” por colonatos. “Entramos e saímos por túneis, como ratos.” Tornou-se tão insustentável que Abdul-Rahim se mudou para Ramallah para não chegar tarde à universidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sua especialidade é “a transformação do discurso palestiniano nos anos pós-Oslo”. Ele vai explicar, mas o sumário será: como os palestinianos desistiram de ter “um Estado para todos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Foi em 1974, quando Arafat foi à ONU e fez o discurso do ramo de oliveira e da arma. Até aí, a causa era um estado democrático e secular em toda a Palestina, como antítese do sionismo. O programa palestiniano original era um estado para árabes e judeus, e não a réplica do sionismo – é a tese de Edward Said. E em 1974 a OLP mudou isto. Começou a defender a Autoridade Palestiniana, um estado ao lado de Israel. Acredito que aí nos tornámos uma réplica do sionismo. Foi uma viragem enorme. E levou 20 anos, até ao Acordo de Paz de Oslo, para entender como foi devastadora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A identidade, diz Abdul-Rahim, é “terra, povo e a narrativa desse povo”. Em 1948 e 1967 esse povo perdeu a terra e em 1974 mudou a narrativa. “A OLP deixou de falar de 1,3 milhões de refugiados que estavam fora.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que dificilmente poderão voltar, num estado em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, onde já não há espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na causa original, crê Abdul-Rahim, “todos os cidadãos teriam os mesmos direitos, independentemente da religião”. Seria o fim de um estado para os judeus, seria mudar a História &amp;shy;– mas este académico acha que não é irrealista. “Temos um modelo, a África do Sul, que acabou com o seu regime de apartheid.” E onde está um Mandela? “”Não precisamos de outro Mandela.”&lt;br /&gt;Mas como, quando Israel faz e o mundo segue, como se viu nesta guerra em Gaza? “Os judeus também são vítimas do sionismo. Concordo com Azmi Bishara [líder árabe israelita]: ele tenta tirar Israel do seu estúpido paradoxo, que é ser democrático e ser judeu. Não é possível ser as duas coisas. Ainda agora os dois maiores partidos árabes foram excluídos das eleições israelitas.”&lt;br /&gt;E como vê Abdul-Rahim a divisão palestiniana? “É uma liderança cancerosa, com tantas facções na Fatah e depois os do exterior.” E os do Hamas, e os na prisão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto milhões de palestinianos continuam no “checkpoint”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qalandia era uma rua aberta entre Jerusalém e Ramallah”, diz Abdul-Rahim de repente. “E íamos daqui para Jericó...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado a 22 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-5252024093951754878?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/5252024093951754878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=5252024093951754878&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5252024093951754878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/5252024093951754878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/harb-e-al-sheikh-no-corao-das-trevas.html' title='Harb e Al-Sheikh no coração das trevas'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/dirio-israel-palestina-4.html' title='Diário Israel-Palestina 4'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6182281779062485526</id><published>2009-01-21T19:34:00.000Z</published><updated>2009-01-23T19:37:57.467Z</updated><title type='text'>E Ramallah tão longe de Gaza</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Ramallah&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. O governo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devastação, morte, luto – é a imagem de Gaza que emerge, apesar do bloqueio aos jornalistas.&lt;br /&gt;O contraste com o Conselho de Ministros em Ramallah é total – Mercedes reluzentes com vidros escuros, guarda-costas barbeados de fato e auriculares, guardas de botas engraxadas, átrio de pedra e vidro, tudo novo, limpo, bem pago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São quase três da tarde. Salam Fayyad, primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana, vai dar uma conferência de imprensa com Franco Frattini, ministro italiano dos Estrangeiros. Frattini trouxe ajuda a Gaza, falou com os israelitas e veio a Ramallah dizer que a pré-condição para reconstruir Gaza é haver unidade palestiniana. Fayyad já admitiu que “um novo governo de unidade seria o primeiro passo para a reconciliação nacional”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu no último ano e meio é que os palestinianos tiveram dois governos sem terem um estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro, em Janeiro de 2006, o Hamas ganhou as legislativas e a Fatah não recuperou do choque – seguiram-se lutas na Fatah e da Fatah com o Hamas. Depois, em Julho de 2007, o Hamas tomou o poder em Gaza, e o presidente Mahmoud Abbas fez um governo alternativo em Ramallah, que passou a ser o reconhecido pela diplomacia internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse apoio vê-se no aparato das sedes, do Conselho de Ministros à Mukhata, a presidência, agora ocupada por Abbas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Arafat aqui estava cercado, a Mukhata era cimento, arame farpado e destroços. Hoje, os muros são de pedra polida. A modesta sepultura de Arafat foi transformada num grande mausoléu, todo em pedra e vidro. Ao lado há uma mesquita também em pedra e vidro, exemplo de depuração contemporânea. E canteiros minimais, quase japoneses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois homens asseguram a guarda-de-honra, uma coroa de flores sueca repousa aos pés do túmulo e o silêncio é total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abbas está no Koweit, e quem não o acompanhou saiu daqui ao começo da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. A praça&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já a Manara parece igual, embora um dos leões tenha uma pintura nova na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Manara é uma rotunda, com leões de pedra ao meio e trânsito à volta. Mas é “a” praça de Ramallah, porque daqui é que tudo parte e para aqui é que tudo converge. Durante a guerra houve notícia de manifestações, mas aparentemente não muito grandes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ao terceiro dia de cessar fogo em Gaza, a Manara continua entupida de carros e gente pelo meio, vendedores de amendoim, bancas de fruta, lojas de sumos, móveis, roupa, ouro, táxis colectivos para Nablus, Jenin, toda a Cisjordânia, mil anúncios nos prédios, até um café de contrafacção, Star &amp;amp; Bucks – uma cidade viva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos empreendedores é Adeeb Bakri. Cá está ele, alegre como um gigante de barbas, ao balcão de uma das suas três lojas. Que vende? Tudo, como no chinês, e até fala português por ter vivido 27 anos em Porto Alegre, Brasil. Além das lojas, tem três estações de rádio. Ao todo, 100 empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é ao balcão que continua a desdobrar-se. E que viu Adeeb das manifestações em Ramallah?&lt;br /&gt;“Hum, médio, médio. Houve 10, 12, com duas, três mil pessoas, à sexta talvez cinco mil...” Numa cidade de 250 mil. Bandeiras do Hamas? “Havia, mas a polícia tirou, ia dar briga. Só a bandeira palestiniana era autorizada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bakri esperava mais gente? “Esperava. Acho que o pessoal aqui não entrou porque não quer uma Terceira Intifada. Num só dia de 2002, Israel matou aqui 37 pessoas, e a gente ficou seis meses com bloqueio. Acho que o povo de Ramallah já pagou a sua factura.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De quem é a culpa desta guerra? “De Israel. Quando Israel tem eleição os no poder sentem que não têm lugares suficientes e inventam sempre uma guerra. Mataram o que mataram e saíram. Para quê? Derrubaram o Hamas? Não. Todo o povo árabe agora apoia o Hamas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui em Ramallah também? “Aqui, não, é mais Fatah.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem reconciliar-se, Fatah e Hamas? “Hummm. Acho difícil. Acho que não vai acontecer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado dos leões, Jamal vende jornais e revistas. Também ele vê há anos tudo o que toma o coração de Ramallah. “No primeiro dia da guerra eram umas mil ou duas pessoas, foram até ao ‘checkpoint’ e começaram a atirar pedras. A polícia veio e prendeu vários. A polícia palestiniana!”&lt;br /&gt;Isso levou muita gente a desistir, crê Jamal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, conta, ontem houve uma manifestação de apoio a Abbas. “Era gente da Fatah, foram trazidos de Nablus, de Jenin, de Tulkarem...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamal, 38 anos, é um socialista. Aos 18 anos foi preso por pertencer à PFLP (Frente Popular para a Libertação da Palestina). Esteve dois anos numa cadeia de Israel. Até abre os olhos quando lhe perguntam de quem foi a culpa desta guerra. “De Israel, claro. Esta guerra não é contra o Hamas, foi feita contra todos os palestinianos. O Hamas não fez nada de errado. Quando se cerca Gaza durante oito anos temos uma situação assim. É como a Argélia. Quando o partido islâmico ganhou, o que fizeram? Não o reconheceram. Aqui também. E não é justo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, Jamal acha que o presidente Abbas não fez o que devia na guerra, ao criticar o Hamas. “Não se tratava do Hamas e da Fatah. Agora só se fala de Fatah e Hamas e já ninguém pensa em Jerusalém. Há 11 mil prisioneiros nas cadeias de Israel e quem fala deles?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última pergunta de Jamal é: “E para onde vai o dinheiro da reconstrução, agora? Para a Autoridade Palestiniana.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Omar Qourah não tem loja, só anda às compras. É professor na Universidade de Belém e reúne fundos para a Universidade de Birzeit. Deve ser o único palestiniano da praça que votou por Obama. Estudou em Washington, viveu na América, tem dupla nacionalidade. Mas é em Ramallah que está a crescer a sua filha de dois meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, qual foi o sentimento geral durante a guerra? “Fúria. Fúria e frustração por ver na televisão estas atrocidades, o que Israel fez. E por ver a inacção do mundo, dos poderes regionais.” Essas pessoas zangaram-se com Abbas? “Algumas concordaram que não havia nada a fazer, mas muitas zangaram-se por ele não as deixar manifestar mais, e acharam que ele devia ter feito mais declarações.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o que Omar espera da liderança palestiniana “é que se erga acima das divisões e que haja uma posição firme pelos direitos palestinianos”. Porque não viu nada vir das negociações. “Os colonatos continuaram, não avançámos uma polegada para acabar com a ocupação.” Em suma? “A Autoridade Palestiniana falhou completamente. A única coisa que conseguiu foi criar um regime que controla os palestinianos, sob o poder dos israelitas. Tornou-se um sub-contratador da ocupação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Omar - este Obamista - não é do Hamas. “Sendo pela não-violência, estou contra as tácticas do Hamas. São imaturos. Reconheço que representam as aspirações palestinianas, mas falharam ao dar uma desculpa a Israel para atacar. E estão a repetir erros da Autoridade Palestiniana: esmagar a oposição.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado a 21 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6182281779062485526?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6182281779062485526/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6182281779062485526&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6182281779062485526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6182281779062485526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/e-ramallah-to-longe-de-gaza.html' title='E Ramallah tão longe de Gaza'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-1836461589886723609</id><published>2009-01-21T19:33:00.000Z</published><updated>2009-01-23T19:34:22.463Z</updated><title type='text'>Centenas de jornalistas ainda fora Gaza</title><content type='html'>Israel continua a bloquear a entrada de centenas de jornalistas em Gaza. “É uma tentativa de manipular a imprensa, não sei como pode ser visto de outra maneira”, disse ontem à noite ao Público Glenys Sugarman, da Associação de Jornalistas Estrangeiros baseada em Israel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a guerra começou e o governo israelita impediu repórteres, esta associação recorreu ao Supremo Tribunal de Israel e conseguiu uma decisão para oito jornalistas estrangeiros entrarem por dia. “Essa decisão foi ignorada até há três dias.” Depois do cessar fogo foi acordado que diariamente entrariam seis jornalistas na lista da associação, mais dois indicados pelo centro de imprensa israelita que dá todas as acreditações. Um total de 24 jornalistas terão entrado. Mas o centro de imprensa fala em 650 à espera. A associação, que tem 480 membros, calcula que o total de correspondentes ande pelos 800, fora enviados especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel diz que o bloqueio é para não pôr em risco os jornalistas. Glenys contesta: “O que acontece quando há guerra é que o jornalista assina um papel que isenta Israel de responsabilidades.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mark Regev, porta-voz do governo, disse ao Público que o bloqueio se mantém porque Israel ainda tem tropas dentro que podem ser atacadas e pôr em risco os jornalistas. Quando a retirada terminar, “dentro de um dia ou dois”, acrescentou, “é possível que esta medida seja revista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A.L.C.&lt;/strong&gt;, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado a 21 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-1836461589886723609?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/1836461589886723609/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=1836461589886723609&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1836461589886723609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1836461589886723609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/centenas-de-jornalistas-ainda-fora-gaza.html' title='Centenas de jornalistas ainda fora Gaza'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6497726102061301489</id><published>2009-01-21T18:06:00.000Z</published><updated>2009-01-22T18:09:10.349Z</updated><title type='text'>Diário Israel/Palestina 3</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Obama na Torah&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O judeu religioso Nahman não se entusiasma com Obama, mas está na posse de um segredo. “Na Torah já estava escrito que o presidente Obama ia vir”, revela ele no meio da Ben Yehuda, uma rua pedonal cheia de lojas e cafés, que de certa forma é o seu posto de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria dos ultra-ortodoxos em Israel não trabalha, mas Nahman, 33 anos, casado, dois filhos, tem como missão reunir fundos para o seu rabino fazer uma versão manuscrita da Torah, a Bíblia judaica. E então, já noite escura, está no meio da rua, de fato preto e “kippa” preta, com um grande cilindro de plástico a imitar os rolos onde é guardada a Torah, e vai apregoando recibos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se pagar 18 shekels, está a pagar um texto. Se pagar 180 shekels vai ter uma vida muito boa.”&lt;br /&gt;180 shekels são cerca de 35 euros. Para uma vida muito boa não está caro, mas Nahman ainda tem o livro de recibos quase intacto, e ainda por cima está a ficar frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso do Obama vir na Torah é um segredo, não há muita gente que o saiba”, avisa de repente, em caso de dúvida. E de resto, vir na Torah não é razão bastante para confiar em Obama: “Não o conheço e não confio em nenhum cristão. Só confio nele.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aponta com o queixo para o céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então Obama não poderá fazer a paz? “Nunca haverá paz.” Nunca haverá paz? “Quando o Messias vier, toda a gente saberá que temos um Deus e verá que Deus deu a Israel a Torah. Ninguém poderá fazer a paz, só o Messias.” E portanto esse messias não será Obama, apesar de estar na Torah? “Claro que não.” Nahman até recua um passo. “Só um judeu pode ser o Messias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6497726102061301489?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6497726102061301489/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6497726102061301489&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6497726102061301489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6497726102061301489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/dirio-israelpalestina-3.html' title='Diário Israel/Palestina 3'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-2521091336152175151</id><published>2009-01-20T19:38:00.000Z</published><updated>2009-01-23T19:44:06.930Z</updated><title type='text'>Pizza Obama e as grandes expectativas</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A inauguração vista de Jerusalém Ocidental e Oriental&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Jerusalém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mozarella, “tomate verdadeiro”, molho de especiarias e ananás, “porque é algo doce”. Eis a pizza Obama criada por Itzak Azencot, um israelita que sabe aproveitar o ar do tempo. Não bastava uma pizza, era preciso uma pizzaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui está ele, no nº 47 da Estrada de Hebron, a grande avenida no sul de Jerusalém, por onde se sai para Belém e Hebron. Quem vai de carro não deixa de ver o nome, num toldo e em néon, e há cartões por toda a cidade. Depois, a Pizza Obama é quase um quiosque: balcão com cinco bancos, tabaco, “chiclets”, Itzak de pá na mão, a tirar pizzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama está por toda a parte, das paredes ao menu. Azeitonas, cogumelos, atum, queijo, e a cara de Obama. Obama com Netanyahu (favorito na corrida para primeiro-ministro em breve).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama a receber uma t-shirt “I love Sderot” (povoação israelita alvo de “rockets” do Hamas).&lt;br /&gt;“Abri esta pizzaria há dois meses, antes dele ser eleito”, explica Itzak, que a 4 de Novembro celebrou com champanhe e hoje vai celebrar outra vez, depois de assistir à inauguração. “Gosto dele, da forma como fala, e acredito que vai fazer bem ao mundo só por ser preto, porque tem que provar que os pretos também podem fazer coisas boas ao mundo. Acredito que os pretos é que vão fazer a paz no mundo porque vêm do lixo. São as pessoas que vêm do lixo que conhecem a vida real, não os que estão sentados em gabinetes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada de racista nisto, esclarece. “Eu também sou preto.” Como assim? “Sou um judeu de Marrocos, e os judeus de Marrocos são como pretos em Israel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A família de Itzak veio de Casablanca e Marraquexe antes de 1948. Ele já nasceu aqui. Tem 49 anos, e três filhos, incluindo a jovem Denise sentada ao balcão, que gosta de Obama “porque é um homem que sabe o que quer e faz o que quer, um homem de acção”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas poderá resolver o conflito israelo-palestiniano? Itzak começa por abanar a cabeça. Depois sorri. “Se me ouvir, pode.” Que lhe diria? “Que só há um Deus nas três religiões e que Jerusalém tem que ser um lugar aberto. Acredito que ele quer e pode fazer a paz, se for no caminho certo: dois Estados com as fronteiras abertas mas sem armas, onde toda a gente possa vir rezar e ir embora.” O problema principal, acha Itzak, é a religião: “Toda a gente quer ter Deus no bolso.”&lt;br /&gt;Entretanto, no centro, onde a rua Jaffa se cruza com a Ben Yehuda – e a Jerusalém judia faz compras, passeia a pé e neste momento tenta contornar as obras do futuro comboio urbano –, Eduardo Dweik fez uma fusão Israel-Obama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel adora a sua bandeira. Durante esta guerra de Gaza, povoações ao alcance de “rockets” transformaram-se em superfícies cobertas de azul e branco. Em Sderot há rotundas sem um único espaço livre: ao centro e à volta tudo está coberto por bandeiras. Bandeiras nos fios eléctricos, nos postes, nas árvores, nas casas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na loja de Eduardo também há muitas bandeiras, mas ele teve esta ideia para uma t-shirt: a palavra “shalom” (paz) em muitas línguas, e por cima “Yes we can – Israel”. Portanto, Israel pode fazer a paz? “Claro que podemos. Mas às vezes temos de ser fortes. Se me perguntar pelos palestinianos agora, eles mereceram.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para explicar porque mereceram, Eduardo, 53 anos, conta a sua história. Que é um judeu descendente de judeus da Síria. “Escaparam para Inglaterra nos anos 10, escaparam para a Argentina na II Guerra, e eu vim para cá em 1974 para fechar o círculo.” Ou seja? “Escolhi estar aqui e isso tem valor acrescido. Vim com muita vontade de paz. Votei no senhor Rabin, e na primeira oportunidade os palestinianos votaram no Hamas, que não queria a paz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama é quem vai fazer a paz? “Há grandes expectativas, mas Obama é só um homem. Fazem dele tanto, que será demais. Acredito que será um bom presidente, mas a América não é fundamental.” Não? “Não. Os árabes vêem a América como aliada de Israel e Obama não vai mudar isso. Os únicos que podem fazer a paz aqui são os árabes.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Festa, não&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A palestiniana Maureen Marroum entra na principal papelaria-livraria da rua Salahaddin, no centro de Jerusalém Oriental, e compra um calendário do poeta Mahmoud Darwish, que morreu no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Católica, solteira, 37 anos, cabeça descoberta, olhos verdes, Maureen estudou jornalismo na reputada Universidade Americana do Cairo e trabalha há 13 anos no Consulado Americano, duas ruas acima. O cartão de visita dela diz: “Especialista em assuntos culturais para intercâmbios”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite da eleição de Obama, organizou uma grande festa em Ramallah, Cisjordânia, com 300 convidados. “Ficámos tão felizes!”, diz Maureen. “Comparei com a vontade de mudança que as pessoas aqui tinham em relação à Fatah, depois de tantos anos. Até padres e freiras votaram pelo Hamas em Gaza. Não estavam a pensar se eles eram islamistas ou não, queriam algo diferente.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é uma partidária do Hamas que fala. É, aliás, uma severa crítica de todas as lideranças palestinianas. “Em relação a esta guerra, quem culpo mesmo são os palestinianos. Não houve uma estratégia nos últimos 60 anos, e é por isso que isto não está resolvido. Hoje temos um muro, menos terra, segregação. Há uma falta de sinceridade e convicção nos líderes palestinianos. E do outro lado há uma boa estratégia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maureen simpatiza com Obama, mas fica por aí. “Acho que se vai centrar nos problemas domésticos, na saúde, na educação. Pode fazer alguma diferença neste conflito, gradualmente, mas somos nós que temos que nos ajudar, não é a América.” E hoje não haverá celebrações em Ramallah. “Por causa da guerra cancelámos tudo. Não é tempo de festa.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obama enche o balcão, nas capas da “Time” e da “Economist”. É nesta papelaria que se acham livros e imprensa estrangeira em Jerusalém Oriental. As pessoas cruzam-se, falam, debatem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dono, Imad Muna, 45 anos, é uma espécie de anfitrião, “optimista” por dever. “Temos de ser optimistas. Fiquei feliz quando os americanos escolheram Obama, acho que é uma grande mudança, pela primeira vez um negro na casa Branca, e a situação não pode ser pior do que com Bush.” Sorri. “Portanto, vamos esperar. Bush deixou-lhe muitos problemas, internos e externos, e primeiro Obama tem de mudar a imagem da América no mundo. O exame, será o Iraque, o Afeganistão e este conflito.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será ele homem para fazer a paz? “Tem carisma para isso.” Mas, sobretudo, e ao contrário de Maureen, Imad acredita nisto: “São os americanos que podem fazer a paz, não israelitas nem palestinianos.” Lembra Sadat, o presidente egípcio que fez a paz com Israel. “Ele disse que todos os cordéis estavam na mão dos americanos e eu acredito nisso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado a 20 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-2521091336152175151?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/2521091336152175151/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=2521091336152175151&amp;isPopup=true' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2521091336152175151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/2521091336152175151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/pizza-obama-e-as-grandes-expectativas.html' title='Pizza Obama e as grandes expectativas'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-7947837996411718697</id><published>2009-01-20T18:03:00.000Z</published><updated>2009-01-22T18:08:41.841Z</updated><title type='text'>Diário Israel/Palestina 2</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Prendas para Gaza&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quando a guerra começou em Gaza, Ahed Izhiman foi entregar parte das suas roupas à Cruz Vermelha. “Agora queria mandar dinheiro, mas não sei como”, diz, a caminho de uma loja de molduras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os palestinianos são mais maciços que esguios e Ahed destaca-se por ser tão magro e alto no movimento da principal rua de Jerusalém Oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Salahaddin tem farmácias, floristas, o melhor café, a melhor papelaria, o melhor lugar para comprar azeite ou comer “hummus”, além de dezenas de lojas de roupa barata, champôs e detergentes, electrodomésticos “made in” China, telemóveis “made in” Liga Árabe ou o Centro Cultural Francês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor café (pelo menos, expresso) é o da família de Ahed, que no piso de cima montou vários postos de Internet e no piso de baixo vende chocolates de todas as cores e tamanhos, incluindo sazonais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em Jerusalém temos três Natais, o católico, o ortodoxo e o arménio, e ontem foi o arménio”, disse um dos irmãos de Ahed, para explicar a presença maciça de pais natal de chocolate a 19 de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa altura que Ahed pegou no casaco para ir à loja de molduras. Agora está a virar à esquerda. Entra numa porta e sai pouco depois com uma pintura muito colorida em cada mão. Na direita, um palhaço sorridente, na esquerda um arco-íris por cima de casinhas brancas e intactas. “São as pinturas que os meus alunos de oito anos fizeram para Gaza.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de servir cafés e pesar bombons, Ahed é desenhador, fotógrafo, dá aulas e não lhe perguntem o que é que Obama pode fazer, mas o que é que ele, Ahed, pode fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer fazer “mais qualquer coisa” por Gaza e a tomada de posse do novo presidente americano não o entusiasma. “Para nós, ainda é a América. Precisamos de uns meses para ver o que ele pensa, qual é o plano dele. Deixámos de acreditar fosse em quem fosse.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ahed dá o exemplo do presidente Mahmoud Abbas, a quem os palestinianos chamam Abu Mazen: “Acreditámos em Abu Mazen e ele fez esta guerra em Gaza.” A culpa é dele? “Só dele. Porque Bush era o nosso inimigo, e Olmert [primeiro-ministro de Israel] era o nosso inimigo, e Abu Mazen concentrou-se no Hamas, em como podia destruir o Hamas. E ele sabia que esta guerra podia acontecer.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que devia Abu Mazen ter feito? “Devia ter dito que os nossos problemas são resolvidos entre nós. Devia ter resolvido as coisas com o Hamas. Não era preciso chamar esta gente de fora.”Fala um jovem palestiniano de Jerusalém que já cresceu na desilusão da Fatah e não tem a ilusão do Hamas. “Só as pessoas da Fatah culpam o Hamas pela guerra, e sabe o que mais? Entre elas há quem esteja contente com o que aconteceu.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-7947837996411718697?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/7947837996411718697/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=7947837996411718697&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7947837996411718697'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/7947837996411718697'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/dirio-israelpalestina.html' title='Diário Israel/Palestina 2'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-1606593732170704659</id><published>2009-01-19T19:21:00.000Z</published><updated>2009-01-23T19:32:17.045Z</updated><title type='text'>Operações para jornalistas e silêncio na fronteira</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Reportagem&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alexandra Lucas Coelho, em Erez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Israel recebe os jornalistas com uma mostra de “rockets” usados pelo Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No centro de imprensa em Jerusalém por onde os enviados têm de passar para ter o cartão que lhes permitirá, eventualmente, entrar em Gaza, há uma mesa cheia de metal amolgado e queimado, e por baixo um mapa com os kibbutzim e cidades israelitas ao alcance dos projécteis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, cada jornalista pode receber uma lista de contactos com autoridades locais em 25 lugares junto à fronteira com Gaza e uma outra lista com 13 porta-vozes governamentais e militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas contêm números fixos e telemóveis, para garantir o acesso a estas fontes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Sderot, a localidade israelita mais perto de Gaza, há todo um centro de imprensa montado, com reencaminhamento para famílias atingidas pelos envios do Hamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na véspera de Israel declarar cessar fogo, o exército levou jornalistas em viagens-relâmpago a Gaza para ver locais em ruínas de onde estariam a ser lançados “rockets”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desde a declaração estão em marcha operações para a imprensa. Ontem alguns repórteres puderam acompanhar a visita do ministro israelita da Saúde à clínica para feridos de Gaza que o governo decidiu montar em Erez, o “checkpoint” que é uma fortaleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que continua a ser impossível é a entrada geral de jornalistas, após semanas de bloqueio em que nenhum jornalista pôde entrar e ficar em Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao começo da tarde de domingo, o centro de imprensa tinha 650 jornalistas inscritos para entrar, e estava a aplicar a primeira “pool” de oito por dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi por volta dessa hora que o Hamas declarou o seu cessar fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da fronteira, as televisões que não faziam parte da “pool” dos primeiros-oito continuavam a fazer directos das colinas de Sderot, de onde se têm avistado os bombardeamentos sobre Gaza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A espera&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Entre Jerusalém e Gaza - uma hora e meia de caminho -, o domingo muda de Inverno para Primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que a fronteira se aproxima, vêem-se cada vez mais soldados nas paragens de autocarro e a pedir boleia em cruzamentos. Retirada “on the road”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco antes de Erez, resta apenas um guarda, além do “zeppelin” que regista tudo no céu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gigantesco terminal – primeira fase de passagem para Gaza, antes de túneis, portas de betão, e um longo território de ninguém – está deserto, com quatro ambulâncias da Magen David (Estrela de David Vermelha, equivalente à Cruz Vermelha), estacionadas à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lá chegar há que transpor um posto de segurança com uma jovem militar, junto ao qual um homem de sobretudo e grande mala preta espera há horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A minha mulher e os meus filhos estão dentro de Gaza”, explica. É um alto quadro da Autoridade Palestiniana, e pede que o seu nome não apareça. “Saí antes da guerra e até agora não pude voltar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do cessar fogo coordenou a vinda com o lado de lá, mas não está a resultar. E entretanto a mulher telefona de Gaza mais uma vez, enquanto as quatro ambulâncias saem lentamente de Erez, uma a uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mediática clínica foi montada num anexo do terminal. Dois grandes estandartes dizem: “Clínica médica regional do Estado de Israel para o povo de Gaza”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá dentro, há várias salas ao longo de um corredor em L, com placas a dizer: “Farmácia”, “Laboratório”, Ginecologista”, “Pediatra”, e por aí fora, incluindo uma unidade de reanimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheira a pão, de vários sacos pousados à espera. Tudo tem um ar novo e limpo: macas, máquinas, medicamentos. Só não há doentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O ministério da Saúde pediu-nos há dois dias que montássemos esta clínica”, explica Eilat Shinar, a hematologista da Magen David que está a dirigir as operações. A clínica conta com uma equipa de 30 pessoas, um terço dos quais médicos. Pode receber entre 100 e 150 doentes – hoje atendeu três. Estará aberta das 8h às 17h para “diagnosticar e tratar”. Os que precisem de hospital podem ir para Israel ou voltar para Gaza. E será fácil virem? “Podem vir depois de uma avaliação de segurança.” O governo prometeu que haveria lugar nos hospitais de Israel.&lt;br /&gt;Mas até lá o sol põe-se e a clínica vai fechar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da primeira “pool”, faltam entrar uns 642 jornalistas, mas nem estão à vista. Daqui não se passa, e não se passa mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No posto de segurança, o alto quadro da Autoridade Palestiniana continua de pé, com o seu sobretudo e a sua grande mala preta. Até que subitamente um derradeiro telefonema lhe dá luz verde, e todo ele é um homem novo, eufórico, ao abrir a mala para a militar na guarita, que tem metade da idade dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de três semanas de guerra vai voltar à família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que esta noite se diz em Gaza é que tudo está tão em silêncio que já ninguém sabe dormir assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(&lt;/strong&gt;publicado a 19 de Janeiro na edição impressa do Público&lt;strong&gt;)&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-1606593732170704659?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/1606593732170704659/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=1606593732170704659&amp;isPopup=true' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1606593732170704659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/1606593732170704659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/operaes-para-jornalistas-e-silncio-na.html' title='Operações para jornalistas e silêncio na fronteira'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8344288135875855585.post-6107424010016754146</id><published>2009-01-19T17:46:00.000Z</published><updated>2009-01-22T18:15:51.082Z</updated><title type='text'>Diário Israel/Palestina 1</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SXi22T1-ucI/AAAAAAAAAB4/xETD54xLvPU/s1600-h/jer.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294182406129891778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SXi22T1-ucI/AAAAAAAAAB4/xETD54xLvPU/s400/jer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; Natan Gaukowitcz no seu abrigo anti "rockets", usado como infantário&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Alexandra Lucas Coelho)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O cozinheiro que perdeu a filha&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natan tem um grande molho de chaves, e de noite leva algum tempo a encontrar a que precisa. O céu por cima do “kibbutz” Bror Hai está cheio de estrelas, ou as estrelas vêem-se melhor longe da cidade, entre pinheiros gigantes. Gaza está a um pulo, quer dizer, estamos na fronteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chave que Natan precisa é a do restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O restaurante é um memorial para a minha filha, que foi morta por um míssil do Hamas”, diz Natan, ainda antes de encontrar a chave, que abre a porta, onde se acendem as luzes. “Uma vez perguntei-lhe se ela queria aprender a cozinhar e ela disse que não porque eu estaria sempre aqui para cozinhar para ela. E então abri isto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um restaurante chamado Mides. “A minha filha gostava muito de mitologia grega e Mides era a quinta mulher de Zeus.” Aqui é um restaurante brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome não revela, mas Natan Gaukowicz, 57 anos, nasceu em São Paulo e ainda não perdeu o sotaque, após três décadas em Israel. “Sou cozinheiro e a minha especialidade é feijoada.” A saber, para quem também está presente e não sabia: “Feijão preto como aquele mexicano, mas mais pequeno, muito tipo de carne, laranja, couve...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta noite, que é a primeira de cessar fogo ao fim de três semanas de guerra, não há feijoada nem mais nada, porque Natan folgou. Fez um domingo brasileiro. De resto, este estrado de madeira ao ar livre costuma estar cheio de mesas. Só no “kibbutz” vivem 400 pessoas. “É um ‘kibbutz’ brasileiro, com muita fruta, morango, manga.” “Kibbutz’ à antiga, unidade colectiva de produção? “Não, isso não. Já quase não há ‘kibbutz’ assim em Israel.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma coisa os ‘kibbutz’ aqui na fronteira têm em comum: abrigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A minha filha não morreu nesta guerra. Morreu a 14 de Julho de 2005.” Dias antes dos colonos israelitas terem saído da Faixa de Gaza. “Ela tinha ido visitar uma família mesmo junto a Gaza e morreu lá, por causa de um morteiro.” Chamava-se Dana, tinha 22 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois Natan diz esta coisa talvez inesperada: “Mas muito mais pessoas morreram de um lado e do outro. A minha tragédia não é só minha, é a tragédia de dois povos. E eu tomei a decisão de mudar esta realidade, e falar em todo o lado onde pudesse. Uso o meu caso para promover a paz.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, desconfia sistematicamente do Hamas. “A seguir a Israel decretar o cessar-fogo, o Hamas enviou mísseis. Agora se houver mais mísseis será mesmo uma tragédia, porque o exército entrará outra vez em Gaza, a população sofrerá mais, e já é insuportável o que sofreram até agora. Isso preocupa-me porque não o merecem. Mas por outro lado elegeram o Hamas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natan encarou o bombardeamento israelita como uma resposta inevitável. “Há oito anos que estamos sob fogo aqui na fronteira e Israel não respondeu.” Chega a dar um exemplo muitas vezes invocado, como se os Estados Unidos estivessem a ocupar o México. “Pense o que era alguém em Tijuana a disparar para San Diego.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O eterno conflito&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Vivendo assim num “kibbutz” junto a Sderot, a povoação israelita mais próxima de Gaza, Natan viveu na pele o eternizar do conflito. “Tive de fugir muitas vezes. A minha mulher trabalha ao pé de Sderot e muitos dias não pôde ir trabalhar. Vi pessoas fora de controle, a gritar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Politicamente, Natan só acredita numa “solução verdadeira em quatro ou cinco gerações, porque a criança que viu agora a sua casa ser destruída não vai perdoar aos israelitas”. O que Natan não pode perdoar ao Hamas é uma coisa que tem por certa: “Eles usam crianças como escudos.”&lt;br /&gt;E qual será a solução verdadeira? “Dois estados, com Jerusalém dividida. Não tenho problema com isso, como a maioria dos israelitas não tem. E os colonatos têm que ser retirados. Tem que haver uma fronteira clara. O problema é que até hoje não temos fronteiras. Em 1967, Israel entrou nos territórios e não devia ter ficado. Foi um grande erro. Mas há espaço suficiente para os dois povos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ex-militar conhecedor de Gaza, diz “ter a certeza de que israelitas e palestinianos podem viver juntos”. E, antes de mais, quanto aos palestinianos: “Têm que sair de campos de refugiados e viver como pessoas. Mas ninguém quer saber e usam-nos como arma, mantêm-nos pobres.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A guerra como arma eleitoral&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Do que Natan está seguro é de que “esta guerra foi usada para as eleições.” Há legislativas em Israel a 10 de Fevereiro. A ministra dos Estrangeiros Tzipi Livni e o primeiro-ministro Ehud Barak estavam em baixo nas sondagens. “Eles usaram a guerra para se promoverem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Natan declara-se “muito pessimista”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continua aqui, com a família. A sua filha levada pelo míssil era a do meio: a mais velha tem 26 anos e o filho tem 21. São a primeira geração nascida em Israel, netos de sobreviventes do Holocausto, lá na Polónia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os meus pais conheceram-se num campo de trabalho. A minha mãe era cozinheira e dava uma batata extra ao meu pai, e foi por isso que o meu pai sobreviveu.” Quando a mãe foi enviada para Auschwitz, conta Natan, “saltou do comboio”. Voltou a encontrar o homem da batata em Génova. Casaram no barco e emigraram para o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natan saiu de São Paulo para vir fazer um doutoramento de Informática em Israel. Casou, ficou.&lt;br /&gt;E entre as suas muitas chaves está a do abrigo. Neste “kibbutz” há dez abrigos. O que ele usa fica mesmo em frente ao restaurante, mas por vezes isso não é suficiente. “Temos 15 segundos de aviso até o ‘rocket’ cair. Da última vez não cheguei a tempo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura a chave, abre a porta. No piso ao nível do chão há uma rudimentar casa de banho e daí descem umas escadas para o subterrâneo. Lá em baixo parece uma escolinha, com cadeiras e mesas em miniatura, “snoopys” de peluche, quadros e livros. “Está a funcionar como jardim infantil porque é seguro.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jardim infantil onde está sempre acesa a luz eléctrica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Parece incrível”, diz Natan. “Porque o que nós queremos é viver em paz e os palestinianos também.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8344288135875855585-6107424010016754146?l=diarioreportagem.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/feeds/6107424010016754146/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8344288135875855585&amp;postID=6107424010016754146&amp;isPopup=true' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6107424010016754146'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8344288135875855585/posts/default/6107424010016754146'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://diarioreportagem.blogspot.com/2009/01/dirio-israelpalestina-2009.html' title='Diário Israel/Palestina 1'/><author><name>Público</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09259274029082545299</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_t40_zf0vPWc/SXi22T1-ucI/AAAAAAAAAB4/xETD54xLvPU/s72-c/jer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
